Exploração do trabalho se dá até por quem teria o dever de combatê-lo

Justica
Canal Ciências Criminais – JusBrasil (ilustração alterada)

Quando foi implantada a Comarca de Cotia várias pessoas, especialmente jovens escolarizados, entre eles, eu, foram “convidado” a ajudar na sua implantação, quer dizer, para trabalhar de graça para a justiça.

E ainda tínhamos de levar as nossas próprias máquinas de escrever (não existia computador na época) para desenvolvermos nossa jornada de trabalho pelo bem de alguma coisa a qual eu nunca descobri ao certo qual seria.

Muita gente “botou terror” dizendo que se alguém não atendesse a tão nobre chamamento, recusando-o e por lá não comparecesse, teria sérios problemas com a lei e poderia ser até preso.

Eu não fui e também nunca fui preso.

Pelas experiências passadas, que me levaram a trabalhos não remunerados para Tribunal Regional Eleitoral (TRE), já antevia a cena e como nós receberíamos como paga pela jornada escravizante um sanduiche de mortadela e um refrigerante provavelmente quente, além de termos de arcar com os nossos próprios deslocamentos até o local indicado.

Para adoçar nossa boca durante a árdua e estafante jornada nos serviriam um cafezinho frio, vindo do fundo daquelas famigeradas garrafas térmicas.

O TRE me convocou três vezes para as eleições. Duas vezes como mesário – fui a ambas. A terceira vez como presidente da mesa. Declinei.

Também daquela vez alguém disse que eu teria problemas com lei, que não poderia faltar e patati e patatá.

Tudo uma imensa bobagem! O tribunal não têm qualquer controle para conferir quem vai ou deixa de ir, e mesmo que tivesse e nos cobrasse pela falta não teria qualquer poder para nos punir.

Portanto, como se vê, nunca me transformei em um foragido da justiça.

Tenho implicância com essas histórias de trabalhos voluntários, especialmente os “voluntários obrigatórios” como os citados acima.

Temos de ter ciência de que vivemos num país pobre, aliás, paupérrimo, e pedir voluntarismo para qualquer um soa como um acinte, como um desrespeito – a menos que o sujeito tenha muito dinheiro e/ou alguma conta a pagar junto à sociedade.

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