Estado brasileiro virou repressor e violento e muita gente pediu por isso

Vestindo vermelho
Crédito da foto: sindicalismoecultura.blogspot.com

Há quem, mesmo à esquerda, empurre para a conta dos governos petistas (Lula e Dilma) o descontrole e os abusos da Polícia Federal. A acusação é injusta! Ambos presidiram o país sob a lógica do republicanismo (apesar dos deslizes e dos malfeitos acontecidos em seus governos) e da necessidade de a PF se modernizar e atuar com mais eficácia.

Morei por mais de cinco anos a 800 m da Academia Nacional da PF e cheguei a conversar com alguns trainee e eles sempre me pareceram gente bem intencionada e relataram algumas dificuldades e, talvez, exageros nos treinamentos.

A acusação a Lula e a Dilma estende-se ao descontrole (e há) praticado pelo Ministério Público. Neste caso a acusação é pior ainda, já que o MP não é um “órgão” do poder executivo, e, portanto, presidentes não têm a ver com ele.

Talvez algumas pessoas (incluindo-se nelas quem, mesmo de esquerda, acusou Lula e Dilma) estejam contentes com o que se vê pelas ruas, pelas redes sociais e pelos descaminhos dos órgãos de fiscalização; por exemplo, Medina diz que foi demitido da AGU porque governo quer abafar Lava Jato (O Globo) e Apontado como infiltrado por manifestantes é capitão do Exército (El País).

Infiltrar agentes em movimentos sociais é coisa antiga. Costumo brincar que a prática iniciou-se logo após o uso do Cavalo de Tróia pelos gregos contra os troianos.

Alguém deve ter entendido ser maluquice construir um cavalo de madeira daquele tamanho e nele confinar centenas de guerreiros. Melhor é preparar algumas pessoas para “espionar por dentro” o inimigo e a partir das deficiências encontradas fulminá-lo em um ataque.

Após do 11 de setembro de 2001 os Estados Unidos iniciaram um período (que ainda perdura) de alucinação e de desconfiança. O país investiu maciçamente (ainda investe) em agentes para antecipar e conter os agentes do mal, os inimigos dos EUA.

A medida não resolve nada, os ataques ditos terroristas se sucedem, os EUA estão mais inseguros do que nunca e gente que não tem nada a ver com a história é presa, interrogada e aterrorizada pela repressão de Estado.

Quem quiser conhecer um pouco como, por exemplo, o FBI prepara os seus agentes deveria assistir à série “Quantico”, de Joshua Safran (2015) – ela está na NetFlix, e até ler matéria de Heloisa Villela (Como o FBI arma ciladas para “produzir” terroristas e calar movimentos sociais).

O texto de Villela é uma entrevista com Mike German, um ex-agente do FBI durante 16 anos.

German “trabalhou no combate ao terrorismo doméstico, às fraudes bancárias e à corrupção no setor público. Nos últimos anos de trabalho na organização, ele se dedicou ao terrorismo interno. Por exemplo, na infiltração de grupos suspeitos. Aparentemente, este tipo de trabalho se tornou supervalorizado nos Estados Unidos depois de 11 de setembro de 2001, mas foi justamente depois dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono que os problemas de Mike começaram, a ponto de levá-lo a deixar o FBI”.

Dos pitos&canudos

Geraldo Alckmin, o governador paulista, em 2013, soltou as tropas da PM nas ruas para reprimir, espancar e prender quem protestava contra o aumento da tarifa do transporte público. Era a recuperação do velho lema do ditador Figueiredo: “prendo e arrebento”.

Atendendo parte da população que reclamava contra os manifestantes (a velha arenga sobre o “direito e ir e vir”), o que Geraldo Alckmin fez foi açular as massas, espalhar os protestos pelo Brasil todo e alvejar os governos petistas (lembrando que Fernando Haddad já era prefeito de São Paulo à época e a presidente era Dilma Rousseff).

Não, Alckmin não fez isso porque apenas adora ver o sangue jorrar da testa de estudantes.

Fez porque quis e com a intenção conseguir jogar parte da população contra os governos trabalhistas e de esquerda.

Alguém poderia lembrar-se de levá-lo à corte internacional de justiça.

Se ele conseguiu o que queria (derrubar o governo), conseguiu também mais: transformar o Brasil (e isso vai durar muito tempo) em um Estado hiper policiado e repressor.

Há bons textos do professor Antônio Candido (crítico literário e professor da USP) sobre o descontrole policial e a massificação da repressão em SP, mas estendíveis a todo o país.

Os textos são estes:

A verdade da repressão (Blog da Boimtemp).

Carta Aberta ao Governador Alckmin, contra a violência policial (Viomundo).

O vice-presidente e atual ocupante de cadeira do Palácio do Planalto (lembre-se sempre: ele não teve um só voto), Michel Temer (que já foi secretário de Segurança Pública de SP e testemunha de defesa do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra), apenas segue a trilha aberta por Alckmin, só que com mais poder, dinheiro e capacidade nacional de violência e de domínio sobre as ações repressivas do Estado.

Se alguém estava com saudade da ditadura e de sua violência e repressão não precisa ficar mais.

Elas já estão aí!

Aguarde que sua hora vai chegar!

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