Estragos provocados pelo vice Michel Temer terão vida curta

Chinesas
Michel Temer cumprimenta Xi Jinping, em Hangzhou, na China. Mas será que ele sabe o que está fazendo? – foto: brasil.elpais.com

Não, não me enganei não, e este também não é um texto antigo, do tempo em quem Dilma Rousseff era a presidente reeleita por mais de 54 milhões de votos [1].

Como agora o Senado decidiu-se pelo impeachment da presidente Dilma, Temer deixa de ser interino, mas como não teve votos, vai aqui de vice-presidente mesmo.

Não, também não tenho bola de cristal [2], nem jogo tarô [3] ou runas [4].

Não consta de meu cardápio de jornalista e de escritor temporão o dote da futurologia; mas vai uma ou outra especulaçãozinha com base em fatos e dados, que isso faz parte da profissão, ou como dizia um amigo jornalista, “está no contracheque”.

Mesmo interino (agora efetivado) Michel Temer chegou com tudo e falando grosso: despediu e perseguiu gente, mudou programas e cortou/ameaçou cortar fundos públicos e investimentos.

O vice-presidente, agora efetivado, tem uma grande virtude: ausência de coragem,

Tem suas razões: o vice agora efetivado sabe ter um ministério “toma-lá-dá-cá [5]”, uma resistência nas ruas (segundo ele, pequena e fazendo baderna. Bem… cada um enxerga o que quer) e o crescimento de uma frente de oposição, lançada pelo Lula e pelo PT, que, por mais incrível que possa parecer, vai contemplar até o Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara e do Congresso.

Não estranha, portanto, que o vice recue sempre.

Num recorte arbitrário meu (arbitrário como todos os recortes) diria que as iniciativas do governo do vice agora efetivado podem ser divididas em três:

1) cortes nas áreas sociais, o que vai impactar em programas educacionais, no Bolsa Família, no Mais Médicos, no Ciência sem Fronteiras (que a rigor faz parte do terceiro item); no achatamento salarial, no aumento no número de desempregados e na compressão de aposentadorias e pensões;

2) cortes nos investimentos em infraestrutura e CT&I [6] – a saída para a infraestrutura de Temer é a privatização (aeroportos, portos, estradas, empresas públicas etc.) e para CT&I, que ele não sabe bem o que venha a ser e qual a sua importância, ele não diz lé com cré;

3) reinserção do Brasil no cenário internacional: trata-se de uma espécie de reinvenção da roda, daquelas primitivas que surgiram há milênios na China ou na antiga Pérsia. Resumindo a ópera: o que ele e a equipe (especialmente o Zé Serra) querem é colar o país nos ditos países desenvolvidos ou de primeiro mundo (sic), tal qual aquele pedinte chato que lhe persegue pelas ruas exigindo uns trocados.

Das guarrinchadas

Me socorrendo, pela enésima vez, daquela história do Garrincha, do Feola [7]e dos russos na copa do mundo de futebol na Suécia (1958) há que se perguntar se Temer, o vice, já combinou com a população.

Quero crer que nem queira: pesquisas do DataFolha e da Vox Populi [8] indicam que 67% dos brasileiros querem que ele volte, urgente, para Piracicaba, em São Paulo, e na consulta [9] no site do Senado, por antecipação da eleição presidencial, o “sim” já passa dos 90%.

Se Temer acha que vai levar mais essa e mais uma vez na “mão grande [10]”, com apoio da imprensa, creio que esteja enganado.

Ele como Macri [11] (na Argentina) – não sei quem é holograma [12] de quem – não vão conseguir implantar nada do que estão pensando, por um motivo muito simples: a população organizada (em movimentos sociais) e até parte da desorganizada não vai deixar.

Como se diz no vulgar: simples assim!

= = = = =

Complementos

Os textos que seguem abaixo foram postados hoje pela manhã nas redes sociais (https://www.facebook.com/marciotadeu.santos e https://plus.google.com/u/0/). Estão no contexto do que se discute acima.

MUY AMIGO – O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), tentou jogar um balde de água fria nas pretensões de Dilma em se candidatar em 2018. Diz Costa que ela estará “inelegível” (lei da ficha limpa). Será que a disposição eleitoral da presidente está botando terror pra cima do Lula? Vai saber!

