Inimigos do rei: o Sistema quer colocar você e eu na cadeia; de preferência nos matar

brendanNão terminei ainda de assistir à terceira temporada da série norte-irlandesa The Fall. Nem sei o que vai acontecer com Paul Spector (Jamie Dornan) e se haverá ou não uma quarta.

O que sei é que desde sempre defendo a tese de que o Sistema (o Estado e seus entes repressivos) usa de todo artifício possível para colocar as pessoas na cadeia ou em manicômios (tirá-las de circulação), de preferência condenando-as à prisão perpétua, quando não à pena de morte.

O Estado/Sistema detesta gente. Não só essa gente “culpada”, mas também você e eu.

Invertendo a lógica romana: não importa que sejamos culpados, basta que pareçamos culpados. Se não parecermos, o sistema arruma um jeito para que pareçamos [1].

Na real

The Fall é apenas uma série de TV britânica que faz sucesso na NetFlix?

Não!

The Fall é Rubin “Hurricane” Carter [2], o boxeador negro norte-americano preso e condenado por assassinatos os quais não cometeu.

Temos milhões de hurricane espalhados pelo mundo.

É também Brendan Dassey [3], condenado a 18 anos de prisão por um crime que não cometeu e novamente condenado agora pelo homicídio da fotógrafa Teresa Halbach, a quem teria estuprado e esquartejado.

O juiz federal de Milwaukee (EUA), William Duffin, não gostou dessa história e mandou soltá-lo, pois faltam provas para incriminá-lo e há evidências de ações deliberadas da polícia local para incriminar Dassey e seu tio que seria parceiro nas estripulias.

Ambos já estão presos há 11 anos.

No Brasil, estima-se que 40% dos detentos não foram julgados por qualquer tipo de crime.

Das sexualidades

Na banda do mundo dominada pelas religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamismo) sexo é pecado e crime, só se prestando à reprodução.

Essa distorção religiosa do “sentido do prazer” terreno contaminou inclusive os movimentos feministas.

Spector é órfão. Sua mãe suicidou-se ainda quando Spector era criança. O pai ele nunca conheceu.

O acusado/investigado passou por várias instituições infantis, inclusive por um abrigo dirigido por um padre católico pedófilo.

Spector é meticuloso e perfeccionista, tem um QI acima do normal, é bonito, charmoso e gostoso.

Uma jovem que assistiu a um vídeo de Spector ficou encantada com o “tamanho do pau do cara”.

Um sonho de muita gente.

A oficial de polícia Stella Gibson (a feiosa Gillian Anderson) o persegue implacável, usando de todos os artifícios para prendê-lo e incriminá-lo, inclusive os discursos feministas e de proteção à criança (Spector não matou criança alguma, a não ser um feto que “estava na barriga” de uma de suas vítimas).

Gibson é uma fanática, uma xiita do Sistema, que possui um tara irrefreável por policiais mais novos (quase imberbes) e guarda a sete chaves uma relação incestuosa com o seu pai.

Dominadora, moderna e eficiente, Gibson comanda a caçada ao voyeur [4], mas não passa de um joguete na mão do Sistema todo ele comandado por machos insatisfeitos e reprimidos.

Ela faz parte do Sistema.

Ela é o Sistema que quer, em nome da moralidade (pública), nos tirar de circulação a qualquer custo.

Notas

[1] No original, provérbio romano em referência a Pompeia Sula, segunda esposa de Júlio César: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

[2] Carter e um homem chamado John Artis foram acusados e julgados por triplo homicídio qualificado pelo ocorrido em Lafayette Grill localizado em Paterson, New Jersey, em 1966. Carter e Artis foram acusados pelo crime, motivados por racismo. Nos anos do julgamento, foram verificadas diversas inconsistências nas acusações e controvérsias por parte da acusação.

[3] Juiz anula condenação de personagem de Making a Murderer e manda soltá-lo da prisão. Brendan Dassey foi acusado de estuprar e esquartejar uma mulher. Documentário de Netflix mostra diversas evidências que comprovam a falta de provas para incriminar o acusado e evidencia as ações obscuras do judiciário norte-americano, promovidas para incriminá-lo. O juiz federal de Milwaukee, William Duffin, viu indícios de incapacidade e de manipulação por parte da polícia e da promotoria pública durante a investigação e o processo. (http://emais.estadao.com.br/noticias/gente,juiz-anula-condenacao-de-personagem-de-making-a-murderer-e-manda-solta-lo-da-prisao,10000088455).

[4] indivíduo que experimenta prazer sexual ao ver estímulos sexuais, objetos associados à sexualidade ou o próprio ato sexual praticado por outros.

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