Crise dos combustíveis é culpa da corrupção e da incúria petista e da incompetência temerista

Combu
Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Pode parecer sadismo, e talvez seja, ficar olhando e se divertindo um pouco para e com as imensas filas que se formaram nos postos de gasolina nesta manhã.

Se formaram e de nada adiantou porque não demorou muito para que os gerentes dos postos e os frentistas anunciassem que gasolina havia acabado.

Isso também foi bastante estranho porque os postos “fecharam” mais ou menos à mesma hora, pelo menos aqui na região de Cotia, o que parece ter sido uma movimentação orquestrada.

Mas como não tenho certeza disso fico apenas com mais esta teoria da conspiração.

Eu não tenho carro. Já tive, mas não tenho mais.

Pode ser que no futuro eu venha a ter outro, mas isso é bastante improvável.

Então dá pra eu observar e me divertir à farta sem qualquer tipo de culpa.

Nunca gostei muito de carro. Demorei para comprar um, e ao longo dessa minha vida, que não é curta, apenas tive três veículos.

Longe de mim ser um ambientalista de carteirinha assinada (como tantos que conheço), mas os automóveis (aqui estou falando “em geral” – carros a passeio, vans, ônibus, caminhões etc.) são um dos principais poluidores do planeta, se não forem os principais.

Também não entro nessa onda esquerdista de culpar apenas o Temer pelo caos, tentando tirar a bundinha da Dilma e do PT da reta, quando foram exatamente a corrupção do período dela e de Lula e o subsidio criminoso aos combustíveis que levaram a este caos atual.

O Temer só entrou no palco em seu papel de incompetente, que, acho, está desempenhando a contento. (MTS)

“A autodestruição da esquerda contaminada pelo lulismo”

LulaCah
Exame

[Influenciados pelas artimanhas do lulismo, vários segmentos da esquerda perderam, nos últimos anos, a própria capacidade de leitura crítica da realidade, abriram mão da independência política e embarcaram em processo suicida cada vez mais distanciado das classes trabalhadoras, do povo, da sociedade e do potencial de militância de esquerda latente na juventude brasileira, escreve Hamilton Octavio de Souza, jornalista, em artigo publicado por Correio da Cidadania, 15-05-2018.

Eis o artigo.

Influenciados pelas artimanhas do lulismo, vários segmentos da esquerda perderam, nos últimos anos, a própria capacidade de leitura crítica da realidade, abriram mão da independência política e embarcaram em processo suicida cada vez mais distanciado das classes trabalhadoras, do povo, da sociedade e do potencial de militância de esquerda latente na juventude brasileira. O mergulho equivocado no discurso fantasioso da direção petista fragilizou projetos autônomos e diferenciados de afirmação da esquerda partidária e social e conduziu boa parte desse campo político-ideológico a uma situação de subordinação cega a agrupamento que beira o messianismo. Como é possível que parcela da esquerda tenha perdido o fio condutor da racionalidade e da história?

Sem desprezar o mérito de análises mais amplas e detalhadas da conjuntura econômica mundial, da crise do modelo neoliberal e das inúmeras mutações do capitalismo no jogo internacional, que está a exigir, permanentemente, apuradas e eficientes estratégias na luta de classes, interessa concentrar a presente avaliação nos marcos da luta política no interior do Estado-Nação, aos acontecimentos locais que estão mudando a face do Brasil no decorrer desse início de século 21, entre os quais importa destacar:

1 – A eleição de Lula em 2002 com empresário de vice e a Carta ao Povo Brasileiro

Após ser derrotado em três disputas eleitorais para a presidência da República (1989, 94 e 98), Lula enfrentou a campanha de 2002 com várias mudanças significativas, desde a aliança com partidos tradicionais da direita, a inclusão de grande empresário mineiro (José Alencar) na chapa, o discurso do “Lulinha Paz e Amor” para agradar as classes médias, o apoio de oligarquias do Nordeste e de parcela da elite industrial paulista e, claro, a surpreendente Carta ao Povo Brasileiro, elaborada com aval da Odebrecht, família Marinho e banqueiros, selando o compromisso do lulismo com o modelo neoliberal e o jogo do mercado.

Era tudo o que os bancos e setores rentistas queriam. Evidentemente, o Lula de 2002 não tinha mais nada a ver com o Lula de 1989, o lulismo já tinha o controle quase absoluto do partido e várias correntes e militantes de esquerda já haviam sido empurrados para fora do PT. É o caso dos petistas que constituíram o PSTU, o PCO e outras organizações.

