Por que pessoas de crendices distintas se incomodaram com a eleição de Trump?

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“Só vendo” / Domínio Público

O extraordinário ano de 2016 não poderia chegar ao fim sem mais essa: esquerdistas, direitistas, “inteligentinhos” (na linguagem provocativa do filósofo Luiz Felipe Pondé), políticos tradicionais e revisionistas, a mídia corporativa, países e organizações multilaterais e movimentos sociais estão perplexos com a eleição, ontem, do megaempresário Donald Trump.

É um dom conseguir reunir gente tão distinta de um mesmo lado.

Trump seria um outsider, tal qual Ronald Reagan, que presidiu os Estados Unidos de 1981 a 1989 (antes fora governador da Califórnia de 1967 a 1975)?

Mais ou menos!

Após ser radialista e (por 3 décadas) ator de segunda em Hollywood, Reagan aventurou-se pela política e chegou à Casa Branca com dois propósitos: destruir os movimentos contestatórios (o negro e a contracultura) e a URSS.

A contracultura já estava se esfacelando quando Reagan chegou ao poder. A infiltração de agentes do FBI no movimento apenas acelerou o processo e estigmatizou e pulverizou os hippies. Fora das ruas, a essa gente sobrou apenas o cinema e a música.

O Black Power (sic) sentiu o baque, mas recuperou-se e hoje é a principal força anti establishment dos EUA.

A URSS foi destroçada. Reagan acelerou a guerra fria, investiu em tecnologia e na corrida espacial. Os soviéticos não tinham nem cabeças, nem dinheiro para acompanhar o trote norte-americano.

Das trumpezas

Menga bilionário, Trump não tem o breve passado político de Reagan, mas tem um discurso nacionalista-redentorista parecido, apenas que focado na recuperação dos empregos na indústria e na barração de estrangeiros migrantes que estariam a roubar dos locais os empregos que já não existem mais.

O discurso eleitoreiro trumpista foi acrescido (milimetricamente) de pérolas anti movimento feminista, revisão do acordo nuclear com o Irã, ataques aos GBLT, anti clima e esvaziamento da Otan.

Tudo conversa fiada, da qual Trump, aos poucos, já vai buscando se livrar.

Trump estava de olho na classe média branca empobrecida e sem formação universitária. Conseguiu, ajudado que foi pela infelicidade da candidatura da belicosa Hilary Clinton e pelo descontentamento de parte dos norte-americanos que se sentiram esquecidos pelos dois governos de Obama.

O mega bilionário vai apertar o botão e soltar as bombas que destruirão o planeta?

Besteira!

Como “bom” homem de negócios (que já faliu algumas vezes) Trump vai “fazer negócios” e ganhar dinheiro junto com os seus.

E a política externa? Ela continua na conta dos falcões do pentágono e da CIA.

A vida vai ficar mais difícil com Trump na Casa Branca?

Depende, depende de quem seja você.

Talvez fique “ruim” para ambientalistas e para quem ainda acredita que o Estado é a medida final de todas as coisas.

Trump é um capitalista extremado, um liberal radical e um adepto da Igreja da Santa Meritocracia.

Seu lema bem poderia ser: o dinheiro salva e traz felicidade, já o meio ambiente, o atraso e a pobreza.

Viva e veja!

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