Quando a Democracia pode ser uma boa maneira de se fazer muita besteira

Revolta
“Tô puto, bicho” – foto: juliofreitas.com

É correto dizer que no Brasil nunca um candidato das extremas (esquerda e direita) foi eleito para cargos majoritários, tipo presidência da república ou para as governadorias estaduais.

O brasileiro prefere transitar entre as medianias[1] centristas – ora à esquerda, ora à direita, mas sempre passando pelo centro.

E isso não é exatamente uma qualidade, pois aponta para um comportamento errático[2] nas eleições, sem que a população fixe uma posição política clara e irrefutável; pelo contrário, nega a ideologia, seja de que matriz venha a ser.

É possível verificar a erraticidade do eleitor em todas as regiões brasileiras, mas quem melhor expressa esse comportamento é o eleitor paulista, mais claramente o paulistano.

É só fazer uma listinha[3] dos prefeitos paulistanos[4] para entender essa (i)lógica.

O voto errático indica pragmatismo, mas um pragmatismo interesseiro e imediatista.

O eleitor que vota assim não está interessado em programas de governo ou em políticas públicas, mas apenas em suas formas de sobrevivências, em como pagar as suas contas até o final do mês.

Vistas desta forma, a Nação e a sociedade não importam, são subalternas aos interesses individuais, familiares e, quando muito, grupais; o que gera, por consequência, um comportamento alienante, tornando o indivíduo refém das demagogias e dos discursos que vendem ilusões e promessas eleitoreiras.

Das alternâncias

Há quem defenda a alternância no poder como uma forma civilizada e contemporânea de se praticar a Democracia.

Trata-se este também de um discurso ilusório. Basta ver o comportamento da oposição assim que assume o poder.

Para que não se precise ir muito longe, basta que observemos o comportamento dos prefeitos recém-eleitos mais interessados em negar e em destruir o que seu antecessor (hoje na oposição) fez.

A descontinuidade das políticas públicas leva, como consequência, à desilusão, à revolta, à negação e ato contínuo empurra o mesmo eleitor, que acabou de eleger o novo administrador, para a oposição, sem que esse mesmo eleitor dê conta (ou queira dar conta) de que foi ele, eleitor, quem elegeu o novo em oposição ao velho, do qual ele reclamava e o qual hostiliza, assim como irá reclamar e hostilizar do/o novo.

E, muito provável, para eleger o velho como novo.

Notas

[1] Mediania – caráter, qualidade, condição de mediano; a média; normalidade, insuficiência de qualidade, de valor; mediocridade, banalidade.

[2] Errático – que erra ou vagueia; errante.

[3] Jânio Quadros c.d.; Luiza Erundina c.e.; Paulo Salim Maluf c.d.; Celso Pitta c.d.; Marta Suplicy c.e.; José Serra c.e.; Gilberto Kassab c.; Fernando Haddad c.e.

Abreviações: c.d. (centro direita); c.e. (centro esquerda); c. (centro)

[4] De 1985 para cá, a partir da volta da eleição direta para prefeitos das capitais.

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