Brasil parece ter perdido o rumo e vivemos num clima de salve-se quem puder

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Crédito da foto: Veja – Abril.com

Após o quebra-quebra de Brasília, esta semana, e a demonstração (estúpida) de força da Polícia Militar e, ainda mais, da convocação por Temer das Forças Armadas e da Guarda Nacional “para manter/conter a ordem”, o bizu dos dias seguintes foi Claudia Cruz, a esposa de Eduardo Cunha, inocentada por Sérgio Moro (no processo da Lava Jato).

Como coisa menor ainda tivemos o ex-ator pornô Alexandre Frota chamando para um seminário, ou coisa parecida, para discutir a escola sem partido.

Como muita gente não deve conhecer a palavra bizu, vale a pena nos fixarmos um pouco nela antes de seguir com Frota e Cruz.

Bizu é gíria que nasceu nos quartéis. ‘Os militares mais “antigos” sussurravam dicas nos ouvidos dos recrutas (chamados também de peixes) sobre como proceder para se dar bem lá dentro. Os comandantes observavam  mas de longe só podiam ouvir aquela onomatopeia característica de cochicho “bzbzbzu“. Dando assim origem ao termo bizu: “Atenção tropa! Não quero ouvir nenhum bizu aqui dentro”’ (http://www.dicionarioinformal.com.br/bizu).

A palavra bizu passou a definir todo bochicho, diz-que-me-diz e assim por diante (hoje de pouco uso, um pouco “fora de moda”).

Das escolas

A convocação feita por Frota para discutir a tal escola sem partido não pode ser encarada como surpreendente, muito pelo contrário, já que o ex-ator pornô foi (para isso mesmo) convocado por Mendonça Filho (ministro da educação), enquanto seu ministério ainda não registrou nenhum “recebimento” de quem discute, pesquisa e trabalha na área da Educação.

A ideia, claro está, é “desprestigiar” os profissionais em educação (trocados que foram por um ex-ator pornô sem a menor qualificação para esse tipo de discussão) e aniquilar a herança que a educação brasileira conquistou nos últimos anos, e a bem da verdade, pelo menos desde a redemocratização.

Das cruzes

Sem querer estigmatizar a jornalista, a inocência de Cláudia Cruz foi um troço bastante surpreendente (para ser mais objetivo, para lá de surpreendente) e acirrou ainda mais o clima de arquibancada na qual o país se transformou.

Como Sérgio Moro não é exatamente um homem ingênuo, abrem-se duas hipóteses para o feito do juiz: ou foi uma provocação a seus críticos (ferozes) ou foi uma inabilidade na qual o juiz não avaliou direito o atual estágio da nação e o acirramento (cada vez maior) do clima de confronto que se instalou por aqui.

Neste particular até gente que o andava apoiando, inclusive para uma suposta candidatura à Presidência da República, desceu-lhe o relho sem dó e nem piedade.

São três fatos – o quebra-quebra de Brasília, a inocência de Claudia Cruza e a escola sem partido de Alexandre Frota – que estão cada vez mais empurrando o país para um confronto aberto e de consequências imprevisíveis e inimagináveis.

Aparentemente, além de Michel Temer, o país, igualmente, perdeu o rumo e estamos vivendo em um clima de salve-se quem puder.

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