“A transposição e a morte do rio São Francisco”

FranciscanoMenina dos olhos do petismo, especialmente de Luiz Inácio Lula da Silva, no curto, no médio e no longo prazo a transposição do rio São Francisco vai provocando a sua morte.

A transposição tem se acelerado e atende ao modelo econômico de rege a economia brasileira (a expansão da agricultura) especialmente a partir dos governos petistas de Lula e Dilma.

[“A ideia de aproveitamento das águas do São Francisco para projetos de irrigação de grande envergadura não é ruim”, mas considerando o “estado de fragilidade” dos afluentes que o alimentam, a execução de uma obra como a da transposição do rio São Francisco terá como consequência “acelerar a morte do rio”, diz Altair Sales Barbosa à IHU On-Line.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, o antropólogo comenta a inauguração do eixo leste da transposição do rio São Francisco, e afirma que “a pressa desenfreada para inaugurarem as obras se enquadra nos moldes ditados pelo modelo econômico que rege a política brasileira, visando à expansão de fronteiras agrícolas para atender as exigências do capital internacional, sem a devida preocupação com as consequências ambientais e sociais para o futuro regional e mesmo para o futuro do planeta”.

Barbosa explica que a transposição afetará “drasticamente a dinâmica” não só do rio São Francisco, mas de sua bacia hidrográfica, que “é formada por rios senis, que já atingiram seu estado de equilíbrio”. “As consequências do sistema de transposição serão danosas e num curto espaço de tempo levará à morte a maioria dos afluentes do São Francisco, incluindo o próprio rio. Isto acontecerá porque com a dinâmica alterada o transporte de sedimentos arenosos aumentará de forma assustadora, gerando dentre as consequências o assoreamento, já que a maioria dos afluentes do São Francisco corre por áreas da Formação Urucuia, cuja característica principal é a ocorrência de um arenito frouxo”. Além disso, ressalta, “o rio São Francisco integra um sistema composto por elementos intimamente interligados”, portanto “qualquer alteração nesses elementos provoca alteração no sistema como um todo”.

Altair Sales Barbosa possui graduação em Antropologia pela Pontifícia Universidad Católica de Chile, doutorado em Arqueologia Pré-Histórica pela Smithsonian Institution – National Museum of Natural History, de Washington, Estados Unidos. É coordenador do projeto Enciclopédia Virtual do Cerrado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, do qual é sócio titular.]

Veja a entrevista na integra em IHU/Unisinos.

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