Todo mundo diz que eu preciso parar de trabalhar… então, bora, parandooooo

IMG_20141011_134100277Hoje pela manhã encontrei um sujeito na fila daquelas farmácias que existem dentro de postos de saúde e de hospitais onde você pega medicamentos de graça.

Conversamos um bocado. Ele estava lá pegando remédios (disse ele) para sua mãe que infartou (assim como eu), colocou marca-passo (como vou ter de colocar) mas precisa, mesmo assim, tomar uma porção de medicamentos até os fins de seus dias (e eu também).

Não era um sujeito (assim como eu) que necessitasse pegar remédios de graça, mas como isso virou um direito, pegamos.

Aliás, fiquei surpreso por descobrir que muita gente (mas muita gente mesmo) que, em tese, poderia pagar pelo próprio medicamento se socorre dessas farmácias em postos e hospitais públicos, bem como das “farmácias populares”, onde você consegue bons descontos e em alguns casos (como ocorre como um dos remédios que sou obrigado a tomar) até grátis – lembrando que essas farmácias são privadas, e não públicas.

Das distorções

Essas (entre muitas outras) iniciativas, digamos assim populares (outros quererão dizer: populistas) são uma das muitas coisas da “Era Lula” que o Temer promete acabar.

As farmácias populares (que são privadas – lembremos sempre) devem ser “descontinuadas” em agosto ou setembro – não sei ao certo quando.

Segundo Temer, o programa será passado para os estados e municípios.

Já sabemos, portanto, o que vai acontecer com o programa “populista” da “Era Lula”.

Nunca provoquei (meu índice de perversidade não chega a tanto) mas é mais ou menos fácil perceber que gente (de todas as classes sociais) que se valeu dos “populismos” petistas bateu panela contra a Dilma, pediu e pede a prisão de Lula e reza pela extinção do Partido dos Trabalhadores.

Do trabalho

A questão aqui, no entanto, não é política ou ideológica (embora eu sempre passe por elas), mas de trabalho, ou melhor, da desnecessidade do trabalho como desculpa para que sobrevivamos.

O sujeito em questão – citado acima – disse o mesmo que o cardiologista que me acompanha, assim como disse a psicóloga que cuida da minha conturbada cabeça: deixe de trabalhar. Você nem precisa mais disso, então está trabalhando a toa. Hora dessas você vai ter uma novo infarto e morrer.

Eu sempre trabalhei por obrigação – não por obrigação moral – mais sim por ter que colaborar – “ajudar em casa” – ou mesmo sustentar algumas pessoas.

Ovos todos fritos, eu sempre achei uma chatice desumana ter de trabalhar; e – ao pé da letra e da lógica – sempre encarei o trabalho como um troço vergonhoso e desnecessário.

Mas parece que aí, também, somos frutos de nosso meio e, portanto, das nossas circunstância.

Tenebroso saber disso.

Teríamos sim outras formas de viver, por exemplo, pescando e caçando e esperando que alguma coisa nasça para poder, por exemplo, comer.

O trabalho é insano e eles – o neo amigo, o cardiologista e a psicóloga – têm razão: deveria eu para de trabalhar é viver de tédio, até mesmo do ócio não criativo.

Mesmo que fosse pra morrer de preguiça.

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