Novas especulações buscam explicar o que separa as nações ricas das nações pobres

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Há razões e explicações do por que as nações (países/povos) fracassam ou vencem (sic). Todo esse arrazoado está explícito em Adam Smith, Max Weber e Ian Morris, e passam, necessariamente pela cultura, pela geografia e pela política.

Não se perca, no entanto, que são visões unilaterais, eurocêntricas, que desprezam outras formas de viver e de fazer de outros povos e de outras nações.

Uma nova obra, esta de 2012, “Por que as nações fracassam”, vem se somar à trinca, ao propor uma nova leitura das “razões”, leitura essa que pode ser sintetiza no confronto entre “instituições econômicas inclusivas e extrativistas”.

Talvez nós, brasileiros, nos encontremos no livro de Daron Acemoglu [1]e James Robinson [2], a partir de nosso fosso social que separa o Sul/Sudeste do Norte/Nordeste/Centro-Oeste e da nossa opção pela exploração intensiva dos recursos naturais em detrimento de um desenvolvimentismo inclusivo.

O texto que segue é resenha de “Por que as nações fracassam”. Em Notas (6) é possível acessar o link para a versão e-book em língua portuguesa.

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A busca pela origem do desenvolvimento econômico é um dos inquéritos fundamentais das ciências sociais, particularmente da Economia. Em 1776, Adam Smith [3] se debruçou sobre o tema, em “A riqueza das nações”, e concluiu que a prosperidade dos Estados deriva de sua capacidade produtiva, não do acúmulo de metais preciosos. A noção de que boas políticas (como baixas tarifas aduaneiras) podem acelerar o desenvolvimento permeia o tratado clássico de Smith.

Já no século 20, Max Weber [4], em “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, enfatizou os aspectos culturais que favorecem a abundância material.

Recentemente, “Why the west rules”, de Ian Morris [5], argumentou que a geografia é o principal determinante das diferenças econômicas entre as nações.

As três explicações (cultural, geográfica e política) possuem diversos defensores e permanecem relevantes atualmente.

“Por que as nações fracassam”, obra de Daron Acemoglu e James Robinson, no entanto, refuta as explicações anteriores e argumenta que o desenvolvimento econômico é derivado da qualidade das instituições políticas e econômicas das nações.

O argumento central de “Por que as nações fracassam” reside na diferença entre instituições econômicas inclusivas e extrativistas. Segundo os autores, instituições econômicas inclusivas são aquelas que permitem que a riqueza seja disseminada pela sociedade, enquanto instituições econômicas extrativistas são aquelas que concentram a renda em uma elite privilegiada.

Embora breves surtos de crescimento econômico sejam possíveis na vigência de instituições extrativistas, o desenvolvimento só será sustentável na presença de instituições econômicas inclusivas.

Acemoglu e Robinson ilustram as diferenças entre os dois tipos de instituição ao comparar o Norte e o Sul dos Estados Unidos durante a Guerra de Secessão: o Sul era relativamente mais pobre porque era organizado economicamente em latifúndios e empregava mão-de-obra escrava (instituições altamente extrativistas), a economia do Norte, por outro lado, era caracterizada pela indústria e pelo trabalho assalariado, instituições mais inclusivas.

O desenvolvimento de instituições econômicas inclusivas, no entanto, depende do surgimento de instituições políticas igualmente inclusivas. Os autores definem instituições políticas inclusivas como aquelas que promovem a pluralidade e a centralização política.

Em síntese, as instituições políticas serão inclusivas se atenderem a um conjunto amplo de diferentes interesses e representarem uma grande diversidade de atores políticos. Em contrates, instituições políticas extrativistas são erigidas para proteger os interesses de um elite privilegiada e para restringir a participação política a um grupo seleto de atores.

A Inglaterra do Século 19 é um exemplo de organização institucional política relativamente inclusiva, uma vez que o Estado conferia direitos a uma ampla gama de indivíduos e várias coalizões estavam envolvidas no jogo político.

A China de Mao Tsé-Tung, por outro lado, era caracterizada por instituições políticas intensamente extrativistas, uma vez que o poder era concentrado em um pequeno grupo (ou mesmo em apenas um indivíduo) e a ação do Estado não era limitada por direitos individuais de qualquer espécie.

Na construção teórica de Acemoglu e Robinson, a política determina a economia. Os autores rejeitam a “teoria da modernização”, que advoga que o crescimento econômico eventualmente resulta em instituições políticas democráticas. Apontam que na primeira metade do século 20 países ricos e com sistemas educacionais eficientes (como Japão, Alemanha e Argentina) sucumbiram a ditaduras repressivas, fato que demonstra que as instituições econômicas não determinam as instituições políticas.

Organizações inclusivas, por outro lado, promovem instituições econômicas inclusivas, porque estimulam a inovação, asseguram os direitos de propriedade e protegem os trabalhadores da exploração e da miséria.

Instituições políticas extrativistas, por sua vez, temem a inovação econômica e a “destruição criativa” provocada pelas instituições econômicas inclusivas, uma vez que a riqueza disseminada pela sociedade pode solapar as bases do poder político concentrado na mão de poucos.

Os autores argumentam que o crescimento econômico no contexto de instituições políticas extrativistas é baseado na alocação forçada de recursos em atividades rentáveis, não na inovação e na “destruição criativa” (o colapso de alguns setores defasados para que outros mais eficientes possam surgir).

Nesse sentido, o crescimento sustentável e o desenvolvimento econômico são possíveis apenas na presença de instituições políticas inclusivas.

“Por que as nações fracassam” [6] argumenta que as bases para o desenvolvimento econômico são a tecnologia, a educação e a estabilidade política. ’

Notas

[1] Daron Acemoglu, professor de Economia do MIT.

[2] James Robinson, professor de Administração Pública da Harvard University.

[3] Adam Smith foi um filósofo e economista britânico nascido na Escócia (1723-1790).

[4] Karl Emil Maximilian Weber, intelectual, jurista e economista alemão considerado um dos fundadores da Sociologia.

[5] Ian Morris professor de História da Universidade de Stanford.

[6] Para a versão e-book da obra (em português) acesse aqui .

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