Por que (não) é legal dar palpite na vida alheia

TAO
Tao – psicologia-ro.blogspot.com

Não deveríamos dar palpites (pitacos) na vida dos outros, nem mesmo na de nossos filhos. Cada um tem o dever e o direito de seguir seu próprio rumo sem que ninguém, nem pai, nem mãe, venham encher a paciência com suas “sabedorias” e interesses (intenções).

Mas quase sempre fazemos isso, ora porque somos autoritários, ora porque dizemos que gostamos (“amamos”) a pessoa, mas, no geral, por egoísmo: não queremos que as decisões que as outras pessoas tomam venham a nos atingir mais cedo ou mais tarde.

Somos naturalmente hipócritas. O amor é uma forma bastante ridícula de egoísmo.

Viver sem se meter na vida alheia é um ganho da civilização atual. Nem sempre conseguimos fazer isso, mesmo que tentemos.

Conheci uma família inteira cujos pais quiseram (obrigaram) que todos os filhos estudassem medicina. São, hoje, todos médicos medíocres que só pensam em ganhar dinheiro.

A única filha que escapou da camisa de força dos pais é hoje a única solidária com a mãe que ainda está viva e um bocado doente.

Nos meados dos anos 90 fui com o pessoal todo lá de casa conhecer um município paulista da serra do mar com uma porção de cachoeira, trilhas, reservas ambientais.

Nos indicaram um sujeito meio mambembe, um daqueles caras que fazem uma porção de coisas para sobreviver, uma delas, ser guia de trilhas.

Ele era chamado de “turco” um pouco sem razão, pois seus antepassados eram todos portugueses. Ele tinha um casal de irmãos que moravam em São Paulo; a moça era médica e o irmão, advogado.

Viviam estressados (segundo depoimento do próprio “Turco”) e de vez em quando visitavam a cidade e tentavam convencê-lo de mudar-se para São Paulo e arrumar um “trabalho decente”.

“Turco” sempre refutou a pitacaria dos irmãos, não havia concluído nem mesmo o segundo grau (da época) e estava feliz com a forma que escolhera para viver.

Das mortes

Se não formos muito inábeis conseguiremos sobreviver em qualquer situação e alongar a nossa existência por um bocado de tempo. A morte vai chegar um dia; ela é inescapável.

O que não tem muito sentido é prender a nossa vida em modelinhos; a formas e a formalismos que vão nos tornar pessoas amargas e inconvenientes; quase sempre doentes, tomadoras de remédios, quando não tendentes ao suicídio.

Tenho uma historinha pessoal (já narrada a título de ilustração em outras postagens).

Um de meus amigos estava bastante amargurado (deprimido) e dizia que mais cedo ou mais tarde cometeria suicídio.

Eu lhe disse que quando decidisse por se matar (essa não é uma atitude que se tome de supetão, de uma hora para a outra) que me chamasse.

Ele se irritou e disse que quando fosse se matar “se mataria e pronto”, e que não queria ninguém por perto para convencê-lo do contrário.

Eu disse que não faria isso, mas que gostaria de ser testemunha de seu suicídio.

Ele ficou puto, me xingou e nunca se matou.

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