Em Cotia presenciamos a um show da vida sem saída e sem alternativa

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SSaida
Apesar da precariedade da iluminação, dois momento da show sertanejo de ontem em Cotia

Fui ontem assistir a um show da dupla sertaneja Fernando e Sorocaba.

Claro que eu já ouvira falar deles, e acabei aprendendo mais uma coisa a respeito: “a dupla tem 10 anos de estrada”.

Não reconheci nenhuma “musica” que tentaram cantar, mas me chamou a atenção o número de jovens presentes – meninas e meninos – que saibam todas  e que dançaram a maioria.

Também fiquei impressionando como número de celulares que registraram o show em fotos ou vídeos.

Confesso que eu nunca gostei de música sertaneja de “nenhuma espécie”, nem aquela dita “de raiz”, como nunca gostei, por exemplo, dos repentes nordestinos; nordeste em que morei em três Estados.

Certa vez no Recife um colega de trabalho me convidou para assistir a alguns repentistas na área central da cidade, coisa que eu recusei, pois achava aquilo tudo muito chato, meio primitivo e sem graça.

O colega ficou bravo e retrucou dizendo que porcaria que ele conhecia era o “sertanejo paulista”.

Eu lhe respondi que também achava e o deixei amuado e sem palavras.

Creio que ele tenha cometido o velho erro da generalização: todos os paulistas gostam de música sertaneja, como, em contrapartida, todo nordestino devesse gostar de repentes nordestinos.

Uma bobagem infantil e precipitada, enfim.

O que me levou ontem ao show dos sertanejos não foi a comemoração pelo natalício da cidade – que, aliás, nem bolo tinha, e disso eu senti falta – mas a minha mania de observar as pessoas principalmente em grandes aglomerações, especialmente os jovens, e tentar entender não o que lhes passa pela cabeça, pois esta é uma missão impossível à qual não me dedico, mas sim constatar que há muito tempo nós os estamos deixando “ao Deus dará”.

Essa gente não tem emprego e, portanto, não tem futuro.

Por se tratar de uma maioria pobre, nem iniciativa têm para buscar um espaço diferente daquele no qual estão inseridos.

Parecem zumbis perdidos no tempo, que eles sequer reconhecem.

Conversei com alguns deles, ora aqui, ora ali, e pude mais uma vez perceber o quão nociva é a sociedade, principalmente as tais das autoridades públicas, que relegam essas hordas de jovens a um criminoso anonimato de insegurança.

Entendo que eles nem possam fazer um arremedo de revolução ou de revolta, pois não estão capacitados para isso e nem instrumentais teóricos têm para tanto.

Vão continuar vagando pela vida, matando e morrendo; se acabando em drogas, bebidas e obesidades.

Envelhecendo precocemente.

É isso que estamos legando a essa gente.

E aparenta ser exatamente isso que nossa sociedade quer legar a essa gente.

 

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