Com ou sem o lulismo o Brasil continua e continuará pobre

Pobreza
Navegações nas fronteiras do Pensamento

Temos várias maneiras de checar o índice de pobreza de um país como o Brasil, por exemplo.

Índice que dizem ter aumentado ou crescido (como se queira) em alguns milhões de pessoas após o final melancólico do período lulo-petista.

Eu não acredito muito nessa história, nesse discurso do petismo salvacionista, não porque não ache que o não houve crescimento no período, mais sim porque com o lulo-petismo ou sem o lulo-petismo continuamos o que sempre fomos, qual seja, não conseguimos sair de nosso misere que me parece eterno.

O que houve durante o lulo-petismo, além de muita roubalheira (às vezes justificável), foi uma espécie de encantamento de serpentes, com empregos precários e vagabundos (daqueles que você mal ganha um salário mínimo) e uma farta distribuição de benesses financeiras, via facilitação do crédito– carro, casa, roupa, relógio, telefones celulares etc. e tal –, o que, na prática, apenas beneficiou as indústria, os serviços e o comércio (que, diga-se, continuaram pagando salários precários, miseráveis a seus funcionários), enquanto nós, os pobres consumidores, tivemos e teremos de pagar a salgada e custosa conta.

Vamos todos parar, mais cedo ou mais tarde, no SPC.

Acabaremos por ter de entregar nossos carros e nossas casas (ambos já detonados pelo uso por nós mesmo).

Mas como lembrei acima, há várias maneiras de checar nosso índice de pobreza.

Podemos nos socorrer dos sofisticados (mas não isentos de manipulações) estudos acadêmicos.

Ou dos claramente manipulados e manipuláveis números e índices oficiais do governo, via IBGE, IPEA, Banco Central etc. e tal.

Se quisermos algo mais objetivo e preciso, no entanto, devemos observar o comportamento assustado e indignado das donas de casa nas feiras livres e nos supermercados.

Eu prefiro, porém, uma metodologia própria.

Observo aquelas pessoas, independente de suas idades, que vão a bares e padarias atrás de “comer um salgado”.

Salgado é aquele troço no qual quituteiros e padeiros acrescentam um bocado de sal: pasteis, coxinhas, rissoles, pedaços de pizza etc. e tal.

Repare que muita gente antes pergunta “quanto custa” para depois avaliar se tem capital (pois se trata mesmo de se fazer investimento para aplacar a fome) para comprar a guloseima.

Quase sempre essa gente não tem ou, quando muito, possui recurso para “apenas um salgado”.

E repare também que as pessoas nem pensam em tomar um café ou um refri, porque aí já seria demais para as suas parcas finanças.

Quando muito, e se o balconista ou atendente for simpático e condescendente, se arranja um copo de água torneiral.

Agora, fale sério: em sã consciência você acha mesmo que a situação financeira do brasileiro “melhorou” no período lulo-petista para depois despencar no interinato de Temer, ou o que se viu então, como cantou Paulinho da Viola, “foi um rio que passou em minha vida”?

E parece que levou tudo embora tal qual uma tsunami.

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