Dilema: O papel da esquerda era ganhar a eleição a qualquer preço ou continuar defendendo suas propostas até conquistar a população e acumular forças para realizar mudanças estruturais no país?

2 – O escandaloso esquema do “mensalão” com compra de votos no Congresso Nacional

O primeiro governo Lula, considerado “em disputa” por vários analistas no campo da esquerda, rapidamente trilhou o caminho do oportunismo e do fisiologismo: decidiu fazer reforma da previdência contra os interesses dos trabalhadores, o que provocou a expulsão de parlamentares fiéis ao programa partidário, os quais caminharam para a construção do PSOL; abandonou a proposta original do programa Fome Zero, que previa a adoção de reformas estruturais, para lançar o programa Bolsa Família, tipicamente assistencialista e que até hoje não livrou importante parcela da população da reiterada exclusão econômica e social; descartou o projeto de reforma agrária coordenado por Plínio de Arruda Sampaio, que previa o assentamento de 1 milhão de famílias e mudanças profundas na estrutura fundiária do país, para aderir ao projeto do agronegócio, que gera violência no campo, concentra a terra e é profundamente danoso ao meio ambiente. Vale lembrar que o número de assentamentos no governo Lula ficou abaixo ao que foi realizado no governo anterior de Fernando Henrique Cardoso e que o MST manteve a combatividade durante a maior parte do governo Lula e foi tratado friamente como movimento de oposição.

Além disso, o lulismo enfiou-se na lama com desvios de recursos públicos e captação de propinas para comprar parlamentares no Congresso Nacional, notadamente do PTB de Roberto Jefferson, do PP de Paulo Maluf e do PR de Waldemar Costa Neto, entre outros. O escândalo do “mensalão” abalou o governo Lula, que jogou toda a encrenca nas costas de José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e Sílvio Pereira. Embora seja difícil de acreditar que o “dono” do partido e presidente da República não tivesse conhecimento do esquema, o fato é que setores da burguesia, da grande imprensa, da indústria e do sistema financeiro decidiram preservar Lula como a solução “menos pior” naquele momento, o que o deixou o lulismo mais enredado com os grupos econômicos e políticos tradicionais. Ganhou a eleição de 2006 com arco mais amplo de alianças à direita.

Dilema: O papel da esquerda era insistir no projeto de conciliação proposto pelo lulismo ou construir oposição séria e firme ao neoliberalismo, às velhas oligarquias e ao conservadorismo de direita?

3 – O sucesso popular das medidas sociais efêmeras do governo petista

O governo Lula aproveitou a maré econômica favorável com crescimento puxado pela China, expansão do mercado internacional de commodities e razoável equilíbrio fiscal para adotar medidas de grande significado popular, como o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a massificação do programa Bolsa Família, que foram responsáveis pelo aumento do poder aquisitivo na base da pirâmide social e grande expansão do consumo, também estimulado por crédito farto oferecido por agentes financeiros públicos e privados a juros extorsivos.

Os investimentos em obras de infraestrutura, repasses de recursos públicos para os sistemas de saúde e de educação privados (ProUni e FIES nas universidades particulares), isenções fiscais e desonerações de vários setores industriais – foram medidas que contribuíram transitoriamente para diminuir a miséria, a desnutrição e também criar expectativa favorável ao início de nova era de bem-estar no país. Lula surfou na onda do “ganha-ganha” (ganham os pobres e ganham os ricos), quando boa parte da sociedade embarcou na ilusão de um mundo sem perdas, com superação dos conflitos sociais, a domesticação dos sindicatos e o isolamento de movimentos populares mais combativos.

Lula terminou o segundo mandato com índice de aprovação de 83%, elegeu seu “poste” Dilma Rousseff em 2010, impôs o vice Michel Temer (MDB) na chapa presidencial e deixou o governo fortalecido por amplo leque de partidos tradicionais, fisiológicos e de direita, desde o PP de Maluf, o PRB da Igreja Universal, o MDB de José Sarney, Eduardo Cunha, Romero Jucá, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Sérgio Cabral, e mais uma dúzia de legendas de aluguel. Vale lembrar que o esquema de propinas via diretorias da Petrobras já estava funcionando a todo vapor, abastecendo políticos e os caixas de pelo menos três partidos: PP, MDB e PT.

