Globo falhou: não existe conteúdo concreto para incriminar Michel Temer

Patricia[A delação dos executivos da JBS e a gravação entregue pelo dono da empresa, Joesley Batista, à Procuradoria Geral da República (PGR), noticiadas pelo jornal O Globo na última quarta-feira, 17-5-2017, indicam que há um “desacordo entre o capital” em relação a qual será o seu candidato nas próximas eleições presidenciais, diz a cientista política Clarisse Gurgel à IHU On-Line, na entrevista concedida por telefone.

Na avaliação dela, “o furo da rede Globo, ao noticiar a gravação envolvendo o presidente Temer, não teve a força que a Globo tentou imprimir (…) porque efetivamente não existe conteúdo concreto que incrimine o presidente”, afirma. Para ela, “a pergunta que fica no ar é: por que a Globo estaria disposta a provocar tamanha instabilidade num cenário que já é de extrema instabilidade e numa conjuntura em que só falta um ano para as eleições diretas?”.

A resposta, afirma, pode se dar de duas formas: uma porque “a JBS é uma das maiores patrocinadoras da Globo, que enfrenta numa crise brutal”, e outra, para “criar um cenário favorável para que um segundo nome de possível candidato à Presidência apareça e seja aquele capaz de espelhar o Brasil que está devastado politicamente e que anseia por uma espécie de herói que irá inovar a política. Esse segundo nome seria capaz de implementar as reformas que o capital quer no ritmo e radicalidade que quer, e seria capaz de criar um ambiente de modo a flexibilizar o Estado ainda mais, para que a própria rede Globo seja salva”. Clarisse diz ainda que o envolvimento de Aécio Neves nas delações da JBS indica que a “movimentação” do grupo queria “respingar na disputa interna do próprio PSDB”.

Clarisse defende a tese de que os últimos acontecimentos, incluindo as investigações da Lava Jato, seguem um plano que, por enquanto, se desdobra em três níveis: “O plano A, que consiste em tornar Lula inelegível, o plano B, que é derrubar Temer para gerar uma eleição indireta”, e “um plano C, que é criminalizar Temer para fazer valer uma eleição mais favorável no ambiente do Congresso e viabilizar as reformas requeridas pelo capital”.

Os desdobramentos desses fatos, especula, expressam “duas movimentações subterrâneas”. Uma delas tem a finalidade de “criar uma nova arena para a política, que é a arena do Judiciário. Esse processo de judicialização da política vai forjando quadros no Judiciário para a disputa da República, e por isso surgem nomes como o da ministra Carmen Lúcia, de Jobim e de Moro”. A outra movimentação, afirma, “indica que ainda há o nome de Doria como aquele que começa a corresponder à necessidade de que o presidente da República espelhe os anseios da sociedade. Doria é um empreendedor de sucesso, sem passado político, e tem um potencial, portanto é possível o PSDB encontrar um quadro que não seja o Aécio”.]

Em “Delação dos executivos da JBS. Momento de indeterminação e desacordo entre o capital. Entrevista especial com Clarisse Gurgel” / Patricia Fachin para IHU/Unisino. Leia aqui a entrevista na íntegra.

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