“Modelos civilizacionais em disputa e os desafios para a sua superação”

civilizacao[O noticiário internacional não tem rendido manchetes positivas, segundo o professor de Ciências Econômicas na Université de Technologie de Compiègne – Sorbonne Universités, na França, Yann Moulier Boutang. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Boutang tece uma série de análises sobre fatos geopolíticos que marcaram o ano que passou. Para ele, 2016 será lembrado pelo “Brexit, a eleição de Donald Trump, a situação na Turquia, a intervenção russa na Síria com a tomada de Aleppo e a questão dos refugiados, a generalização do confronto Irã/ Arábia Saudita ao resto do mundo árabe e o desafio do terrorismo na Europa, a crise brasileira, a tensão no Mar da China e a situação chinesa interna”. Por outro lado, chama a atenção para o fato de que “o apaziguamento das relações entre os Estados Unidos e Cuba e o fim da guerra civil na Colômbia representam boas notícias”.

Boutang também aborda as principais tensões internacionais, assuntos que estão na pauta e que precisam ser enfrentados por países de Norte a Sul, de oriente a ocidente. O primeiro deles diz respeito ao futuro do planeta. “A questão da transição ecológica, na qual um dos pontos – mas não o único – é a transição energética para lutar contra o aquecimento climático”, aponta. O segundo diz respeito à “poluição dos solos, dos rios, a escassez da água, a poluição do ar nas grandes metrópoles, onde se concentrarão 85% da população mundial até 2050”. E, por fim, a emergência de se repensar as consequências da financeirização da vida, que se mostrou incapaz de enfrentar nossos grandes desafios: preservar o planeta e resolver o problema da pobreza em uma sociedade cada vez mais desigual.

Contudo, para o professor, não será possível conceber um quadro melhor para 2017. “É nesse terreno fértil em contradição que fecundam fenômenos como os confrontos inter-religiosos (xiitas/ sunitas, islã, budismo), os conflitos entre maioria e minorias e o recente crescimento de populismos essencialmente de direita (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Hungria, Holanda, Itália), mas também de esquerda (Espanha, França)”, adverte. Para ele, esses fenômenos, que não são novos, nada têm a ver com autonomia. “Travestem-se em ‘guerra das civilizações’ encenadas pelo terrorismo fundamentalista e por um populismo reacionário, mas tratá-los separadamente das contradições profundas que os alimentam leva somente a um teatro de sombras sem fim”.]

Leia texto na integra em http://www.ihu.unisinos.br/564868-desafios-para-superar-disputas-de-modelos-civilizacionais-entrevista-especial-com-yann-moulier-boutang .

Patrícia Fachin; edição João Vitor Santos; tradução Vanise Dresch.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s