Dilema: O papel da esquerda era silenciar e ficar conivente com a euforia temporária de inclusão sem consistência ou adotar postura crítica contra a ilusória redução das desigualdades?

4 – A gestão Dilma Rousseff e a explosão de insatisfação geral de junho de 2013

O sonho de um Brasil próspero, de bem-estar generalizado com renda alta, empregabilidade e paz social, acabou nos primeiros anos do governo Dilma. Primeiro porque a economia mundial patinou na estagnação ainda decorrente da crise de 2008, a China reduziu o ritmo de crescimento e as commodities nacionais perderam espaço no mercado global. Os capitais trataram de buscar portos mais seguros. Segundo porque, de um lado a política de “desonerações” desencadeou enorme queda da arrecadação federal, nos estados e municípios, com aumento da desordem fiscal, inadimplência e quebradeira; e, de outro lado, porque o caixa do BNDES, que durante anos foi usado para alavancar alguns poucos e seletos grupos privados (entre os quais as chamadas “empresas campeãs” da JBS e de Eike Batista), perdeu a capacidade de fomentar a economia via Estado, depois de ter queimado investimentos em projetos questionáveis para o desenvolvimento nacional, como o financiamento da compra de frigoríficos nos Estados Unidos (JBS), obras de estradas, portos e aeroportos em países da América Latina e da África (Odebrecht, OAS, Camargo Correa etc.), os quais não renderam empregos no Brasil e ainda estão com dívidas junto ao BNDES e ao tesouro nacional.

Foi quando começou o tiroteio generalizado para ver quem iria pagar pela crise. Só mesmo o séquito de Brasília não percebeu as consequências negativas de tais políticas governamentais para a queda do padrão de vida das pessoas e o aumento acelerado do descontentamento. No final de 2012 e início de 2013 já se percebia, nos grandes centros urbanos do país, os primeiros ensaios das grandes manifestações que ocorreram em junho de 2013 – quando, ficou claro e patente, que a política de conciliação promovida pelo lulismo estava com os dias contados, que a explosão de insatisfação revogava o monopólio do PT sobre as manifestações de rua e, mais do que isso, que o modelo adotado pelo lulismo gerou enorme frustração não apenas nas classes médias, mas também na juventude, no operariado e em segmentos populares.

Vale lembrar que nesse período, de 2011 a 2013, o ex-presidente estava empenhado em viagens pela América Latina e países da África, nos jatinhos da Odebrecht e Camargo Corrêa (os registros da Infraero, depoimentos de pilotos das aeronaves e de diretores das empreiteiras podem atestar todos os voos e destinos), fazendo lobby para obras financiadas pelo BNDES, enquanto recebia vultosas doações para o Instituto Lula e pagamentos para a empresa de palestras LILS, além de curtir merecido descanso no sítio de Atibaia.

Sobre a efervescência política e o quadro de crise, o governo Dilma tratou de enrolar o país com promessas evasivas e medidas jamais colocadas em prática, entre as quais a realização de suposto plebiscito para a reforma política. O PT, através de seus movimentos sociais, conseguiu conter parte da rebeldia. A esquerda não soube dar direção ao movimento das ruas, a grande imprensa criminalizou/fantasiou os Black Blocs e o governo Dilma retomou a frágil governabilidade com inúmeras concessões – ao empresariado (mais isenções fiscais), aos banqueiros (elevação dos juros), ao agronegócio (anistia e refinanciamento de dívidas) e aos políticos (benesses nas emendas de deputados e senadores) – até as eleições de 2014.

O lulismo tratou de caracterizar as manifestações de 2013 como “coisa da direita”, estimulada pela grande mídia e pelo “imperialismo”. É o que Lula afirma até hoje sobre as jornadas de 2013.

Dilema: O papel da esquerda era desconsiderar o grau de insatisfação da população, inclusive das classes médias, ou aprofundar a crítica ao lulismo e ao governo Dilma com ampliação e organização dos trabalhadores e dos movimentos sociais?

