Reação violenta demonstra como não sabemos lidar com injustiças e preconceitos

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Suzana Vieira – preconceito a gente vê por aqui – foto: http://www.otvfoco.com.br

Há uma tendência natural e justa de reagirmos quando alguma pessoa se comporta de maneira inapropriada e injusta.

Caso, por exemplo, da atriz Suzana Vieira, e sua estupidez e ignorância com relação a quem nasceu e/ou mora nas regiões Norte e Nordeste.

Vieira é recorrente nesse tipo de agressão gratuita, não apenas contra as regiões citadas (lembrando que ela tem uma irmã que “mora no Norte“), mas, igualmente, contra São Paulo, onde, aliás, nasceu.

A manutenção por semanas, às vezes por meses, da reação à fala inapropriada e injusta como a da atriz, no entanto, nos empurra para um outro caminho que normalmente não gostamos de reconhecer que exista.

A rigor, qualquer fato se esgota logo após acontecido; alguns, como é o caso, causam reações, mas por breves momentos, se esgotando, também, em seguida.

Apenas os mais graves/gravíssimos, como por exemplo, a escravidão e a segunda guerra mundial (desencadeada por países de regimes autoritários e excludentes) têm a capacidade de se estender por anos, décadas, séculos, quiçá por muito mais tempos.

Passados os dias, no entanto, a reação à fala da atriz se mantem, especialmente nas redes sociais, agora recheada de invencionices, como a suposta avaliação da Rede Globo em afastá-la de sua programação, e referências igualmente estúpidas à sua idade, à sua pele e à sua (in)capacidade de interpretar.

Dá para se ver, portanto, que para rebater o seu preconceito, usa-se do mesmo expediente: o preconceito.

Essa última performance desastrosa da atriz, porém, desnuda uma outra faceta do comportamento das pessoas.

Há alguns anos, convidada para fazer parte do elenco da Crucificação de Cristo no interior pernambucano (Região Nordeste), a atriz soltou algumas de suas “preciosidade”, dizendo que   estava no meio do mato, num lugar horrível, cheio de gente feia, onde não se tinha nada para se fazer.

Houve reação, mas não tão contundente e nem tão duradoura como se vê atualmente.

A fala de Vieira contra São Paulo (ainda este ano), dizendo que a capital paulista (onde nasceu, lembre-se) era um lugar chato e careta, também mereceu parcos e rápidos comentários desaprovadores.

Por que a mudança de intensidade nas reações?

O “ataque” da atriz contra nortistas e nordestinos se deu durante uma visita, no início da semana, ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba.

Ora, é inescapável associar a reação ao papel que Moro exerce neste momento nas investigações da Operação Lava Jato, que atinge profundamente e principalmente membros do Partido dos Trabalhadores.

Não por acaso, com as exceções de praxe, as críticas à fala da atriz partem de gente ligada ao partido político.

Ou seja, se transformou a fala intempestiva da atriz em mais uma variante daquilo que é conhecido no mundo político brasileiro atual como FlaXFlu, ou seja, trata-se de mais um pequeno fragmento da milenar luta do Bem contra o Mal.

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