“Tribunal Internacional” para “barrar o golpe” nos leva de volta à Idade Média

Inquisição
Aos hereges, a fogueira – ilustração covendigital.webnode.com.br

A partir do momento em que o penúltimo dos generais ditadores, Ernesto Geisel, resolveu por indicar o último dos generais ditadores, João Baptista de Oliveira Figueiredo, para a presidência da República e iniciar uma “abertura lenta, gradual e segura” pipocaram por todo país “os tribunais populares” para denunciar e julgar os crimes cometidos pelo Estado (mas não só por ele) nos longos anos de arbítrio.

Vi um bocado deles. Era um troço bonito, um bocado cênico; davam-nos a impressão de estarmos participando de alguma coisa fundamental e importante.

A gente costuma sonhar um bocado!

De prático não resultaram em coisa alguma.

É como tomar analgésico para estancar as dores do amor. Não funciona!

Das (i)legalidades

Há sempre quem me vá “acusar” de legalismo, justamente eu que não gosto das “leis dos homens”, da justiça e muito menos do Estado.

Tudo isso não passa de uma encenação tosca e infantil, mas que, dependendo da ocasião ou da oportunidade, pode ser instrumento de arbítrio e violação dos direitos humanos.

A prática dos “tribunais de exceção” foi bastante comum tanto no nazismo, quanto no fascismo; o foi, também, durante a escravidão brasileira, por exemplo; assim como é até hoje nas áreas dominadas pelo narcotráfico ou pelas máfias (há diversas delas espalhadas pelo mundo todo).

Naquela época, se fôssemos mais atentos, perceberíamos que estávamos repetindo a misancene da Idade Média, especialmente daquele longo período inquisitorial, onde, prioritariamente, se caçavam, prendiam, torturavam, julgavam e matavam judeus.

Se o povo não participava diretamente do processo  inquisitorial católico (nesse particular era apenas plateia das fogueiras e dos esquartejamentos), ele, povo, no entanto, juntava-se em hordas para atacar bairros judeus e de cristãos novos e para caçar e eliminar as “bruxas”.

Das menas

Como costuma dizer uma amiga (em tom jocoso e irônico, que atropela o “bom português”), menas! Não cheguemos a tanto.

Não se está a dizer aqui que os “tribunais populares” dos fins da ditadura militar brasileira e nem que o recém “tribunal internacional”, que julgou e prometeu punição para os crimes do “golpe” e do “impeachment”, estão a propor que saiamos nós todos os ofendidos a praticar crimes, a queimar, a esquartejar e a matar pessoas.

Está-se dizendo, apenas, que se trata de uma performance, tal qual nos teatros de ruas e das instalações das artes plásticas, mas que não irão mudar absolutamente nada na ordem das coisas, não estancarão os votos no Senado e nem alterarão a percepção das senhoras e dos senhores do SFT.

Mas talvez tenham uma utilidade: fazer crescer os nossos currículos.

Ou, talvez, nem isso!

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