5 – A fraude eleitoral de 2014 e a rendição ao ajuste neoliberal

A eleição de 2014 foi, provavelmente, a mais suja do período pós-ditadura militar. Não só pela quantidade de dinheiro colocada nas campanhas dos principais candidatos, mas pelo baixo nível dos ataques pessoais nas redes sociais, a montagem de agências de mentiras e intrigas e a ausência de debate sobre os reais problemas do país. O que vigorou foi um jogo sórdido de armações sem precedentes. Os eleitores foram enganados em todos os sentidos, tanto no discurso da situação (Dilma negava qualquer problema econômico e social) como no discurso da oposição (Aécio negava qualquer medida restritiva contra projetos sociais). As campanhas mais honestas de Marina Silva, então no PSB, e de Luciana Genro, do PSOL, não chegaram ao segundo turno. Dilma foi eleita com apoio de apenas 38% do eleitorado, a maioria ficou na oposição, no voto em branco, no voto nulo e na abstenção.

A fraude foi consumada nas primeiras semanas após o segundo turno, quando a presidente reeleita interferiu no câmbio, aprovou os cortes de benefícios sociais e colocou no Ministério da Fazenda o vice-diretor do Bradesco, Joaquim Levy, conhecido economista neoliberal e defensor de medidas ortodoxas de austeridade. Ou seja, Dilma ganhou com discurso contrário ao de Aécio, mas logo depois das eleições assumiu o programa de Aécio, fortemente bombardeado pela esquerda no processo eleitoral. Em pouco tempo, no final de 2014 e primeiros meses de 2015, a base de sustentação de Dilma (38% do eleitorado) ficou reduzida a pó.

A situação dela se complicou ainda mais porque tentou assumir o controle da Câmara dos Deputados com candidato do PT contra a articulação do MDB, que tinha maior número de parlamentares e amplo apoio no leque partidário mais conservador, o qual, diga-se de passagem, foi eleito em aliança com o PT e com recursos financeiros captados ilicitamente nos governos do PT.

Vale lembrar que no processo eleitoral o PT deu muita força à Rede Record, da Igreja Universal, e a vários grupos evangélicos extremamente conservadores, como contraponto às correntes influenciadas pela Teologia da Libertação mais críticas e identificadas com os movimentos sociais e partidos de esquerda. Ou seja, o lulismo construiu a sua própria forca na traição aos eleitores, com a mudança radical de programa econômico e no racha com a articulação do aliado Eduardo Cunha, do MDB. Mais uma vez, vale lembrar, foi Lula quem impôs o nome de Michel Temer para compor a chapa com Dilma.

Todos eles, na comemoração eleitoral de 2014, estavam felizes com a continuidade de um esquema bem sucedido desde os idos do “mensalão”. Vale lembrar, também, que o bispo Edir Macedo foi o único “capo” da grande mídia a comparecer ao beija-mão de Dilma no dia 1º de janeiro de 2015. Parece fácil e cômodo dizer que as manifestações pelo impeachment eram coisa de “coxinhas” da classe média, da direita, fomentada pela TV Globo, pela FIESP e pelo imperialismo dos Estados Unidos.

Pode ter tudo isso mesmo, mas bem antes disso algo já estava errado não no campo conservador e de direita, mas especialmente na conduta política e ética do lulismo e no fracasso das políticas sociais precárias, no fim do projeto de conciliação e na incompetência política e econômica dos governos Dilma. Não é por acaso que em tais governos tenham crescido a direita e o conservadorismo, e que nesses governos tiveram destaques figuras como José Sarney, Edison Lobão, Renan Calheiros, Romero Jucá, Jader Barbalho, Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima etc.

Dilema: O papel da esquerda era incorporar o discurso vitimista do lulismo contra o racha da aliança PT-PMDB ou denunciar o caráter fisiológico e conservador da aliança que governou o Brasil durante 13 anos?

6 – O avanço da Lava Jato e o novo protagonismo da Polícia Federal, do Ministério Público, do Judiciário e do Supremo Tribunal Federal

Em meio ao desgaste e esgotamento do projeto de poder do lulismo, ganha protagonismo, em meados de 2014, as investigações da força-tarefa da Lava Jato, que, a partir de esquemas de sonegação e evasão de divisas, operados por doleiros, desvenda o esquema de propinas e superfaturamento de obras e serviços na Petrobras, onde três diretorias atuavam na captação de recursos ilícitos para políticos do PP, MDB e PT.

