A carta tardia de Dilma e os inúmeros erros de comunicação dos governos do PT

Fala fala
Dilma escreveu e falou – e não convenceu ninguém – fato: noticias.uol.com.br

Uma certeza que parece todo mundo ter é que a carta de Dilma Rousseff aos senadores, antes lida para jornalistas, chega de forma tardia, portanto, sem capacidade de salvá-la no julgamento final que tem início no próximo dia 25 no Senado.

Não sei se “chegasse antes” iria resolver alguma coisa.

Trata-se, pelo visto, do último ato petista no governo federal, mesmo com Dilma exilada e isolada no Alvorada.

Foi, igualmente, o último dos grandes equívocos de comunicação dos governos (Lula e Dilma) na presidência da República.

Das comunicações

Dilma Rousseff não é muita dada aos diálogos; prefere conversar com aqueles em quem confia e veda qualquer intimidade com políticos, empresários, ativistas sociais e com a imprensa.

É um erro brutal para uma figura pública.

Não lhe bastava conversar com os seus 54 e poucos milhões de votantes (coisa que também não fez). Como presidente, ela teria a obrigação de dialogar com os outros milhões que votaram na oposição, assim como com aqueles que sequer votaram, por qualquer razão que seja.

Ninguém governa um país para facções ou para grupos sociais. O governo é, necessariamente, para todos. Para um país inteiro.

Não ouvi-lo, como Dilma não ouviu as ruas de junho de 2013, por exemplo, é um erro capital.

Das impossibilidades

Dilma talvez até se predispusesse ao diálogo, a escancarar as janelas do Palácio, mas talvez não pudesse – vamos lhe dar o crédito da dúvida.

Para falar com a população, seja em uma cadeia de rádio e TV, seja via imprensa, necessariamente a presidente deveria descobrir algumas mazelas deixadas pelo seu antecessor e admitir, sem titubear e sem desconversar, que cometeu ou foi levada a cometer erros na administração federal, durante seu primeiro mandato, e, porque não, ao presidir o conselho da Petrobras – a razão primária de toda essa confusão que a cerca e que a levou a perder a presidência da República.

Mas, igualmente, não quisesse mesmo, ou se recusasse, entendendo que quem deveria vir a público para “prestar contas à nação” deveria ser Luiz Inácio Lula da Silva – o pai de todas as coisas.

Das moralidades

A estratégia do PT no governo federal, desde o início do governo Lula, de se colocar como vítima de um complô que a cada dia parece ter mais elementos e pessoas, era o que seus adversários e inimigos (imaginários e reais) esperavam para desalojar o partido do Palácio do Planalto.

Se não funcionou inicialmente com Lula da Silva, a partir da eclosão do Escândalo do Mensalão (dados o carisma e a popularidade do ex-presidente), funcionou com Dilma, o elo mais fraco da cadeia.

Sem explicações convincentes por parte do governo, adversários e inimigos partiram para o vale tudo, usando uma velha tática da política: o moralismo.

Ora, se eu sou acusado de desfilar pelado à noite pelas ruas e avenidas de Brasília (garanto que ninguém quereria ver uma cena dantesca como esta), ou eu me defendo, provando que sequer saí de casa naquela noite, ou assumo a estupidez, submetendo-me à reprovação geral e às penas da lei.

Das antiguidades

Nem PT, nem Lula, nem Dilma trilharam esses caminhos. Preferiram (principalmente Lula e o partido) acirrar o velho confronto das elites burguesas contra os pobres e desvalidos.

Pobre também é moralista, também não aceita desmandos, imperícias e desonestidades, e, principalmente, não aceita subterfúgios, tergiversações, mentiras e covardias.

Deu no que deu.

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