Por que não Capitalismo para todos?

Capitalismo
Quem tem medo do Capitalismo – ilustração http://cinegnose.blogspot.com.br /reprodução

Uma campanha publicitária da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) dizia, nos anos 70, que “o melhor do Capitalismo é ser capitalista”. Reza a lenda que a economista e ministra de Collor, Zélia Cardoso de Melo, provocava um namorado da época, que seria comunista, com o slogan fiespiano.

A campanha, na TV, era recheada de takes mostrando os avanços e os benefícios trazidos pelo Capitalismo às populações; só não apareciam takes dos paupérrimos interiores amazônicos, nordestinos e centroestinos.

Mas a campanha tinha sua lógica: o melhor mesmo do Capitalismo é ser capitalista. O sistema nunca foi acessível a todos.

Das controvérsias

Hoje há quem garanta que o Capitalismo está no fim e deve acabar (já estaria acabando) de uma hora para a outra.

Eu não seria tão otimista. Acho que ele ainda dura 300/350 anos antes de perecer completamente.

O Capitalismo teria nascido no século 11, na Europa, com os renascimentos comercial e urbano, com o aprimoramento das técnicas de produção no campo, o que possibilitou o aumento da produção de alimentos, e com o surgimento das oficinas de artesanato, uma espécie de antecessora da revolução industrial, que somente iria acontecer a partir de 1760 na Inglaterra.

Oficialmente o Capitalismo nasceu no século 16, época das grandes navegações e descobertas (sic) e com o incremento do comércio com os povos orientais.

A História, no entanto, não é tão singela assim: o avanço europeu sobre outros continentes gerou a colonização, a escravidão e dizimou milhares de grupos autóctones ao redor do mundo.

Das plenitudes

Quem melhor viu a relevância do avanço capitalista foi Karl Marx[1]. Segundo ele, somente o espalhamento geral do Capitalismo por toda a Terra levará à sua superação.

Marx não acreditava ser possível dar um salto direto da pobreza para uma sociedade igualitária ou, pelo menos, justa.

E ele mais uma vez estava com a razão, a se ver pelos exemplos da (extinta) União Soviética, da China maoísta e da Cuba castrista.

O “velho barbudo” não era tão sonhático assim como muitos pensam, e traçou uma linha mais longa e densa que sai do Capitalismo, passa pelo que se convencionou chamar de “socialismo científico[2] para desembocar no Anarquismo[3].

Das incertezas

É possível demonizar o Capitalismo por todos os males da nossa contemporaneidade, mas não se pode perder a razão e o pé na História: a pobreza e a injustiça social estiveram presentes na antiguidade greco-romana, na Pérsia antiga e na China e no Japão medievais.

O redesenho do Capitalismo nos anos 30 (neoliberalismo) empurrou boa parte da produção para países agrários ou tribais. Se com ele trouxe as mazelas da exploração do trabalho pelo capital e a destruição do meio ambiente, igualmente trouxe ganhos na renda e na especialização dos trabalhadores; melhores condições de educação, transporte e saúde, e gerou, mesmo que em escala menor e ainda subalterna, pesquisa e tecnologia.

O filho predileto do Capitalismo é a classe média, uma criança bastarda que se de um lado dá suporte ao sistema, buscando aprisionar a pobreza no seu espaço (não é isso que acabamos de ver com os protestos contra o governo petista?), de outro é o principal motor que fomenta a defesa dos direitos sociais, políticos e econômicos (individuais e coletivos).

É nela, na criança bastarda, que, por exemplo, Dilma Rousseff jogava e joga as suas esperanças, assim como o social-liberalismo europeu e a presidente chilena, Michelle Bachelet (para citar alguns exemplos).

Dos retornos

Há que se voltar sempre a Marx para superar os marxistas e os pós-marxistas e para entender que novo tempo é esse, que, se já começou a destruir o que resta da ruína capitalista, também soterra a aversão do esquerdismo [4]pelo mercado e pelas iniciativas liberais (econômicas e políticas), como se viu na antiga URSS e ainda se vê na China, e, igualmente, soterra a sua glorificação do Estado (este já mais corroído que próprio Capitalismo).

Outras leituras

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Notas

[1] Sugestões para iniciar a leitura de Marx (PCB) – pcb.org.br/portal/docs1/texto4.pdf

[2] Também conhecido como socialismo marxista e marxismo, o socialismo científico é uma doutrina política, social e econômica formulada por Marx e Engels no final da década de 1840. Essa doutrina socialista visava analisar a sociedade (do ponto de vista histórico, político e econômico) para transformá-la. Seu objetivo principal era a substituição do capitalismo pelo comunismo, através de um processo revolucionário proletário.

Os principais ideais do socialismo científico foram apresentados no Manifesto Comunista, publicado em 1848, por Marx e Engels. Na obra O Capital (1867), Marx apresentou de forma concreta os principais fundamentos do marxismo. (in http://www.suapesquisa.com/o_que_e/socialismo_cientifico.htm).

[3] “Marx: teórico do anarquismo” (Maximilien Rubel), capítulo 3, da Parte 1, “Le marxisme légendaire”, originalmente publicado em 1973, “Marx, critique du marxisme”. Tradução para o português de Marly Vianna (professora UFSCAR-Universo), com base na edição italiana, publicada em 1983. Edição Novos Rumos (2012)

[4] “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” (Vladimir Ilitch Lénine).

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