Dessa vez, ao contrário do que tinha ocorrido em operações anteriores em casos escabrosos de corrupção (Banestado – 2003; Satiagraha – 2008; Castelo de Areia – 2009), a nova força-tarefa (integrada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, Judiciário Federal, Receita Federal) teve o cuidado de dar cada passo nos limites dos novos recursos legais disponíveis e com ampla exposição na mídia, de maneira a evitar que tais ações fossem invalidadas ou arquivadas nas instâncias superiores.

O grande avanço em relação às operações anteriores é que uma lei de 2013, sancionada pela presidente Dilma, possibilitou a utilização de colaborações (delações) premiadas como forma de negociar benefícios aos criminosos confessos que revelassem os crimes de outros participantes nos esquemas de corrupção. Com tais instrumentos legais, a Operação Lava Jato conseguiu condenar mais de 100 envolvidos nos desvios de recursos públicos da Petrobras, entre os quais grandes empresários, lobistas, doleiros, altos funcionários e políticos de vários partidos.

O lulismo tratou de espalhar a versão de perseguição política ao governo Dilma e ao PT. Mais adiante ampliou a versão de perseguição ao Lula, tornado candidato do PT, e aos políticos em geral. Mas, na verdade, o maior número de condenados pela Lava Jato não é de políticos e, entre os políticos, o maior número de envolvidos nos processos não é do PT. O PT e Lula jamais deram respostas minimamente convincentes aos crimes denunciados. Trataram apenas de se colocarem como vítimas, ora da Polícia Federal, ora do Ministério Público, ora do juiz Sérgio Moro, ora do TRF-4, ora do STF, ora do “Partido da Justiça”, como se o desvio de recursos da Petrobras não tivesse tirado bilhões de reais do povo brasileiro, não tivesse sustentado campanhas milionárias de coligações partidárias e não tivesse abastecido os bolsos de inúmeras pessoas, inclusive de políticos do PT. Que a direita pratique corrupção é a praxe no Brasil, mas que o PT tenha se envolvido foi algo muito mais danoso ao processo político, na medida em que frustrou a esperança de milhões de trabalhadores e destruiu a credibilidade pública de vários segmentos da esquerda.

A Lava Jato, queiramos ou não, mudou o olhar de boa parte da sociedade brasileira sobre o modo de fazer política e as relações do capital privado com o Estado. A esquerda não pode desconhecer algo tão concreto apontado por pesquisa recente do Datafolha, de abril de 2018, na qual 84% dos entrevistados aprovam a continuidade da Lava Jato no combate à corrupção. O que fazer?

Dilema: O papel da esquerda é passar por vítima da Lava Jato, ignorar os desvios do lulismo, ou mobilizar e conscientizar os trabalhadores contra a corrupção dos empresários, banqueiros, latifundiários e das velhas oligarquias da política?

7 – A derrocada da conciliação lulista e da precária estabilidade econômica e política

Em 2015, com as grandes manifestações contra o governo Dilma, com foco no impeachment da presidente reeleita, o PT conseguiu arrastar alguns setores da esquerda (partidos, movimentos sociais, entidades de classe etc.) na defesa do seu projeto contra o ataque de instituições da República e do conservadorismo de direita. No final do ano o lulismo sentiu o estrago provocado por seus próprios erros, em especial sobre a aliança com o MDB de Eduardo Cunha e de Michel Temer. O primeiro porque comandou o processo de impeachment na Câmara dos Deputados e o segundo porque traiu a coligação, a presidente Dilma, o PT e principalmente o lulismo, que havia colocado Michel Temer na linha da sucessão presidencial.

Ao sentir a barra pesada, o desastre acelerado em 2016 e 2017, o lulismo criou nova história para a sua própria trajetória:

1º) diante das investigações da Lava Jato sobre o ex-presidente, com vários processos em Curitiba, Brasília e São Paulo, adotou a figura do pré-candidato presidencial para fazer caravanas pelo Brasil e tentar blindá-lo de condenações por corrupção;

2º) diante do impeachment, apelou para partidos e movimentos de esquerda, que há muito tempo não tinham relações com o lulismo, em busca de unidade emergencial sob a alegação de que todos estavam ameaçados pelos “golpistas” e “fascistas”;

3º) diante da iminência de Lula se tornar inelegível, por causa da Lei da Ficha Limpa, e da própria prisão do ex-presidente, o lulismo tratou de sensibilizar a sua militância e outros setores da sociedade com foco nas eleições (Eleição sem Lula é fraude), na democracia (Direito de Lula ser candidato) e na liberdade (Lula livre), de maneira que os erros do lulismo, o fracassado governo Dilma, os escândalos da Petrobras, os processos e condenações por corrupção, caíssem rapidamente no esquecimento da população.

