Tucanos avalizam Temer e sinalizam volta à dependência e à submissão ao Capitalismo

Fila
Fila de desempregados; mimos da Era FHC ao trabalhador brasileiro. Foto: independenciasulamericana.com.br

Dá-se como sequencia lógica que ao interinato de Temer siga um governo tucano. Neste momento não se sabe nem se Dilma sofrerá impedimento ou não (é mais provável que sofra) e que se mesmo efetivado Temer termine o seu mandato (pode ser que sim, mas pode ser que não).

Na hipótese de Temer ser efetivado, a questão é saber se ele seria o presidente de fato (de direito deverá ser) e se em seu governo vai se repetir o que ocorreu com o de Itamar Franco, um condomínio administrado pelo PSDB e pelo (na época) PFL.

Pronto para o butim ao possível governo efetivo de Temer o PSDB já está. Embora também enrolados nas investigações da operação Lava Jato, os tucanos estão menos comprometidos que petistas, pemedebistas e outros menos votados.

Têm a seu favor, ainda, a figura de Fernando Henrique Cardoso, uma aceitável administração no Estado mais importante da Federação, São Paulo, e pelo menos três candidatos competitivos ao pleito de 2018: Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra.

Dos enroscos

Cada um dos três têm seus trunfos:

– Aécio Neves, a votação de 2014 e a (suposta) liderança em segundo turno na eleição de 2018;

– Geraldo Alckmin, o Estado de São Paulo e a simpatia de boa parte da classe média brasileira;

– José Serra, um ministério no governo interino, o que lhe dá uma força descomunal, a mesma que FHC teve no governo itamarista.

Se Luiz Inácio Lula da Silva ou Marina Silva não atrapalharem os sonhos tucanos em 2018 é bem provável mesmo que o PSDB volte ao Palácio do Planalto em janeiro de 2019.

Mas em que condições, eis a pergunta essencial a ser feita?

Seguindo a lógica proposta acima, em condições ideais para retomar o processo liberal estancando por Lula da Silva.

Dos retrocessos

Mas para seguir adiante, cabem outras questões:

– o Brasil é o mesmo daquele governado por Fernando Henrique Cardoso?

– o brasileiro (especialmente os remediados e os pobres) seriam avalistas (ou pelo menos indiferentes) a um governo de perfil liberal?

Se não forem toscos, tucanos e seus apoiadores sabem que as duas respostas cabem numa única palavra: NÃO!

O que Michel Temer, até agora em seu irresponsável interinato, está fazendo é:

– destruir as polícias públicas implantadas pelos governos petistas;

– recuperar parte das políticas repressivas aos movimentos sociais, coisa só vista durante a ditadura militar;

– isolar o país tanto da América do Sul, quanto do mundo;

– voltar a ligar umbilicalmente a economia brasileira aos interesses dos Estados Unidos.

Não se duvide que é essa trilha, que é essa lógica que o tucanato deve seguir, caso volte ao Palácio do Planalto.

Resta saber se nós, cidadãos e cidadãs, estaremos dispostos a avalizar esse retrocesso que nos joga de volta aos tempos do expansionismo norte-americano e que, sem dó e nem piedade, nos suprime direitos.

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