Brasil pode reagir no segundo semestre ou isso não passa de uma grande utopia

Temerario
Vaiado na abertura dos jogos olímpicos do Rio, interino “promete” não dar as caras por lá no fechamento – Foto: veja.abril.com.br

Os jogos olímpicos do Rio de Janeiro estão indo “dentro dos conformes” – como se dizia há alguns anos. Fora as escaramuças de sempre (nada com o que não estejamos acostumados), os jogos seguem tranquilos, mas com duas notas graves a nosso desfavor: até o momento, pelo menos, a performance dos atletas brasileiros está abaixo da crítica e o comportamento da torcida, como, infelizmente, era de se esperar, é péssimo.

O clima de pessimismo, mais ou menos parecido com aquele que antecedeu ao mundial de futebol, há dois anos, porém, foi, aos poucos, sendo dissipado.

Se nada de muito extraordinário ocorrer daqui para frente, os jogos olímpicos do Rio de Janeiro poderão não ser “os melhores da história”, mas também, certamente, não serão os piores.

O mundo viu coisas piores nos jogos olímpicos de Berlim, em 1936, e em Munique, em 1972.

Dos turistas

Não se tem até agora números consolidados (e nem poderíamos ter, pois os jogos do Rio ainda estão em sua metade) sobre a entrada, no País, de torcedores-turistas, e nem dados sobre o impacto financeiro que os jogos certamente causarão na economia nacional.

Pelo que se vê até agora, no entanto, e isso não deve se alterar muito até o final das olimpíadas, a vinda de torcedores-turistas é menor que a de outros jogos, especialmente se compararmos os do Rio com os de Barcelona e os acontecidos nos EUA.

Há algumas explicações mais ou menos lógicas para o “fenômeno”: a) o Brasil está “meio que” distante dos principais centros econômicos mundiais; b) o país é considerado um dos mais violentos do mundo; c) o mundo todo enfrenta uma recessão brutal, e, ainda, d) enfrentamos algumas epidemias até o momento não corretamente tratadas.

Das expectativas

Estima-se que os jogos injetem na economia fluminense coisa de 1,5 bilhão de dólares ou um pouquinho mais. Não deixa de ser um número (se confirmado) bastante bom e que, ao seu modo, deve impactar no PIB nacional que anda caindo, nos últimos anos, pelas tabelas.

O PIB negativo brasileiro deve fechar o ano perto de -4%, mas já há quem revise a previsão (o Banco Central, por exemplo) para -3,3%.

Não há nada o que se comemorar nisso, mas o governo interino anda comemorando, e tentando puxar a boa notícia para as suas brasas.

Embora os economistas não avalizem isso, o segundo semestre costuma ser um pouco melhor que o primeiro, muito por conta do maior número de dias úteis (em comparação ao primeiro) e a injeção na economia do 13º salário, que, especula-se, o interinato tem a intenção de acabar (sabe-se lá quando) após a sua possível efetivação.

Apesar da “discurseira geral” do interinato, a economia não anda dando mostras de reação; a inflação continua subindo, assim como o índice de desemprego.

Paira sobre a cabeça do interino Michel Temer a guilhotina da Operação Lava Jato [1], que pode não defenestrá-lo ainda este ano, mas, mesmo assim, ameaça conturbar a economia brasileira mais do que já anda conturbada.

Semana que passou, o interino reuniu-se com “a classe empresarial“ brasileira para mostrar ser um bom moço, bem intencionado.

Ocorre que ninguém parece muito convencido das boas intenções temeristas, que ainda tem a desconfiança de mais de 80% da população nacional e a oposição férrea das organizações sociais, muito especialmente das centrais e dos sindicatos de trabalhadores.

Melhor situação Michel Temer não vai encontrar no exterior, com boa parte dos líderes políticos olhando de “esguelha” para a sua presidência interina e a imprensa internacional (em grande parte) acusando-o de liderar um golpe contra a presidente Dilma Rousseff.

Ser otimista com esse cenário todo é um pouco utópico e exagerado.

Nota

[1] TSE é fonte de incertezas para Temer e seus aliados

 

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