Moralismo e corrupção embalam o nosso dia-a-dia e que vença o pior

imoralismos
Fotomontagem a partir de postagens nas redes sociais.

Que ninguém se espante com as histórias da jovem cearense que pagou 150 mil reais para fraudar as provas do Enem e da colunista social natalense que recebeu 500 mil reais do governo local sem ter ido trabalhar.

Elas guardam duas semelhanças preciosas: são desonestas e participaram das turbas que foram às ruas para derrubar a presidente Dilma Rousseff, a quem, as turbas, acusavam (entre outras acusações) de corrupta.

Há quem veja nesse comportamento contraditório uma expressão de “falso moralismo”.

Desculpe os poucos modos, mas falso moralismo não existe.

Cada um ou cada grupo social tem o “seu moralismo” que quase nunca combina com o do outro.

Dos moralismos

Ao pé da letra, moralismo é (um tipo de) doutrina ou comportamento filosófico ou religioso que elege a moral como valor universal, em detrimento de outros valores existentes.

Ou como disse o pensador alemão Fichte (1762-1814), trata-se da “doutrina que elege a dimensão moral como aspecto decisivo para a compreensão de toda a realidade”.

Ou no vulgar, o sentimento moral está baseada em preceitos tradicionais irrefletidos por ignorar a particularidade e a complexidade de cada situação.

Trocando em miúdos, o que vale para mim e/ou para o meu grupo não vale necessariamente para você e sua turma.

Das turbas

Também que ninguém se espante pois ao nosso lado existem (e com elas convivemos) turbas e mais turbas de moralistas e de corruptos.

Cada um de nós (com mais ou menos idade) conhecemos uma miríade dessas histórias e com elas convivemos muitas vezes não dando conta de que existam ou não querendo dar.

Se fôssemos pedir aqui para que cada leitor relatasse dez histórias vividas ou presenciadas, envolvendo os tais dos moralistas e/ou corruptos, é quase certo que muitos ou talvez todos pedissem mais um pouco de espaço para relatar outras 14 ou 15.

Das razões

Uma questão ainda a ser desvendada (provavelmente pela psicologia) está em saber por que pessoas que praticam atos corruptivos amiúde saem às ruas, por exemplo, para derrubar uma presidente ou para acusar pessoas ou grupos sociais de práticas de corrupção ou de desvios éticos.

Estariam a querer substitui-las e com isso ter seus próprios espaços para praticar atos de corrupção em ambientes mais sofisticados e mais vantajosos?

Fosse esta a explicação seria ela bastante pobre, a se medir, por exemplo, pelo número de pessoas que foram às ruas para derrubar a presidente.

Haveria vagas suficientes para abrigar contingente tão enorme de neo corruptos?

Com toda certeza não!

Talvez pudéssemos nos socorrer da ortodoxia marxista e recuperar as velhas teses da luta de classe.

Ou do ódio ao pobre. Ou do preconceito racial e social.

É provável que exista uma nesga disso tudo em meio a essa barafunda, mas que será facilmente confrontada pela participação, nos protestos, de imensas camadas de remediados e de pobres; e de descendentes de índios e de negros; e de índios e de negros.

É provável que necessitemos voltar ao início das definições postas cima, qual seja, temos valores individuais e de grupos que não são universais e que se confrontam, diariamente, com os demais valores existentes.

Eu não reconheço a validade de seus argumentos e de seu comportamento.

E você não reconhece os meus.

Sob este foco, você e eu estamos liberados para praticar nossas crendices sociais sem que nos importemos com os valores alheios.

Se os meus são a contra face dos seus, paciência.

Lutemos!

E que vença o pior (desde que sejam eu e os meus).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s