Os usos que damos às palavras e às expressões em nosso dia a dia

LulaCah
MTS sobre foto alterada

O jornalista Wiliam Waack, em seu Painel WW , disse, ontem, que os únicos dois heróis brasileiros são o juiz Sergio Moro e a cabo Kátia da Silva Sastre, que em frente a uma escola em Suzano (SP) reagiu a um assalto e matou o bandido.

WW costumeiramente é associado à direita brasileira, coisa da qual divirjo, preferido entende-lo como um cara liberal, tanto nos costumes quanto em economia.

Porém, não prezo o discurso de WW sobre Sérgio Moro e discordo da maneira como Kátia Sastre agiu, assim como discordo das homenagens prestadas pelo senhor governador de São Paulo, Márcio França, à PM.

Sobre Mouro pairam sérias dúvidas a respeito de sua conduta supostamente partidária, coisa que vem se espraiando para o exterior e até mesmo provocando uma tímida desconfiança no próprio país em gente que o apoiava abertamente.

Com a homenagem à PM, o governador paulista sinaliza um aval tanto para as ações tresloucadas e inumanas da polícia militar, quanto para que cada vez mais nos armemos, o que seguramente trata-se de um perigo, posto que, armados, podemos usar a arma em qualquer situação, inclusive em acidentes banais como os de trânsito, por exemplo.

Amigo de WW, a quem diz respeitar muito e o chama de “o maior jornalista brasileiro” vivo, Reinaldo Azevedo abre uma discussão interessante sobre o uso que a ex-presidente Dilma Rousseff, para a BBC de Londres, fez da palavra “reconstrução”: “Preso ou solto, condenado ou absolvido, Lula será necessariamente uma presença na reconstrução do Brasil”.

RA diz que o Brasil não está destruído – “ainda” – e que portando o uso correto seria “construir” – no sentido “de ajudar a”, “de ir em frente”, “ir à diante”.

Paralelamente, no entanto, RA caiu naquilo que chamo de “facilismo” ao dizer que “O Brasil ainda não está destruído, o que não quer dizer que não possamos chegar lá”.

Por mim, o uso da expressão “chegar lá” soa indevida e, igualmente, execrável, pois não sei ao certo se nos esforçamos ou queremos nos esforçar para “chegar a algum lugar” e muito menos se devemos “chegar a algum lugar”.

Talvez RA não queira, de um lado, afirmar que o PT destruiu o Pais (o que derrubaria parte de sua tese em defesa de Lula e contra as arbitrariedades supostamente cometidas por Moro) e de outro deixaria, ele que tanto defende o atual presidente, Temer montado em um perfil de incompetência, incapaz de “dar contra do recado” – continuando nesse linguajar popularesco usado pelo jornalista.

Seja tudo isso o que for, é sempre bom deixarmos nossos preconceitos de lado e prestarmos um pouco de atenção ao que falam esses jornalistas tidos como de direita.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s