Temer herdou uma hecatombe… pior pra ele e muito pior pra nós

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O Brasil e o futuro a quatro mãos – foto: Fábio Campana

A boa educação e a civilidade apontam que quando você deixar uma casa ela deve estar, no mínimo, em condições ideais para ser nova moradia, sem pisos quebrados, torneiras vazando, buracos na parede e sem aquele fedor característico das residências descuidadas e mal administradas.

Bem… se você desalojou o antigo inquilino à força e invadiu a residência você não está exatamente na favorável condição de reclamar do que vai encontrar pela frente.

Michel, o vice empossado, herdou um país com a economia em frangalhos e uma população acossada e inquieta.

Números atualizados indicam que 20 milhões de brasileiros perderam seus empregos nos últimos dois anos (2015-1016 [que ainda não terminou]).

A quebra (fechamento) de micro e pequenas empresas já roça os 2 milhões no mesmo período.

A inflação continua em alta e os investimentos em infraestrutura minguaram e quase desapareceram (aqui, também, no mesmo período: 2015-2016).

O vice empossado chegou prometendo milagres no curto e no médio prazos. O curto já foi (o ano de 2016 está quase no fim) e o que apenas se viu até agora foi o aperto do torniquete.

2017 poderá ser melhor, argumentam o vice empossado e sua trupe.

Os números da economia, o mau humor da população e a conjuntura internacional indicam ser esta mais uma balela temerista.

No rigor da lógica, Temer nem sabe ao certo se chega aos meados de 2017 como presi brasileiro.

Há quem aposte que ele cai, vitimado pela propinagem na campanha Dilma-Temer, ainda neste 2016 – o que é bastante improvável.

O vice empossado é temerário e gosta de emoções fortes: esteve por detrás das articulações que derrubaram Dilma Rousseff do Planalto e faz coro, neste momento, às armações que tentam conter os avanços da Operação Lava Jato.

É bem provável que nesta nova jornada Temer acabe por adotar o discurso das esquerdas, segundo o qual é a Operação Lava Jato que está levando o Brasil à falência, e não as corrupções (no plural, sim, pois são muitas) e a gastança desenfreada de recursos públicos por seus dois antecessores.

Embora a população (com muita justiça e acerto) mantenha-se inquieta, ela não consegue enxergar ao certo o que está ocorrendo.

Quem apoiou a queda de Dilma não consegue entender até agora se a troca foi boa e justa. Desconfia que foi uma furada, mas não dá o braço a torcer, temendo um recomeço petista.

As esquerdas estão atônitas, se posicionam contra tudo o que o vice empossado faz ou quer fazer, mas não construíram ainda uma retórica consistente e, também ainda, não admitem que foi a corrupção, e não a operação que busca puni-la, que levou o Brasil pro buraco.

2017 promete… promete ser pior que o biênio 2015-2016.

Retornar ao petismo não é mais possível e nem desejável, assim como é impossível e indesejável manter o temerismo no poder.

Com a palavra a população e muito especialmente as organizações sociais.

Serão capazes de uma autocrítica e de refazer caminhos?

É o desejável, mas também um sonho que ainda está além do horizonte.

Leia também:

“Sou contra a Operação Abafa” (Folha de São Paulo)

Cerco de políticos à Lava Jato é suprapartidário (Folha de São Paulo)

Desemprego de aproximadamente 20 milhões de brasileiros representa uma perda sistêmica para toda a sociedade. Entrevista especial com Clemente Ganz Lúcio (IHU/Unisinos)

Explodem manifestações por todo país, mas no que vai dar tudo isso? (Blog afalaire)

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