“Não passarão”, passaram; “não vai ter golpe”, teve

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Display da Coca-Cola de 1943 – uma genialidade em uma imagem e sem palavras – http://www.brasilcult.pro.br/ensaios/cola/coca_cola.htm

Um sujeito que não sei ao certo quem seja, sei que de Pernambuco e pelas características seria enquadrado facilmente pelo filósofo Luiz Felipe Pondé como um dos “inteligentinhos” acreditou ter inventado um slogan ou uma palavra-de-ordem para contribuir com os esforços visando conter o processo de impeachment que se abatia sobre a presidente Dilma Rousseff: “impichi é meusovos”.

Palavra-de-ordem simplória e construída de maneira linear, com um sujeito, um verbo e complemento.

Fosse um teste de redação para uma agência de publicidade e de propaganda o gênio da linguística e mago das comunicações estaria reprovado.

Mas a palavra-de-ordem fez sucesso entre esquerdistas, muito especialmente entre as mulheres e, não pasmem que não é o caso, entre as feministas, ou aquela galera do grelo duro, no linguajar chulo de Lula da Silva.

Meusovos” ou “meus ovos” se referem aos testículos (masculinos, óbvio), um dos ícones mais festejados, cuidados e preservados do machismo.

A livre adaptação feita pelo gênio das comunicações de impeachment nos remete a uma outra genialidade, esta cometida pelo Pasquim, nos anos da ditadura: “udigrudi”, de “underground” – também de larga aceitação entre os inteligentinhos da época.

O Pasquim desapareceu graças e obra a dois fatos: a violência carniceira da ditadura militar e a péssima administração do jornal.

Udigrudi” sumiu no tempo.

Das antiguidades

Como se ainda estivéssemos nos tempos das guerras púnicas, a esquerda usa e abusa das palavras-de-ordem (slogan) como se fossem estimulantes.

Extemporâneas, elas não seduzem mais; não seduzem uma população já escolada nos discursos fáceis e oportunistas.

Meusovos” ainda guarda uma outra impropriedade – além do aportuguesamento canhestro e do machismo – tem caráter defensivo, de aceitação ou de admissão do fato.

Das negativas

O que mata as duas palavras-de-ordem que aparecem no título – “não passarão” e “não vai ter golpe” – é seu sentido negativo.

Ora, ora alguém conhece alguma publicidade/propaganda tipo: “não compre na loja tal, mas na minha que tem melhores preços e produtos de qualidade” ou “não vote no candidato tal, mas em mim que sou mais bonito e capaz”?

O uso da negação na publicidade e na propaganda compreende, necessariamente, que haja uma face contrária (uma contra face): se eu digo que o meu é ou eu sou o melhor, indico que exista uma outra verdade que se contrapõem à minha, e que, portanto, é tão real quanto aquela que eu disse ser a verdadeira.

Das oportunidades

O outro lado da turba que se digladiou pelas ruas foi mais esperta. Criou – ao invés de palavras-de-ordem – discursos rápidos e objetivos em chistes adaptados para cada ocasião, por exemplo o “Tchau, querida!”; ou se expressou através outdoors ambulantes, como o “Pixuleco”, que dispensou palavras.

Ao tentar correr atrás do discurso dos adversários, repetindo de maneira invertida chistes como, por exemplo, “Fica, querida” ou produzindo bonecos de Cunha e de Temer, a esquerda apenas provou duas coisas: 1) a incapacidade para trabalhar com um discurso contemporâneo e original; 2) uma falta de pudor ao usar descaradamente práticas e estratégias alheias.

O discurso envelheceu e virou cópia e ninguém parece ter dado conta.

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