Com um batalhão de advogados e fortíssimo esquema de comunicação nas redes sociais, o lulismo tratou de atacar as ações e os personagens da Lava Jato, a grande imprensa, os integrantes das instituições do Estado (desde juízes e procuradores até ministros do STF) e ao mesmo tempo realizar atos e manifestações pelo país afora, principalmente com massas mobilizadas pelo MST e MTST. Tais ações visam principalmente desqualificar todas as forças políticas que se opõem ao lulismo, ao PT e às manobras de impunidade pelos crimes de corrupção; tratam de rotular e estigmatizar todo mundo como sendo “golpista” e “fascista”. Não é só a direita que critica o lulismo e o PT, mas também os liberais, os socialdemocratas, os anarquistas, os autonomistas, pessoas sem definição político-ideológica e muita gente da esquerda socialista e comunista.

Ao mesmo tempo em que consegue sensibilizar com discursos cada vez mais emocionais e messiânicos, o lulismo também estimula forte oposição ao PT e a seus novos e velhos aliados, contribui para a radicalização das posições e embaralha um processo eleitoral que poderia (poderia?) ter conteúdo renovador e promissor para a esquerda se não fosse a figura emblemática de Lula, que está preso, condenado, inelegível, mas ainda assim interfere no processo eleitoral não para liderar um projeto de Nação, mas para tentar salvar a própria pele; não para superar todo o estrago feito por seu aliado Michel Temer, mas para restaurar a velha ordem de alianças com as oligarquias políticas que participaram dos governos Lula e Dilma.

O que o lulismo propõe que não seja restabelecer a “harmoniosa conciliação” de antes da Lava Jato e da traição de Cunha e Temer?

Dilema: O papel da esquerda é reforçar o lulismo como salvação do Brasil ou retomar o debate de luta anticapitalista e de sociedade justa, igualitária, livre e democrática?

8 – A fase mística do lulismo aprisiona a esquerda no processo eleitoral de 2018

Depois do fracassado projeto de conciliação de classes, da explosão de insatisfação da população, do impeachment de Dilma, do envolvimento da cúpula do lulismo – junto com seus aliados da direita – nas bandalheiras da Petrobras, BNDES, CEF, fundos de pensão etc., era de se esperar que o PT fizesse um processo de autocrítica, avaliasse seus erros e desvios e promovesse uma renovação geral de seu programa e de seus quadros dirigentes. Nada disso foi feito. Ao contrário, subordinado ao lulismo, o PT insiste que foi vítima de golpe, é vítima de perseguição, é vítima do fascismo – e se contrapõe a tudo isso com o martírio em praça pública de sua maior liderança, que não seria mais um ser humano, mas um mito no patamar de Tiradentes, Mandela, Gandhi,  Luther King e Jesus Cristo.

A derradeira exortação de messianismo ativa o emocional das massas, clama pelo fanatismo, abandona em definitivo qualquer expectativa de projeto político construído coletivamente com a elevação das consciências, análise crítica e dialética, baseada na correlação de forças e na conjuntura; mas, ao contrário, o discurso do lulismo se atém na profissão de fé contra todas as evidências da realidade. Como tal fanfarronice mesclada na mística religiosa e dosada pelo egocentrismo pode contribuir para a caminhada da esquerda? O que pretende? Que a salvação virá pelo sacrifício humano transposto à condição divina? O que sobra de reflexão e de proposta política a esses setores da esquerda que ficaram atolados nos escombros do lulismo? Como sair da arapuca para retomar ao Projeto de Nação? Com quais princípios e valores a esquerda se apresenta para a sociedade brasileira?

A essa altura dos acontecimentos, com todas as informações disponíveis, parece sem sentido que algum cidadão ou cidadã ainda consiga aceitar que o ex-presidente Lula e seu grupo dentro do PT não tenham responsabilidades sobre os inúmeros erros políticos e gravíssimos desvios éticos praticados pelo lulismo. Querer inverter os fatos e esconder a verdade é manobra que atenta contra a inteligência dos brasileiros.

