O articulista é suspeito, mas a análise sobre o PT é boa e correta

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Velhos companheiros remando juntos ou em canoas separadas? – Foto: Instituto Lula

Quem diria que o grande demônio do petismo, o jornalista e blogueiro de Veja (e de outros tantos veículos de comunicação), Reinaldo Azevedo, saia-se com uma análise bastante correta da atual situação do Partido dos Trabalhadores (PT), na qual, entre outras coisas, reconhece o papel central de Luiz Inácio Lula da Silva e faz críticas (como fazem e/ou fizeram alguns petistas) às propostas de mudança e de renovação de Tarso Genro (RS).

A crítica azevediana segue na ordem de publicação em seu blog na Veja.

Abaixo de seus dois textos, seguem também duas postagens minhas nas redes sociais, hoje mais pela manhã, a respeito do partido e de sua militância (o que restou dela e com a qualidade atual).

“Será que o PT consegue se pensar sem incidir na lei das organizações criminosas?”

[Tarso Genro volta a falar “em refundação do PT”. Já fez isso em 2005 e depois se contentou com papo-furado do golpe das elites.

O PT, leiam post anterior, está procurando meios de se… renovar.

É mesmo?

Querem um exemplo de quão perdido está o partido? Tomem o caso de Tarso Genro. Em 2005, quando explodiu o mensalão, ele defendeu, ora, ora, a refundação do partido. Assumiu pouco depois a presidência da sigla. Refundou o quê? Nada. Em 2006, vai para o Ministério das Relações Institucionais e, no ano seguinte, para o da Justiça, onde ficou até 2010.

Aquele que se queria o “refundador” passou a repetir a bobajada de que o mensalão era uma tentativa de “golpe” das elites, conversa mole que foi repetida agora, com o petrolão. Pois é… Tarso, membro da corrente “Mensagem ao Partido”, volta agora a falar em “refundação”. E que mensagem nova ele traz?

Ora, vimos isso há meros três meses. Em carta aberta aos petistas, o doutor recomendou que o PT se mantivesse longe da disputa pela presidência da Câmara e censurou os companheiros de partido que apoiaram a candidatura de Rodrigo Maia. Num dado momento, escreve:
“Esta crise não foi inventada pela mídia nem pelos Procuradores. A mídia oligopolizada e uma parte não significativa, em termos quantitativos, do Judiciário e de outros aparatos do Estado – opositores radicais do projeto que representamos – souberam, isto sim, manipular nossos erros políticos, equívocos de gestão e mesmo a ilusória sensação de impunidade (que às vezes leva ao delito), que afetou em alguma medida parte de companheiros nossos. Manipulando contra toda a evidência, porém, vincularam artificialmente a Presidenta à corrupção e assim promovem a sua derrubada, colocando no Poder uma Confederação de Denunciados e Investigados.”

Alguém poderá dizer: “Bem, é melhor do que Rui Falcão, que não admite erro nenhum”. Ora, a questão é saber o que Tarso propõe como profilaxia para aquilo que chama “nossos erros”. Mais: que renovação seria essa que parte do princípio de que existe uma “mídia oligopolizada” e de que a queda de Dilma e a derrocada do PT decorrem da oposição que setores da sociedade brasileira fazem a seu “projeto”.

Qual projeto?

O PT é um paciente terminal, entre outras razões, porque seus doutores se negam a enxergar a doença. Há uma boa possibilidade de que assim seja porque o partido só entende a própria estruturação e a própria configuração segundo aquilo que a lei define como “organização criminosa”.

Nesses termos, não pode haver refundação, autocrítica ou mea-culpa.]

Link: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/sera-que-o-pt-consegue-se-pensar-sem-incidir-na-lei-das-organizacoes-criminosas/

O PT tenta se reinventar. Mas anda sem ideias…

[O PT deveria trocar a sua direção nacional no segundo semestre do ano que vem. Antecipou para o primeiro. O desastre eleitoral deste 2016 e o risco de uma debandada de parlamentares pressionam as várias correntes a buscar uma saída. Há quem não queira mudar nada, como Gilberto Carvalho. Para ele, basta reunir a tropa, mirar no governo Temer e botar o bloco na rua. E há quem queira mudar tudo, a exemplo de algumas correntes de esquerda. O problema de mudar tudo é que nunca se sabe por onde começar.

