“De boas”? “De boas!”

Deboas
Crédito: http://www.megacurioso.com.br

Anteontem pela manhã estava a uns 400 metros de volta à minha casa quando um sujeito apertou o passo e emparelhou.

Conheço o sujeito há muito tempo, acho que desde que cheguei aqui no Núcleo Bandeirante há quase dois anos.

É um cara jovem, provavelmente tenha menos de 30 anos, e fala pelos cotovelos.

Ele tem a enorme capacidade de estar bêbado todos os dias.

Às vezes o encontro num dos bares próximos. Todos têm aparelho de TV e alguns, dois.

Sempre tem um jogo de futebol “passando” e muita gente fica assistindo seja a que horas for.

Já disse de outras vezes tratar-se do trecho mais democrático de Brasília: tem homem, mulher, criança, idosos perambulando ou sentados em frente aos aparelhos.

Das histórias

Muita gente acha que essas histórias que conto por aqui são invenções, pequenas crônicas tiradas do nada ou, quando muito, uma juntada de acontecimentos e fatos diversos.

Não são! São histórias das quais participo ou às quais observo, embora, vez ou outra, sejam repasses de histórias que me contam (o que é raro).

Gosto de observar as pessoas e as coisas acontecendo, relatar e colocar minhas impressões.

Tenho a veleidade de que sejam pequenos ensaios que, talvez, um dia, sejam transformados num ensaio pra valer.

Hoje pela manhã, por exemplo, estava no pronto socorro do Núcleo e uma senhora xingava a Dilma de vaca e a culpava pela demora no seu atendimento.

Bem… isso é uma impressão dela, e ela tem todo direito de ter as suas próprias impressões.

Mas o que chama atenção desse e de outros casos que presenciei é que o personagem (a senhora, no caso) não é a mesma de casos correlatos que vivo lendo nas redes sociais: gente de classe média, com um pouco ou muito dinheiro, e que odeia a Dilma e o PT.

A senhora do posto de saúde era gorda, preta, pobre e nascida por estas sertãs centro-oestinas, aqui no Goiás ou no Tocantins.

Das identificações

Não sei o nome do meu acompanhante do domingo pela manhã. Nunca perguntei e ele também nunca perguntou o meu.

Nestes espaços democráticos e de convivência bastante pacífica ninguém está interessado em seu nome e naquilo que você faz.

Meu acompanhante, pelo visto, é um daqueles caras de serviços gerais, um faz-tudo.

Estava reclamando que alguém o estava chamando para trabalhar em pleno domingo. Ele achou isso um desaforo e disse que já trabalhara “ontem”, sábado.

Mas disse que iria mesmo assim. Que faria o que sempre faz: “digo que estou chegando, kkkkkkk. Mas sempre enrolo um pouco e chego mais tarde, kkkkkkk”.

Contou também que na semana passada não foi trabalhar dia nenhum: “passei só na cachaçada”.

Ao se despedir de mim disse que estava “de boas. E você, tá de boas também?

Claro que estou de boas. Podia ser diferente?

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