Imprensa estaria poupando o vice-presidente e interino Michel Temer de críticas e cobranças (?)

Cao
Outras Palavras / Reprodução

Não sou um adepto da teoria cuja a qual existe um enorme complô contra o Partido dos Trabalhadores e, especialmente, contra o seu maior líder, Luiz Inácio Lula da Silva, e que grande parte dessa conspirata se dá no âmbito da “imprensa”, apelidada de PIG (o Partido da Imprensa Golpista).

Recuperando o que disse George Orwell, “jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.

Doutro lado não pode se perder de vista que há sim, na maioria dos órgãos de comunicação de massa, uma resistência e uma antipatia, tanto contra o PT e Lula, quanto contra os movimentos sociais, que de uma forma ou de outra e em sua maioria estão ligados ou demonstram simpatias ao partido e ao ex-presidente Lula da Silva.

Se não há ou não havia um escancaramento nas redações dessa resistência e dessa antipatia nada disso passou despercebido, ao ponto de gerar reações internas, advertências, admoestações e até demissões.

Nenhuma empresa de comunicação vai, por exemplo, demitir um de seus profissionais (a não ser que ele seja muito  incapaz) por externar opiniões contrárias “à linha do veiculo”. Isso é coisa da qual se cuida, normalmente, no interior dos veículos.

Eu mesmo já fui advertido por ter cometido um erro de informação (e foi erro meu mesmo) que “favorecia” (não era essa a intenção) um dos movimentos sociais, no caso, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST).

Das mudanças

No site Outras Palavras há um artigo de Guilherme Boulos [1] (Reinaldo Azevedo: o rottweiler virou poodle) procurando mostrar como e por que o colunista de Veja “hoje (está) amansado. Derreteu-se diante do discurso de Temer. Engoliu explicações grosseiras. De tão passivo, está se tornando descartável”.

Boulos, apesar de bem formado e de ter estudado em “boas escolas”, nunca primou por um bom texto. Pelo contrário, seus textos, normalmente, são bastante imprecisos (embora sempre se trate de opinião, mas a opinião não prescinde da precisão), quase sempre agressivos e, digamos assim, de “poucos modos”.

A despeito de o alvo de Boulos ser Azevedo, o texto em questão vai mais fundo e pode ser estendido a outros profissionais de imprensa, que de uma forma ou de outra fizeram dos ataques ao petismo e à figura do ex-presidente Lula da Silva uma “profissão de fé”.

Das buscas

O final do regime militar, em 1985, foi sucedido por uma avalancha de denuncismos baseados em dossiês “plantados” na imprensa, prática que durou alguns muitos anos até que se desgastou.

Muitos profissionais, inclusive, foram aquinhoados com prêmios esso como se o produto-matéria divulgado fosse de esforço próprio e não plantação interesseira de espertalhões que viam no fim da ditadura um bom inicio para fazer fortunas e ganhar poder de influência.

Das éticas

Não há como negar os muitos pecadilhos e os muitos pecadões da imprensa, embora esta (generalizando) sempre busque se defender, escondendo-se sob o manto da “liberdade de expressão” e (quase sempre) se recusando a reconhecer os erros e os desvios éticos e, às vezes, morais.

O texto de Boulos vem se somar a outros tantos que vão no sentido de exigir dos meios de comunicação uma mea culpa e uma correção de rota. Daí a sua importância.

Ninguém está a exigir bajulações e amenidades, como parece ser este o caso presente, tendo como referência o interino Michel Temer, ou ainda, Dilma Rousseff, caso esta consiga mesmo escapar da guilhotina do Senado neste final de mês.

Está a se exigir, e isto a sociedade pode e deve fazer, informações idôneas e confiáveis, nem mais nem menos idôneas e confiáveis – apenas idôneas e confiáveis.

Algumas reviravoltas “no noticiável” aconteceram nas últimas horas, a mais escandalosa delas tem relação ao tal Tríplex do Guarujá.

Nem se crê por aqui que Lula da Silva venha de público exigir retratações (embora isso até possa acontecer dada a indignação da militância petista).

Mas seria civilizado (digamos assim) que os meios de comunicação dessem o mesmo destaque que deram às acusações de “acobertamento de patrimônio”, reconhecendo (pelo menos até prova em contrário) que cometeram um erro deplorável e inaceitável ao divulgar informações imprecisas e, também, em açular parte dos brasileiros contra o ex-presidente e seu partido.

Nota

[1] Guilherme Boulos é formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), ativista político e social e membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. (wp)

 

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