Dilma ainda acredita e Temer e PSDB nos levam “ao futuro” de 1930

Os perigosos
Coisas de um Brasil surreal, arcaico e perigoso – fotomontagem: http://www.brasil247.com

Como qualquer ser humano sabe (digamos assim, 99,9% da humanidade), a presidente Dilma deve ser apeada do poder no 31 de agosto próximo. Sua carta aos senadores está chegando tardia, dentro do script dilmista de perder sempre o time das coisas (veja, por exemplo, em A carta tardia de Dilma e os inúmeros erros de comunicação dos governos do PT).

Dilma vai ao Senado, no dia 29, “se defender”. Será uma defesa com duas faces: a) se defender propriamente dito, na esperança de ainda voltar ao Planalto e 2) carimbar no processo de impeachment a pecha de golpe, e, por consequência, alvejar o interino Michel Temer.

Os resultados da empreitada – aconteça o que acontecer – veremos nos dias, semanas e meses que se seguirão.

Humberto Costa (PT/PE), líder do partido no Senado, disse ontem que a ida da presidente Dilma pode “influenciar os indecisos” a seu favor. Costa está no seu papel, mas ele só se esqueceu de uma coisa: há pouca gente indecisa por lá, e a previsão é que os votos pelo impeachment cheguem a 60.

Das olímpicas

Antes de seguir em frente, é bom lembrar que a presidente (assim como Lula) está bastante brava com essa história de Michel Temer a alijar das cerimônias dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro.

Esperar um gesto de grandeza do interino é um pouco exagerado. Temeroso de ser confrontado, de público, com a presidente e com o ex, Luiz Inácio Lula da Silva, o interino optou por subterfúgios e pelas sombras. E a esta hora do campeonato Temer nem vai (ou diz não ir) à cerimônia de encerramento dos jogos.

Uma mistura de covardia com ausência de caráter.

Das profundidades

Quem gritou, apitou, vestiu verde e amarelo parece que ainda não se deu conta da estupidez que fez.

Talvez não queira se dar conta, pois a ideia que os moveu era defenestrar tanto Dilma, quanto Lula, e, de quebra, exterminar o Partido dos Trabalhadores (PT).

Mas talvez, o que é mais provável, não consiga dar conta da própria estupidez por ignorância mesmo.

Pensar é um troço complicado, exige conhecimentos prévios e profundos, e capacidade para buscar antever o que vai ocorrer como consequência de cada um de nossos atos.

Conhecimento e capacidade são matérias-primas ralas em nosso cotidiano; a maioria de nós prefere pautar a vida na base de crendices e de moralismos, o que, necessariamente, nos empurra a um passado de barbárie e (a)científico.

Das antiguidades

O governo temerário é um perigo, assim como é a sua possível sucessão, se esta cair ou no tucanato de Aécio Neves, ou no tucanato de José Serra.

Embora se possa encontrar algumas qualidades no passado de Serra, o certo é dizer, agora, que o tucano paulista não apenas virou uma espécie de troglodita moderno, como, ainda, perdeu seu pouco verniz modernista que tinha e se desconectou do século 21 sem nele nunca ter chegado.

Aécio é um ser esdrúxulo. Um menino mimado, sem ideias próprias, que incorporou ao seu próprio nome o nome de seu avô Tancredo, como se isso lhe fosse legar alguma virtude.

Temer, Serra e Aécio formam uma trinca perigosa e irresponsável, trinca que empurra o país para os anos 30, quando alguns “pensadores” e economistas anglo-saxões formularam as bases do neoliberalismo, aprofundando as divisões sociais, agudizando a exploração da classe trabalhadora, exaurindo os recursos naturais e destruindo a natureza.

O neoliberalismo morreu no iniciozinho dos anos 90 e ninguém avisou a trinca.

Das maioridades

Mais do que exterminar os ganhos sociais (poucos, é verdade) produzidos pelo auge do lulo-petismo, o perigo dessa gente como Temer, Serra e Aécio é estancar uma caminhada do país rumo a “um mundo melhor”, mais conectado com o presente.

O que a trinca busca é um país dependente dos centros financeiros e hegemônico, e do conhecimento produzido por suas universidades e centros de pesquisas, no mais das vezes (conhecimento esse) estranho e inaplicável em um país como o nosso.

No fundo, no fundo, o que a trinca almeja é menos destroçar  os programas sociais e inclusivos (ela não têm muito como alterar isso, em razão da força que possuem os movimentos sociais) e mais estancar a busca do Brasil por uma práxis (prática + teoria) soberana e própria.

Estão aí coisas como Escola sem Partido, como os cortes nos investimentos em ciência, tecnologia e inovação e atos extremados, como os ataques aos direitos humanos.

Isso tudo nos mostra que a trilha para a qual nos empurra a trinca é tortuosa e cheia de subidas e decidas íngremes.

Se deixarmos, breve, breve vamos nos exaurir e, quem sabe, andar pelados e urrando pela trilha.

Talvez mereçamos.

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2 comentários sobre “Dilma ainda acredita e Temer e PSDB nos levam “ao futuro” de 1930

  1. Muito bom, especialmente sobre o trabalho da trinca temerária em nos levar para trás. Na parte sobre as dificuldades do pensar eu incluiria que pensar nos leva e descobrir verdades desagradáveis. Algo que a maioria das pessoas detesta fazer. Afinal, somos uma sociedade viciada em euforia.

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