PETRÓLEO BRASILEIRO – ALGUÉM TEM DE DESENHAR PORQUE NÃO ENTENDI
Noves fora minha antipatia por reservas de mercado e pelo Estado fazer coisas que não são da sua conta, por exemplo, administrar estradas e controlar em qual avião podemos viajar, tenho que a história do petróleo brasileiro é um pergaminho cheio de hieróglifos.
Na segunda metade dos anos 80 (governo Sarney) a Petrobras anunciou a descoberta de enooooorrrme reserva do óleo e de gás natural no subsolo da Amazônia, a coisa de 1,7 mil metros de profundidade.
Assim como aconteceu mais tarde com o pré-sal, o Brasil teria dinheiro de sobra para comprar confetes e serpentinas, soltar foguetes e beber champã francesa, e de quebra ainda investir em infraestrutura, na saúde e na educação.
Cheguei a fazer várias matérias (para a Folha de São Paulo e para o Jornal do Commercio, de Manaus) sobre a Província Petrolífera de Urucu, no sudoeste do Estado do Amazonas.
Era lá que estava o ouro.
Mas não era novidade alguma.
Um livro da última década do século 19 (É ISSO MESMO, você não leu errado = última década do século 19) já apontava para a enooooorrrme riqueza natural na região.
Lembremos que o petróleo já era explorado no mundo, especialmente nos EUA, desde meados daquele século.
Entrevistei, antes de uma viagem a Urucu, o superintendente da Petrobras na Amazônia e ele me garantiu que até no subsolo de Manaus havia petróleo e gás natural prestes a jorrar.
Depois da euforia, com é corriqueiro no Brasil, veio a pasmaceira. A reserva amazônica está lá, sendo explorada, digamos, muy discretamente.
Alguns dizem ser por conta das dificuldades impostas pela bacia sedimentar, pela grandiosidade da floresta e de logística – enfim, questões ambientais.
Tá… não são desculpas muito boas, mas vá lá.
Neste milênio veio a história do tal pré-sal – que tem um oleozinho meio que xumbrega, que serve mais à venda (para fazer caixa) do que para refino.
Foi aquela festança toda, como todos lembramos.
Mas já tinha uma história estranha em meio a isso: o Brasil (a Petrobras) não tem essa tecnologia toda para extrair petróleo em águas profundas. Pra falar a verdade, nem mesmo a Grã-Bretanha, que explora óleo e gás no Mar do Norte, pode dizer que tenha esse domínio tecnológico todo.
Essa é uma das razões, no caso brasileiro, dessa gastança toda com a compra de tecnologia estrangeira, o que leva embora boa parte dos caraminguás da petroleira.
Caso agravado porque nesta Grande Terra de Tupã se investe pouco ou quase nada em pesquisa e tecnologia.
É melhor comprar do que gerar tecnologia própria, parece ser a lógica nacional, e não só no caso do petróleo.
Metida em corrupções e desvios; em administração temerária e em compras malucas de refinarias no exterior, a Petrobras se enrolou toda e quase vai a pique.
E, para completar a história, lá nos vem a notícia dando conta de que a petroleira fechou contratos futuros para venda do óleo (NO ANO DA GRAÇA DO SENHOR DE 2010), quando o preço do barril estava a 154 dólares, e hoje, às portas do vencimento dos contratos, a 46,6 dólares o barril.
Alguém desenha aí porque não entendi nada da lógica disso tudo.
(na foto, um dos campos de Urucu/AM – veja.abril.com.br.)

Petroleo

ELEIÇÃO PAULISTANA E A SÍNDROME DO SBT
Tenho nada a ver com isso não, mas que a eleição de São Paulo tá engraçada, isso tá!
Durante anos, o SBT bateu na tecla do “líder do segundo lugar”. Acho que a propaganda era do Olivetto.
Com Russomanno disparado nas pesquisas, Marta (segunda), Erundina (terceira), Haddad (quarto) e Dória (quinto) estão a se arranhar e a puxar cabelos para ver quem chega em segundo na eleição de outubro.
A ideia é que, seja quem for, dá pra derrubar o plastificado líder no segundo turno.
Mas antes alguém tem de chegar lá.
E O HADDAD?
Fernando Haddad parece gestor de obras ou gerente de padaria.
Eu fiz isso. Eu fiz aquilo. Estão querendo me copiar, então pra que mudar?
O Maluf já usou desse mesmo “expediente” há anos e quase anunciou que foi ele quem cavou a calha do rio Tietê e esculpiu o pico do Jaraguá.

Notas

[1] Ver, por exemplo em Dilma é reeleita na disputa mais apertada da história; PT ganha 4º mandato (Folha de São Paulo).

[2] Bola de cristal – no contexto, artefato usado para prever o futuro.

[3] Jogo de cartas de origem francesa usado para a previsão do futuro (esoterismo).

[4] As runas (alfabeto rúnico) são letras usadas para escrever na Escandinávia, ilhas britânicas e Alemanha até o século 11 da Era Cristã; modernamente usadas também para previsões.

[5] Toma-lá-dá-cá – no sentido de barganha, para se tirar proveito de forma desonesta.

[6] CT&I – sigla de ciência, tecnologia e inovação.

[7] Feola, Vicente – técnico da seleção brasileira de futebol em 1958.

[8] DataFolha e Vox Populi – empresas de pesquisas de opinião, a primeira sediada em São Paulo e a segunda em Minas Gerais (Belo Horizonte).

[9] Consulta Pública – ver em https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=125574&voto.

[10] Mão grande – locução que identifica irregularidade, roubo, farsa, golpe.

[11] Mauricio Macri – engenheiro, empresário e político; atualmente presidente da Argentina, eleito pelo Partido Proposta Republica e empossado no dia 10 de dezembro do ano passado.

[12] Holograma (derivado de holografia) – técnica de registro de padrões de interferência de luz que podem gerar ou apresentar imagens em três dimensões. No contexto, cópia político-ideológica; similaridade; aproximação.

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