Socialismo irá repetir o destino do feudalismo e ser derrotado pelo capitalismo?

Socialismo
Credito: o dia a história – blogger

Minha frase preferida nos anos 60 e 70 era “o avanço do capital é inexorável” – ou seja, é aquilo que “não cede ou se abala diante de súplicas e rogos; inflexível, implacável; cujo rigor, severidade, não pode ser amenizado”.

Enfrentei poucas e boas por conta disso, desde acusações de ser um radical marxista (sic) até um capitalista empedernindo.

Gostemos ou não dessa história temos de reconhecer, no entanto, o avanço do capital sobre a natureza e os seres humanos, não lhes respeitando nem fronteiras e nem limites; e nem súplicas ou rogos.

É uma questão de lógica.

Sistematicamente e a rigor, o capitalismo vinha derrotando o socialismo desde os primórdios deste último, assim como já havia derrotado o feudalismo, não apenas na Europa como também no Japão e na China.

O elo mais fraco desse confronto era justamente o socialismo.

Portanto, tudo era uma questão de tempo.

Dos avanços

Todos os setores da vida (assim como a natureza) foram impactados pelo avanço implacável do capital, muito especialmente o setor produtivo, e é aí que eu coloco meu pai nessa história.

Meu pai “virou” metalúrgico por volta dos 50 anos. Era um tempo em que se investia fortemente na mecanização do setor.

Anos mais tarde (como era de se esperar) chegou a vez da robotização.

Como todo “peão” de fábrica meu pai reagiu, temendo perder seu emprego e reclamando do PDV (Plano de Demissão Voluntária).

Achei exagerados tanto o medo quanto a reclamação.

Disse que eles deveriam enfrentar a realidade, pois, mais cedo ou mais tarde, parte da “peonada” iria para o olho da rua.

Então que fizessem um acordo com os patrões: eles garantiriam seis meses de treinamento (para que os peões conhecessem e se atualizassem na tal da robótica); quem se saíssem bem, ficava trabalhando na empresa; quem não fosse lá essas coisas, seria demitido (lembra-se do PDV?) e pelo menos sairia mais qualificado, podendo tentar vaga em outra empresa, ou até mesmo abrir uma pequena empresa, e mais importante: com um bom dinheiro no bolso.

A lógica do capitalismo (se não me falha a memória) continua sendo o capital (pouco ou muito, não interessa).

Do capital

Uma das mágicas do capitalismo é continuar resistente às ameaças e às intempéries, e mesmo assim continuar avançando, sem dar sinais de esmorecimento.

Aliás, no seu artigo de hoje, para o jornal El PaísAs distrações do senhor Adam Smith –, Mario Vargas Llosa fala exatamente disso, lembrando pensador o escocês, em “Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações (1776)”.

“O economista escocês explicou melhor que ninguém por que certos países progridem e outros retrocedem e qual é a autêntica fronteira entre a civilização e a barbárie”, diz Llosa.  “Viveu fascinado por averiguar o que mantinha a sociedade unida e estável, sendo os seres humanos tão egoístas, desobedientes e pouco solidários, por saber se a história seguia uma evolução coerente e o que explicava o progresso e a civilização de alguns povos e a estagnação e selvageria de outros” e “… no essencial, nenhum outro conseguiu explicar melhor por que certos países progridem e outros retrocedem e qual é a autêntica fronteira entre a civilização e a barbárie.”

Para quem ainda não tomou contado com a obra de Smith, os dois tomos (ao todo 900 páginas) estão disponíveis em PDF, que podem ser baixando apenas colocando o nome da obra.

Há ainda “Porque nações fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robison (também disponível em versão PDF).

Como complemento de leitura, sugere-se (todos no site Outra Palavras) A nova onda de automação e suas consequências, O Brasil e o Mercosul perdidos na Era Trump e Para entender o fascismo.

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