Ninguém com alguma dose de sensatez, conhecimento e consciência aceita mais o cinismo desenfreado e egocêntrico do lulismo, que jogou o PT numa arapuca desastrosa (vide eleições de 2016), tenta imobilizar o jogo político-eleitoral de 2018 e ainda quer arrastar toda a esquerda – movimentos sociais e partidos – para a marcha delirante da autodestruição. O que sobrará além da ladainha dos beatos?

Dilema: o papel da esquerda é fazer coro ao lulismo durante o processo eleitoral ou disputar as eleições com propostas próprias e independentes, expondo visão crítica sobre o lulismo e a direita?

9 – O que não dá para esquecer sobre a trajetória do lulismo

O lulismo entregou para a direita, seguidamente, várias bandeiras que já foram empunhadas pela esquerda, entre as quais a bandeira da ética na política, a bandeira do combate à corrupção e a bandeira da luta contra a impunidade – em particular a impunidade aos ricos e poderosos praticantes dos crimes do colarinho branco, como a sonegação fiscal, evasão de divisas, desvio do dinheiro público e as várias formas da corrupção. E como o lulismo deixou de atuar nessas questões, transferiu para o conjunto da esquerda a visão equivocada de que lutar por ética, contra a corrupção e a impunidade é coisa da direita, de “coxinhas” e da elite. Por isso mesmo tanta gente comprometida politicamente com a esquerda não se manifesta contra as bandalheiras comprovadamente praticadas pelo lulismo. Temem ser chamados de “golpistas”.

A verdade é que o lulismo em nada contribui para o avanço da esquerda. Ao contrário, só atrapalha. A esquerda patina há muitos anos por obra da contaminação do lulismo, que empata a luta, impede o livre debate e anula o surgimento de novos protagonistas e novas lideranças. Não se trata de uma questão de fé, mas de racionalidade e consciência das pessoas. Em entrevista recente para a Folha de S. Paulo, em 02.05.2018, o pensador de esquerda Noam Chomsky voltou a lembrar o que nos incomoda há vários anos. Disse ele: “a esquerda deveria fazer uma autocrítica, pensar nas oportunidades que foram desperdiçadas porque sucumbiu à corrupção”.

Enquanto isso não acontece, vale recordar o que não pode ser esquecido sobre o lulismo:

1) Desde a campanha eleitoral de 2002, e nas disputas municipais e estaduais, o lulismo sempre optou em alianças com a direita e pelo isolamento da esquerda.

2) O lulismo combateu e expulsou as correntes de esquerda do PT, além de ter atuado para enfraquecer os movimentos sociais e o sindicalismo combativo em seus governos.

3) Os governos Lula e Dilma abandonaram os programas de reforma agrária e fortaleceram muito mais o agronegócio do que a agricultura familiar.

4) Os governos Lula e Dilma não demarcaram as reservas dos povos indígenas e deixaram de regularizar milhares de áreas dos quilombolas.

5) Os governos Lula e Dilma aprovaram inúmeras obras altamente danosas ao meio ambiente, inclusive as usinas de Belo Monte e no rio Madeira.

6) Os governos Lula e Dilma mantiveram as taxas de juros sempre acima de 7,5% e cortaram verbas sociais para pagamento da dívida pública aos banqueiros e rentistas.

7) Os governos Lula e Dilma promoveram ampla “desoneração” (isenção de impostos) dos grandes grupos empresariais com enorme desfalque aos cofres públicos.

8) Os governos Lula e Dilma fizeram reforma da previdência danosa aos trabalhadores e cortaram benefícios sociais (auxílio saúde, salário desemprego etc.) dos mais pobres.

9) Os governos Lula e Dilma não reajustaram no mesmo nível da inflação as faixas de pagamento do imposto de renda, o que retirou recursos dos trabalhadores e dos assalariados em geral.

10) Os governos Lula e Dilma usaram bilhões de recursos públicos do BNDES para financiar obras em outros países, que favoreceram as grandes empreiteiras e deixaram de gerar empregos no Brasil.

Tudo isso é verdade.]

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IHU/Unisinos – Adital

Ministro Barroso descobre o óbvio: o brasileiro gosta mesmo é de viver à custa do Estado

Ministro Luis Roberto Barroso dá entrevista em seu gabinete
Folha Press

[O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse neste sábado (05/05) em Londres que é contra a convocação de uma nova constituinte e que a universidade pública deveria procurar outras formas de financiamento além do estatal.

