Alegria fácil mostra imaturidade, alienação e bobice brasileiras

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Todas as cortes têm bobos, mas aqui eles extrapolam em número e em bobices. / Reprodução.

Em entrevista a Mônica Bergamo, ontem, na Folha de São Paulo, o sociólogo italiano Domenico De Masi disse que o brasileiro (ele usou a expressão “o Brasil”, mas o contexto indica para a população) é infantil, qual seja, imaturo.

Acrescento de próprio punho: somos todos Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.

De Masi se mostra perplexo com a onda que derrubou Dilma rapidamente, onda iniciada logo em janeiro de 2015, após os petistas atingirem índices altíssimos de popularidade, e Lula, por quem muita gente chorava, agarrada a suas vestes, ser aclamado pelos brasileiros como o líder mais importante da história do país.

Obviamente que a perplexidade de De Masi (“não entendo”) é retórica sofisticada.

Estudioso de assuntos brasileiros há mais de 30 anos, auto identificado “de esquerda” e defensor dos programas sociais petistas ele sabe muito bem o que foi que aconteceu para essa guinada espetacular no comportamento dos nacionais.

Em geral, independente da classe social, o brasileiro é medianamente bobo, infantil, imaturo, com comportamentos próximos ao que se conhece como “retardo mental”.

Ele gosta de futricas, de maledicência, do achincalhe ao outro, do apequenamento até mesmo de amigos e parentes bastante próximos.

É dessas horas que o brasileiro tira e faz graça; se diverte e veste o figurino que ele mesmo inventou de povo alegre.

Mas é dessa “alegria contagiante brasileira” que vem o alucinógeno que o deixa pasmado e inerte enquanto “ocorrem tenebrosas transações”

O economista Eduardo Giannetti, que nunca morreu de amores pelo petismo e pelas esquerdas em geral (preferindo a clássica posição de liberal), também está perplexo, mas com o PMDB: “a ficha dessa gente não caiu?” – pergunta, se referindo ao governo temerista e seus ministros já afastados por corrupção, e outros a serem afastados muito em breve.

Giannetti acha que o peemedebismo-temerista está brincando com fogo, pois, segundo ele, a população brasileira ainda está nas ruas.

Não sou exatamente um avalista de sua tese, fico mais com a de De Masi, embora o sociólogo italiano reconheça que Dilma e Lula foram excessivamente demonizados, como sinalização de que a população não vai parar de defenestrar corruptos, sejam eles quais forem.

Se for assim, ótimo, mas não estamos vendo nenhuma panela batendo nas janelas e nenhuma guilhotina armada na Praça dos Três Poderes, em Brasília, esperando avidamente pela chegada do pescoço de Michel Temer.

Já chegou o fim de ano, as pessoas estão de reparando pra pegar aquele bronze na laje ou na praia (poluída), se embebedar de cidra e se empanturrar de panetone e frango assado com farofa.

Alegria, Alegria!

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