Gosto dos valentões, pois são mentirosos e covardes

Medo
As dores do medo – http://www.clinicaodontomania.com.br

As redes sociais abriram uma nova frente para a expressão de valentia: “me aguarde”; “vão ver”; “tão pensando o que?”; “comigo não” e tem até quem, à moda do ditador Figueiredo, prometa “prender e arrebentar”.

A valentia nas redes sociais é indistinta, não tem gênero.

Cascata pura! Vale pra essa gente o velho adágio: “cão que ladra, não morde”.

Dos medos

Me considero um cara medroso. Sei do que estou falando pois testemunho há quase 67 os meus medos de situações agudas e perigosas.

Nada disso, porém, me impediu de me meter numa série de problemas:

– seis, sete ou oito ameaças de morte – não sei ao certo. Nunca dei importância a isso, pois, na minha lógica, quem ameaça não fere e não mata. Quem quer fazer faz e pronto. E (acho) continuo vivo;

– fui detido uma vez pela polícia por “perturbação da ordem pública” (sei lá o que isso quer dizer) durante a ditadura militar;

– a polícia federal me encheu um saco incontáveis vezes e numa delas me expulsou (duas vezes) de uma entrevista com um governador do Mato Grosso do Sul e um ministro da Agricultura, da ditadura militar (sinceramente não me lembro dos nomes desses sujeitos);

– participei de algumas invasões de terra e ajudei a segurar a barra em alguns despejos.

Nunca ninguém me pediu para fazer essas coisas. Fiz por que quis. Ninguém me obrigou. Dito isso, não tinha sentido “fugir da raia”, como se diz.

Mas nada disso é/foi valentia.

Dos valentes

Conheci alguns cabras valentes de verdade. Todos assassinos. Um pernambucano, que contava nas costas com 32 assassinatos; alguns russos que andaram pela Bósnia e um bando de gente envolvida com grilagem de terra e assassinatos no Mato Grosso do Sul.

Posso dizer que me dei bem com eles todos. Ninguém me hostilizou e eu nada cobrei deles. Apenas ouvi relatos e fiz algumas perguntas – todas respondidas.

Muita gente os trata como psicopatas. Não concordo com isso não. A rigor somos todos psicopatas. Aquele seu chefe chato é mais psicopata que esses assassinos que encontrei pela vida.

Ou somos todos psicopatas ou ninguém é!

Simples assim!

Dos valentões

Num natal de fins dos anos 80 parei na rua para assistir ao desfecho de uma externação de valentia. Um sujeito, que estava sendo seguro por outros dois, berrava que iria “arrebentar na porrada” um outro sujeito, que, se me lembro bem, era um bocado mais forte que ele.

O espetáculo durou uns 20 minutos até que os seguradores do valentão resolveram soltá-lo.  Ato contínuo o valente berrador saiu “em desabalada carreira” rumo à sua casa.

Na minha cidade havia um sujeito valentão, um daqueles caras de quem todo mundo tem medo.

Teve… até que o valente cotiano se meteu com um preto mirradinho, pequeno e magrinho, migrante das Minas Gerais que lhe deu uma surra na frente de todo mundo, com direito a suspendê-lo acima da cabeça e jogá-lo no chão como se fora um boneco de pano.

Anos mais tarde, o valente cotiano foi assassinado a facadas dentro da própria casa.

O autor do crime (que não pegou uma hora sequer de cadeia) era seu cunhado, um gorduchinho, meio molenga, por quem ninguém dava nada.

O valente cotiano costumava surrar a esposa que pouco reclamava, mas ostentava as marcas da valentia do marido no corpo e principalmente no rosto.

O irmão da moça resolveu conferir de perto a história e em menos de 15 minutos o valente cotiano morria na ponta de uma faca.

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