Por que mesmo somos obrigados a votar em prefeitos e vereadores

Boiada
Eita vida marvada – foto: globoplay.globo.com

Para iniciar a conversa vale lembrar que já fui favorável à obrigatoriedade do voto, mas mudei de ideia na última década.

Eleição é sim uma das externações da Democracia, mas tal qual está (ainda) posta é a perpetuação da democracia representativa, quando boa parte do mundo já se adequou (ou já deveria ter se adequado) ao fuso horário do século 21, da pós-modernidade, onde os interesses de indivíduos e de grupos sociais devem (ou deveriam) falar mais alto que os de partidos políticos e das alianças (espúrias, como no caso do Brasil) partidárias, políticas, ideológicas, financeiras e empresariais.

Ou seja, já deveríamos ter mudado de casinha – da casinha representativa para a casinha participativa.

Costumamos dizer (e eu já usei esse argumento diversas vezes) que não moramos no país e nem no Estado (as unidades federativas), mas sim nos municípios.

Ok, como figura de imagem isso até funciona, mas a pergunta que deve ser feita é: “pra que serve mesmo um município?

A rigor para coisa alguma!

A segurança pública é de responsabilidade do Estado (unidade federativa), assim como a educação (dividida, neste caso, com a Federação); o fornecimento de energia, de água potável; a criação e a manutenção da malha viária; a saúde… e podemos arrolar mais uma porção de outras coisas.

Vá lá que alguém lembre que uma boa administração municipal pode melhorar as condições físicas das calçadas, das praças e das ruas (os tais dos logradouros públicos).

Certo! Mas precisamos de uma prefeitura para um troço desses?

Não seríamos capazes, sozinhos, de coletar e dar destino adequado ao nosso lixo?

De manter nossas casas e quintais limpos e higiênicos?

Nossas ruas desobstruídas e sem defeitos?

Se não fôssemos tão alienados e preguiçosos é provável que fizéssemos tudo isso com muita qualidade e ainda de forma coletiva e organizada.

Das realidades

Mas deixemos de lado os devaneios sonháticos e voltemos ao nosso mundinho real.

Eu resolvi abrir um restaurante de comida da Manchúria bem no centro de Cotia, na Praça da Matriz (que nome criativo!).

Certo, vou ter de conseguir um alvará de funcionamento e pagar “as devidas taxas municipais”.

Faço isso, mas o prefeito cotiano não vai com a minha cara e quer embaçar o meu projeto culinário.

Pior pra ele! Se eu tenho dinheiro pra montar um restaurante de comida da Manchúria na Praça da Matriz, dinheiro eu também tenho pra contratar um advogado qualquer, destruir e derrubar os seus óbices e ainda difamá-lo na imprensa local e, quiçá, na estadual.

E como eu sou um cara rancoroso não vou deixar que ele e seus compinchas políticos venham almoçar ou jantar por lá, pois se trata de um “empreendimento privado” e nele frequentam quem eu quiser e desejar.

Dos orçamentos

Você sabe como é formado o orçamento municipal? Por impostos e por taxas municipais?

Hum… pois saiba que apenas 19 municípios brasileiros conseguem sobreviver às suas próprias custas.

O restante, bem mais que 5 mil, vive da grana repassada pelo Estado (unidade federativa) e pela União (o Estado nacional).

E saiba mais: o município de São Paulo (“o mais rico” e blábláblá) não consegue retirar de um único de seus rios super poluídos e fedidos uma única lata de cerveja sem dinheiro da União.

Agora responda pra você mesmo: se não existem prefeitos e vereadores você seria mais gordo ou mais magro? Mais feliz ou mais infeliz? Mais bonito ou mais feio?

OK! Mesmo assim você está obrigado a votar em outubro próximo, e, quem sabe, em segundo turno (para prefeito), em novembro.

Felicidades e boa fila!

Espero, sinceramente, que não chova e nem faça um frio medonho.

Mas que você estará perdendo tempo e não fazendo nada que útil ao ponto de mudar o seu futuro e de seu grupo social disso você pode ter certeza.

E então? Vai ficar apenas nessa pasmaceira toda, obedecendo a ordens e leis e esperando que o mundo termine em barranco pra você morrer encostado?

É provável!

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