É a maior crise da história da legenda, que sempre resolveu suas dissensões internas tendo um ponto de ancoragem: Luiz Inácio Lula da Silva. Ele era o redutor de todas as divergências e o denominador comum de todas as tendências. Ainda hoje ninguém se atreve, nem à esquerda, a contestar seu nome para a presidência da legenda, caso ele opte por isso.

Mas, ora vejam, o próprio Lula parece, nesse particular ao menos, ter mais bom senso que seus “companheiros”. Tem dito que é preciso encontrar outro nome. Como é que alguém que é réu três vezes, investigado pelo Supremo, com a possibilidade concreta — e nem vou entrar no mérito — de ter a prisão preventiva decretada, pode assumir a presidência da sigla?

É evidente que os problemas de Lula com a Justiça passariam a ser sinônimos dos problemas do partido.

A moda das narrativas

O PT está perdido. Encontra-se no mato sem cachorro. Virou moda hoje em dia atribuir tudo a uma disputa por narrativas. Aquilo que, de fato, pode ser um conceito interessante para analisar a política — vale dizer: a construção dos discursos que explicam a realidade — está se tornando um maneirismo e um fetiche. Fica parecendo que basta encontrar, no fim das contas, uma desculpa e uma justificativa, e o resto se resolve.

Uma ova! As esquerdas do PT querem renovar a direção. Os velhos quadros, a exemplo de Carvalho, acham que isso é bobagem. Os que falam em mudança radical propõem fazer um congresso para lavar roupa suja. A turma da “Construindo Um Novo Brasil”, a corrente majoritária, à qual Lula pertence, pensa que tudo se resolve com a eleição direta para a nova direção e pronto — sem espaço para autocrítica.

Uma coisa, no entanto, une a todos: a convicção de que existe uma grande conspiração para banir o partido da política e de que isso que se tem aí é fruto de uma articulação conservadora. A história da esquerda, mundo afora, é pontuada de momentos de autocrítica. O PT está numa enrascada porque mesmo aqueles que querem “renovar tudo” acreditam apenas na renovação de pessoas, não de práticas.

E isso não tem salvação.]

Link : http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-pt-tenta-se-reinventar-mas-anda-sem-ideias/

As postagens redes sociais

PETISTAS EM PÂNICO
Os factoides criados diariamente por membros do PT têm trazido muita dor de cabeça… aos próprios petistas.
Este último, criado na sexta-feira pela manhã por um vendedor de automóveis e (nas horas vagas) “blogueiro amigo” (“Lula será preso a qualquer momento”), resultou, de concreto, num diz-que-diz danado nas redes sociais, em ameaças de AVC, num cerco defensivo à casa de Lula que reuniu pouco mais de 200 pessoas e em cartazes pregados em postes de Brasília.
Mas como neste país tudo é possível, e como o vendedor-blogueiro-amigo disse que a tragédia se consumaria nesta segunda-feira, não custa aguardar pelo desfecho da pantomima.
E.T. Na primeira postagem, o vendedor-blogueiro disse que a prisão seria nesta segunda para “coincidir com o aniversário de Lula”.
O aniversário do ex-presidente é dia 27 de outubro.
O vendedor-blogueiro reformou o texto lá por volta do meio dia de sexta-feira, mas não reconheceu que nem a data do natalício de Lula ele sabe ao certo qual seja.

SAUDADES PETISTAS
Não sou um sujeito muito dado às saudades.
Não tenho saudade de coisas, de acontecimentos e de pessoas.
A única exceção ficou por conta de minhas filhas na minha brevidade passageira em África.
Eu estava longe demais delas.
Mas que dá um aperto danado no coração em ver naquilo em que se transformou a antes inteligente, culta e aguerrida militância petista… ah, isso dá.

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