Moda que é moda anda meio fora de moda

Moda
Foto: Mundo do Marketing

Creio que eu já tenha contado essa história antes, não, necessariamente, no blog e sim em artigo de jornal (dos muitos para os quais trabalhei) ou (o que é menos provável) em algum artigo em revista (trabalho este raro).

Um dos nossos professores, Emir Nogueira, resolveu fazer um espécie de concurso de crônicas na classe.

Acabou por vencer o concurso um sujeito chamado Victor Israeli que narrava as suas aventuras de soltador de pipas.

Até achei a historieta dele bonitinha e engraçadinha, mas sempre tiver a certeza de que a minha era melhor, pois tratava de fazer uma comparação entre as meninas de São Paulo – principalmente da avenida Paulista, onde ficava a escola de jornalismo – com as garotas de Nova York, que já era, segundo John Lennon, a nova Roma – com toda a influência da metrópole norte-americana, principalmente no campo da moda e do comportamento.

Acabei ficando em segundo.

O professor não tinha lá grande apreço pelas coisas que eu fazia.

Achava que eu era “muito frio” e não demonstrava emoção alguma – o que, segundo ele, era fatal para um jornalista.

Pode ser que ele tenha razão (tivesse, porque já faleceu).

Mas desconfio, também, que pesou a favor de Israeli o fato de ele ser judeu – aliás, morador do tradicional (na época) Bom Retiro –; mas isso é apenas desconfiança.

Se tivesse prestado atenção, Emir Nogueira poderia ter descoberto que eu era cristão novo; então judeu por judeu estaríamos empatados.

A comparação que eu fazia na crônica mostrava que as paulistanas e as nova-iorquinas se vestiam exatamente do mesmo jeito (as jovens, bem entendido), mas se diferenciavam no jeito de andar: enquanto as brasileiras bamboleavam um bocado, as norte-americanas aparentavam um canguru saltador.

Isolado, na época, o Brasil se distinguia das modas norte-americanas e europeias (Europa Ocidental); distinção que aos pouco foi se desfazendo graças às influências do cinema e da TV.

Mas à revelia de São Paulo que sempre primou por copiar tudo o que “vinha de fora”.

Mas, como os aeroportos, hoje é quase impossível distinguir uma pessoa da outra – homens e mulheres – pelo que estejam trajando.

Os aeroportos também são todos iguais. Se você não prestar atenção vai acabar achando que chegou em casa, mesmo estando, por exemplo, na China.

Das especialidades

Exceção feita àquela estupidez dos regimes autoritários de esquerda – quem consegue esquecer os “terninhos” de Mao Tse Tung e mesmo dos modelos andróginos e tenebrosos adotados pelas ditaduras da Cortina de Ferro? – a moda, no mundo capitalista, sempre foi encarada com um negócio sério, capaz de gerar emprego e riqueza.

Quem primeiro, e há muito tempo, rompeu tanto com a moda rígida e careta, como com a tal alta costura – que distinguia, em classes sociais, as pessoas – foram exatamente os EUA, que a propósito de se ganhar muito dinheiro, criaram os magazines (as lojas de departamento) e democratizaram a moda para meninos e meninas.

Hoje, a não ser que você seja um expert em moda, é praticamente impossível distinguir o que é grife daquilo que é costurado numa fabriqueta de fundo de quintal.

Até aí a ditadura do proletariado foi derrotada.

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