Ler nem sempre ajuda alguém que está precisando de muita ajuda

Hei
Reprodução

O primeiro livro que eu vi em minha casa foi “Hei de Vencer”, de Arthur Riedel, que o publicou no início dos anos 50 ou mesmo na década de 40.

As suas primeiras edições (o livro fez, à época, um razoável sucesso) foram da editora Pensamento, ligada ao Círculo Esotérico do Pensamento.

O livro era de minha mãe e seu pai, o seo “Bepe” (José Boschetti), tinha ligações com o círculo místico.

O autor da obra era Arthur Riedel, um paulistano nascido em 27 de maio de 1888 e vice-presidente do Supremo Conselho Esotérico.

Provavelmente meu avô a tenha presenteado com a obra antes de morrer. Ele faleceu em 1955, dois anos depois de Riedel.

O autor da obra era, como se vê, ligado ao esoterismo e costumava receber em casa diversas pessoas para discutir o assunto e refletir sobre ele.

Pelo que sei meu avô nunca participou desses encontros e creio que nem das reuniões do Círculo Esotérico, limitando-se a comprar alguns de seus livros e outras publicações quaisquer.

Mística, minha mãe costuma ver feitiçarias em todo canto, temia despachos, pedia socorro a “macumbeiros” (sic), rezadores e benzedores com certa constância.

Mais tarde, quando deixou o catolicismo e migrou para uma igreja evangélica passou a ler compulsivamente a bíblia.

Leu-a várias vezes antes de perder parcialmente a visão e me presenteou com um de seus exemplares; os outros foram “tomados emprestado, mas nunca devolvidos” por uma de suas empregadas também evangélica.

Meu pai, ao contrário, nunca teve um livro sequer.

Ele sempre foi um sujeito meio chulo, algo grosseiro, avesso aos avanços da técnica e do conhecimento, enfim, da modernidade.

Em sua defesa, lembro que ele lia a Última Hora paulista e vez ou outra, quando eu ainda era pequeno, me levava ao cinema, mas a sua preferência era por filmes de bangue-bangue e alguns “capa e espada”.

Ele fazia jus à valentia que sempre procurou externar.

Sem muita certeza, até porque sempre foi muito difícil tirar alguma confissão e reflexão dele, creio que meu pai, até por ancestralidade, vivia ainda imerso no bandeirantismo paulista.

Minha mãe teve irmãos e irmãs. Que me lembre nenhum deles, nem cunhados e nem cunhadas, tiveram contatos mais íntimo com algum livro.

Portanto, a dona Elvira, minha mãe, seguiu, pari passu, e sozinha, o senhor José Boschetti, o pai, sempre ávido por leitura e que professava uma religiosidade particularmente mística, o que, por suposto, tornava a sua vida caótica e confusa.

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