Legado dos jogos olímpicos pode ser um país mais consciente e civilizado

Intolerancia
Reação típica de brasileiro – intolerância e não aceitação / Reprodução Twitter

O brasileiro típico não aceita reparos e advertências. Ele está sempre certo (tem certezas).

O errado, o infrator, o desumano, o desonesto, o cruel é sempre o outro: o vizinho, o adversário político, o torcedor do outro time, o estrangeiro.

Tudo, por aqui, é “divino maravilhoso”, cantou Caetano Veloso.

Estrangeiros – atletas e torcedores – puderam provar (ainda estão provando) esse lado divinal e maravilha do brasileiro, nos jogos olímpicos que ora se desenvolvem no Rio de Janeiro.

Talvez, antes de virem para cá, devessem ter ouvido Belchior em Apenas Um Rapaz Latino-americano. Seria mais sensato.

Se ouvissem, talvez não viessem, ou viessem mais bem preparados para o que por aqui iriam encontrar, ler, ver e ouvir.

Com um pouco mais de acuidade visual e auditiva provavelmente descobrissem em poucas horas ou em poucos dias que o Brasil é um país que sobrevive com um pêndulo de dois eixos: a classe média e a pobreza.

Medianos e pobretões ora são progressistas e modernos, ora são conservadores e reacionários.

Tudo depende do momento social e político em que se vive por aqui e dos humores estimulados ora pela euforia, ora pela desesperança.

Eleitores brasileiros, por exemplo, podem ser, ao mesmo tempo, a Leste, “burros e ignorantes”; a Oeste, “progressistas e revolucionários”.

Ou, o contrário, a Leste “conscientes e moralizadores”; a Oeste, “estúpidos e de direita”.

(atente para a ilustração cima e as contradições nela contidas).

Tudo depende, como se disse acima, dos momentos social e político e da euforia e da desesperança.

Dos relativismos

É bastante provável que os jogos olímpicos do Rio estejam nos empurrando para uma revolução.

Melhor dizendo, para uma grande revolução.

Uma grande revolução de consciência, pois estamos mostrando a nós mesmos, mais do que ao mundo, que não somos o que gostaríamos que fôssemos e dizemos ser.

Somos apenas um povo bárbaro, que não aceita a diferença e o desigual, que trata adversários esportivos como inimigos viscerais a serem derrotados e, quem sabe, exterminados e destruídos.

Mas há uma contra face nessa história: muitos, não poucos, estão tendo a coragem de exteriorizar nossa pequenez desumana, cobrando de nós mesmos pouca condescendência (temos de ter alguma, afinal somos majoritariamente cristãos) para com as nossas mazelas e intolerâncias.

Se culpados há, sempre há, seríamos nós mesmos.

Quem sabe, então, o resultado dos jogos olímpicos do Rio venha a ser um país mais consciente, menos autoritário e menos excludente, que, finalmente, quem sabe, nos conectará a um tempo menos hostil, menos bárbaro e não violento e mais próximo ao que se entende por civilização.

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