Revelações da CIA não trazem novidades e não devem mexer com a corrida eleitoral

Ernesto
Reprodução

As revelações de documentos da CIA (a agência norte-americana) a respeito da responsabilidade do ditador Ernesto Geisel na eliminação de opositores e adversários da ditadura militar não deveriam surpreender ninguém.

Olhando-se pelo prisma da prática repressiva, a ditadura militar brasileira fez um trabalho “perfeito”, tanto que praticamente aniquilou com facilidade e rapidamente os opositores e as guerrilhas rural e urbana, como ainda teve tempo de exportar mecanismos repressivos para países vizinhos – na Operação Condor.

Seria inimaginável, isso sim, que Geisel ou outros ditadores quaisquer não tivessem conhecimento do que ocorria nos chamados “porões da ditadura” e a eles não dessem aval e ordens.

Nesse sentido, é irrelevante o que publicou a Folha de São Paulo, há alguns anos, denominando a ditadura brasileira de “ditabranda” – um neologismo ridículo e provinciano, usado para fazer comparações impróprias com o que ocorreu no Chile, na Argentina e no Uruguai.

Portanto, não creio que, como muito gente está açodadamente já dizendo e escrevendo, a revelação vá servir para desmoralizar o jornal paulista, que cometeu a temeridade de dizer essa estupidez.

Há também, e isso até mesmo dentro da “grande imprensa”, quem veja no fato um detonador para a campanha de Jair Bolsonaro.

Aqui igualmente trata-se de um açodamento bobo e infantil.

Na prática, porém, o fato não deve mexer com um ponto sequer nas pesquisas de intenção de votos que hoje apontam Bolsonaro como líder – sem o Lula.

Mais provável é que as revelações da CIA venham alavancar a candidatura do parlamentar fluminense ou, na pior das hipóteses, a ele serem indiferentes.

A parcela da sociedade que apoia no parlamentar fluminense almeja isso mesmo: que os “inimigos comunistas” sejam eliminados a qualquer custo.

Se Bolsonaro for “esperto” e ”suficientemente cínico” deverá surfar nessa onda.

As esquerdas, por seu turno, deixaram passar uma oportunidade espetacular no mês de junho de 2013, quando se iniciaram os protestos de rua em São Paulo.

Menosprezaram aquela parcela jovem da sociedade brasileira, estigmatizaram a classe média nacional e o resultado não demorou a aparecer; resultado que deverá ter um desfecho bastante indigesto para as esquerdas nas eleições deste ano, correndo-se, inclusive, o risco de a população nacional eleger exatamente um sujeito como Jair Bolsonaro e um congresso pior do que este que aí está. (MTS)

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