Filósofa foge do debate e abre mais espaços para novas críticas à esquerda

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Como não poderia deixar de ser o imbróglio entre a filósofa Márcia Tiburi e o ativista, dito de direta, Kim Kataguiri, semana passada, em Porto Alegre, atiçou ainda mais os ânimos no enorme campo de batalha no qual o país se meteu e que, agora, não sabe como dele sair, e, se sair, em que momento isso acontecerá, mas não antes sem vitimar reputações e até, por que não?, vidas.

Todo mundo já sabe mas é bom recordar ligeiramente o fato: Márcia Tiburi abandonou a sua participação na Rádio Guaíba, em Porto Alegre, na última sexta-feira, ao descobrir que o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri, era um dos convidados, e  que com ela debateria o caso Lula da Silva que momentos antes fora julgado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

O programa em questão é o “Esfera Pública” (das 13 às 14 horas, na Rádio Guaíba) que tem como um dos seus apresentadores Juremir Machado da Silva – escritor, tradutor, jornalista e professor universitário brasileiro, bastante conceituado no RS, onde, aliás, nasceu a filósofa.

Surpreendida, boa parte da chamada esquerda preferiu (pelo menos até agora) não se manifestar, assim como não se manifestou parte das feministas também, embora Tiburi se autodenomine “feminista”.

Aliás essa é um boa oportunidade para (re)lembrar que Tiburi costuma debater e estar presente em eventos com Luiz Felipe Pondé, autodeclarado antifeminista.

Seria o caso de a filósofa apenas se dispor a dialogar com os seus pares (sejam eles quais forem) desprezando gente como Kataguiri que já afirmou em diversas oportunidades ter abandonado o ensino superior?

Estaria Tiburi, assim, revelando um forte traço de preconceito e, portanto, conservador?

Ou seria algo mais grave ainda: Tiburi perdeu a capacidade de dialogar  e acabou, assim, explicitando aquilo que os conservadores e os liberais mais desprezam na esquerda: o ranço autoritário que necessariamente pode descambar para a censura?

Embora parte da esquerda tenha (a partir de um meme produzido pelo site petista 247) tentado ironizar  Kim Kataguiri (num ato que pareceu claramente de desespero, pois a esquerda sentiu o duro golpe com a atitude de Tiburi), o que se viu e se vê ainda é uma avalanche de maus-tratos e de ironia contra  a filósofa, muitas delas descambando para o  machismo; machismo que ela diz combater, mas que ingenuamente abriu aos machistas um flanco enorme de críticas e de justificativas.

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