Prisões, depoimento e agressão a jornalista demolem teoria de perseguição a Lula

caco
Agredir, seja de que forma for, é preciso. Nem o super-homem salva / Foto: UOL TV e Famosos

Esta semana, que termina no próximo 19, sábado (sim, a semana começa no domingo e não na segunda, como muita gente acredita), está sendo especialmente cruel para os formuladores da tese perseguista, segundo a qual há um monumental complô que mira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e para o próprio Lula, na sua estratégia canhestra de autodefesa.

Se Lula é culpado ou não de alguma coisa, isso são as investigações e a justiça que terão de demonstrar.

E sejamos justos com o ex-presidente: até agora, no concreto, não apareceu prova alguma. Só blábláblá e diz-que-diz-que.

Segundo os teóricos da conspiração, a perseguição iniciou-se com as acusações de Roberto Jefferson, em 2005, e que culminaram no espetaculoso julgamento do “Mensalão do PT” pelo STF.

De acordo com os mesmos teóricos, Lula escapou daquela vez, pois não foi encontrada nenhuma ligação sua com o rumoroso caso, também tratado como perseguista, mas tendo como alvo o próprio partido do ex-presidente, o PT.

A eclosão das investigações da Lava Jato, iniciada há pouco mais de dois anos, colocaram Lula da Silva, de novo, no centro da roda viva (me abstenho de qualquer tipo de analogia com programas de TV), e é certeza absoluta, segundo os mesmos teóricos, que tudo não passa de um enorme complô contra Lula, contra do PT, contra as (boas) políticas públicas do petismo nos governos lulistas e dilmistas e, óbvio, como não poderia deixar de ser, uma estratégia para retornar o cabresto norte-americano a ser colocado no pescoço dos interesses nacionais.

À luz da lua e das estrelas é possível sim enxergar um certo esforço de demolição do mito Lula e pela extinção do partido trabalhista.

Ocorre que os números, as denúncias e as delações que envolvem o caso são dantescas, e por mais que se veja em alguns cantos delas algum desvio de rota (intencional) não é possível jogar tudo isso fora, e teimar em insistir que tudo não passa de uma enorme e bem escrita ficção científica.

Das demolições

Se a teoria conspiratória já não encontrava eco e ressonância junto à população nacional, as prisões (ontem e hoje) dos ex-governadores fluminenses, Anthony Garotinho e Sérgio Cabral, torpedearam de vez a nau insensata que indicava um exclusivismo punitivo ao PT e a Lula.

Houve gente, no entanto, que não se deu por achado, e credita as duas prisões fluminenses a uma estratégia da justiça para preparar o espírito público para a vindoura (sic) prisão de Lula.

Ontem a esposa de Eduardo Cunha (que já foi cassado e preso), Cláudia Cruz, depôs no MPF, em Curitiba.

Em tempos normais, o depoimento de Cláudia seria festejado como um ato lógico e de justiça (finalmente!).

Mas qual o que? Também aqui houve quem visse uma encenação, já que a arrolada não respondeu às perguntas da acusação.

Ora, ora… aqui há mais do que teorias conspiratórias, mas, e também, um profundo desconhecimento (o que não é exatamente uma novidade) de como funciona a justiça e quais são as salvaguardas a que têm direito os acusados, como, por exemplo, se recusar a responder os questionamentos, quando entender que eles possam ser danosos à sua defesa.

Isso vale pra mim, pra você e pra Cláudia, assim como valerá, por exemplo, para Lula.

Ontem, também, estouraram duas outras bombas no arsenal dos teóricos: a invasão da Câmara federal por alucinados que pediam intervenção militar constitucional (seja lá que diabos queira dizer isso) e as escaramuças no Rio de Janeiro, contra o governador Pezão (outro que anda no fio da navalha).

O caso de Brasília é extraordinário porque mostra que a direita (os fascistas, como dizem os de esquerda) continua mobilizada e atuante, enquanto a esquerda (os petistas e seus apoiadores) queda paralisada, inerte e sem qualquer força de reação.

O caso do Rio repetiu (na verdade, antecipou, pois ocorreu antes) o de Brasília, mas com um adendo importante: a agressão a jornalistas, o mais notório deles, Caco Barcellos, da rede Globo.

Era de se esperar um repúdio geral às agressões, especialmente por serem perpetradas por um “grupo de direita e fascista”.

Mas houve (e não foram poucos) quem aprovasse a agressão, já que Barcellos é jornalista da Globo, e essa gente de esquerda não gosta da emissora carioca, pois, segundo eles (os de esquerda), ela “faz a cabeça dos brasileiros” e os “idiotiza”.

Uau! Uau!

Só para recordar um pouquinho: não seria essa gente que hoje festeja a agressão a Barcellos a mesma que tempos atrás o louvava por suas matérias (e livro) denunciando o arbítrio da PM do Rio contra a população pobre, preta e marginalizada do Estado?

Não seria esse mesmo Caco Barcellos quem, recentemente, fez críticas duras a seus colegas que estariam distorcendo informações para incriminar a ex-presidente Dilma Rousseff, e por isso mesmo foi louvado, em prosas, versos e memes, por esses mesmos esquerdistas que hoje festejam a sua agressão?

Parece que alguma coisa está fora da ordem na cabeça desses teóricos conspirativos.

Já é caso de psiquiatria.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s