Ler é fundamental, mas só a leitura basta?

Livros
Livros, vida, livros, vida – ilustração: ultradownloads.com.br

Tenho mais de mil assinaturas de newsletters, blogs e sites de notícias brasileiros e internacionais. Se fosse lê-los todos (e todas as suas notícias) precisaria pedir um acréscimo nas horas ao dia, que, infelizmente, são apenas 24.

Óbvio que dou uma passada de olhos nos títulos de cada texto, e aí entra a tal da seletividade. Leio o que acho que interessa e no resto passo batido.

Tenho outras coisas que fazer na vida, como, por exemplo, comer, dormir e beber água.

Como não tenho sequer um aparelho de TV, dessa praga estou livre.

Tinha mais assinaturas (embora sempre acrescente mais algumas semanalmente).

Muitos deixei de seguir/assinar (são ruins e inconsistentes), alguns “fecharam” e outros tantos me bloquearam (é sempre possível fazer isso) por conta de algumas observações não lá muito educadas que fiz em suas áreas de comentários.

Na verdade, estou me lixando pra tudo isso.

Acrescento, ainda, que tenho o meu trabalhinho de editor de livros; e uma pancada de livros que leio todos ao mesmo tempo e ainda, à noite, arrisco uns olhos em algumas séries e em alguns filmes que estão disponíveis no Netflix.

Ah… além de filhas, uma neta, dois pais idosos, um irmão “especial”, ainda tenho uma namorada.

Portanto vamos levando a vida como dá pra levar.

Dos conhecedores

Fui professor temporão de uma escola em Itabuna, na Bahia. A escola chamava-se Santa Rita e a sua “dona”, Rita.

Como se vê, uma mulher muito modesta.

Modéstias à parte, Rita, a dona, era uma mulher extraordinária; filha de fazendeiro de cacau, nunca se casou, preferindo viajar pelo mundo.

Tinha dinheiro e sabedoria pra isso.

Conhecia os dois polos da Terra, todos os continentes, se misturou aos estudantes franceses em maio de 68, esteve viajando (em todos os sentidos que você queira dar à palavra) com os hippies norte-americanos.

Como não tinha marido (o que sempre é um estorvo e uma inconveniência em viagens) e nem cachorros e gatos viajava sozinha com uma porção de livros.

Foi de sua biblioteca que tomei emprestado Ulisses, de Joyce, que não terminei de ler até hoje (o exemplar atual é meu mesmo).

Anos antes de conhecê-la, quando ainda era estudante de jornalismo em São Paulo, trabalhei com duas senhoras judias que passaram por Auschwitz (elas mantinham como marca de vida aquelas tenebrosas tatuagens em seus braços).

Não sei por que cargas d’água elas foram com a minha cara e volta e meia me chamavam no escritório para “bater papo”, falar de suas vidas, do nazismo e conversar sobre literatura.

Dos horrores

Óbvio que não conheci os horrores do nazismo. Não tenho idade pra isso. Sou apenas “cristão novo” por conta de um ramo da família paterna.

Mas me causa horror quando vou a alguma casa (de amigos ou parentes) – coisa rara, diga-se – e não vejo nenhum livro, mas sempre um aparelho de TV na sala.

Talvez seja possível viver assim, não sei ao certo, mas acho que essas pessoas estão vivas, como eu acho que esteja.

Portanto nunca duvide de nada. Até o impossível é possível.

Na escola baiana da “tia” Rita havia um professor (não me perguntem o seu nome que não me lembro) que nunca viajava (fisicamente) pra lugar algum, nem mesmo pra Salvador.

Achava desnecessário. “Eu tenho os meus livros. Conheço o mundo e as pessoas através deles”.

Como disse acima, “nunca duvide de nada; até o impossível é possível”.

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