Meu pai sempre repetia que “ninguém vai ficar para semente”.

Emptiness_Anatta_No_Self

Nunca ouvi a frase antes e nem depois, mas não sei se era original, pois meu pai nunca foi de cunhar frases, especialmente as de efeito, e não era exatamente um sujeito que a gente pudesse dizer que fosse inteligente ou um sujeito de virtù .

Virtù é um conceito teorizado por Niccolò Machiavelli , centrado no espírito marcial e capacidade de uma população ou líder, [1] mas também abrangendo uma coleção mais ampla de características necessárias para a manutenção do estado e “a realização de grandes coisas”.

E há um erro de concepção na oração: perpetuamo-nos sim, deixando sementes quando nós, mulheres e homens, geramos filhos. Aliás, uma das definições de concepção é “ação ou efeito de gerar (ou ser gerado) um ser vivo, em consequência da fusão do espermatozoide com o óvulo; fecundação, geração”, mas não no sentido que usei acima:  “obra da inteligência; produção, criação, teoria”.

Atualmente convivemos com alguns medos, como por exemplo, os da nossa extinção, até, provavelmente, a virada para próximo milênio – como defendem alguns teóricos.

Igualmente tememos um retorno à barbárie proporcionada pela nazi fascismo e pelo comunismo da URSS e da China de Mao Tse Tung – que,  aliás, Marx não previu.

Há quem defenda, entre esses, eu, que a ciência e a tecnologia, enfim, o conhecimento, possa resolver a questão da perenidade de nossa espécie.

Talvez não do sentido da eternidade, mas pelo menos do duradouro, sendo-nos capazes de nos transformarmos (evoluirmos) em outro ser, talvez além de humano (ou supra-humano).

Mas antes que isso aconteça temos de resolver algumas questões importantes e fundamentais ligadas às nossas doenças e ao meio ambiente que nos cerca, questões que aparentam estar imbricada.

Sobre o medo de um retrocesso aos totalitarismos de esquerda e de direita e a seus abusos, estes não me parecem muito assustadores.

Creio que já temos mecanismos nacionais e internacionais eficazes para combatê-los, como também a população mundial hoje está mais apta e mais capacitada para conter esses abusos.

Por mais que pareça que a humanidade viva num pêndulo perpétuo, vale notar que evoluímos, nem sempre a nosso gosto e prazer, mas o certo é que mudamos a maneira de nos enxergarmos e de permanecer na terra.

Trata-se de um caminho irreversível.

Se será eterno ou não, é provável que não o seja. Nada, nem o universo, é eterno.

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