Ele criticou ainda “a permanente dependência e onipresença do Estado brasileiro”. “Qualquer projeto social, econômico e político depende do Estado. Criamos uma sociedade que é viciada no Estado”, disse. “Temos que expandir a sociedade civil e reduzir essa dependência em que o Estado se torna mais importante do que a sociedade.”

As declarações de Barroso foram feitas na abertura do Brazil Forum UK, na London School of Economics, em Londres. A conferência tem como tema neste ano os 30 anos da Constituição brasileira de 1988. Também tiveram presenças confirmadas no evento a ex-presidente Dilma Rousseff e a pré-candidata à Presidência Marina Silva.

“Auto sustentabilidade”

No caso do modelo de universidade pública, Barroso disse que ele “custa caro e dá um baixo retorno para a sociedade”.

“O Estado não tem dinheiro suficiente para bancar uma universidade pública com a qualidade que o país precisa. A universidade precisa ser capaz de auto sustentabilidade, precisa ser capaz de interlocução, vender projetos para a sociedade, pedir contribuição, obter filantropia. Já há ricos suficientes no país, e eles acabam dando dinheiro para Harvard e Yale. Há um preconceito que precisamos superar”, ressaltou.

O discurso de Barroso não foi bem recebido por alguns membros do público da conferência, que chegaram a interromper a fala do ministro. Em outros momentos, alguns espectadores interromperam a palestra com gritos de apoio ao ex-presidente Lula.

À imprensa, Barroso disse que não estava defendendo a “privatização da universidade pública”, mas “arrecadar dinheiro”. “O que eu disse é que o dinheiro que o Estado brasileiro dá para a universidade não é suficiente para termos universidades competitivas mundialmente. A minha ideia é – sem abrir mão de nenhum centavo que o Estado dá – que a universidade procure a sua própria auto sustentabilidade. Pode ser vendendo projetos e serviços para a sociedade, arrecadando recursos de ex-alunos de sucesso e com filantropia. Não falei contra a universidade pública, mas a favor”, ponderou.

“Destruição criativa”

Ao comentar a crise política e os escândalos de corrupção, Barroso disse que “o processo civilizatório existe para potencializar o bem e reprimir o mal, mas o sistema político brasileiro faz exatamente o contrário: ele reprime o bem e potencializa o mal”. Ele também disse que “a corrupção no Brasil não foi resultado de falhas individuais”, mas “resultado de uma corrupção endêmica e sistêmica” de “um pacto oligárquico para o saque e desvio de dinheiro público”.

“Há quem se achava imune e não quer ser punido – até consigo entender, já que é da natureza humana. Mas há um lote pior: aqueles que não querem ser honestos nem daqui para frente, que gostariam de manter tudo como está.”

Barroso, no entanto, se mostrou otimista e disse que “o Brasil vive um momento de destruição criativa”.

“Há uma tensão no Brasil hoje, entre uma velha ordem e uma nova ordem que quer nascer. Acho que estamos atravessando essa transição”, avaliou. “A sociedade deixou de aceitar o inaceitável. Há uma imensa demanda por integridade, idealismo e patriotismo e uma importantíssima reação da sociedade civil contra esse modo natural de se fazer política e negócios. Esse trem já saiu da estação e não volta mais. Acho que estamos na véspera desse futuro que sempre é adiado. Se fizermos ajustes podemos dar uma contribuição muito interessante para a causa da humanidade.”

Sobre o aniversário da Constituição, Barroso afirmou que é contra a eventual convocação de uma constituinte, um tema que invariavelmente é citado como uma solução em períodos de crise. “Acho que não devemos desperdiçar o capital político que a Constituição de 1988 representa. Não devemos nos ocupar com uma nova constituinte”, disse.

Publicado originalmente em http://www.dw.com/pt-br/criamos-sociedade-viciada-no-estado-diz-ministro-do-stf/a-43666446?maca=bra-rss-br-br-1031-rdf

Parece que todos estão com muito medo em meio ao caos

Mecanismo
Reprodução

O PT e seus seguidores estão com medo não apenas do TRF4, de Porto Alegre, como também o STF, em Brasília, e, por consequência, temem que Lula vá preso no dia 5 abril, ou já no dia 4 mesmo.

Os adversários e odiadores do PT e de Lula temem que o TRF4 refaça aquele caminho condenatório que lhes parece correto e irremovível e acate os embargos lulistas; e temem, até mesmo, que o STF anule o que decidiu anteriormente, ou seja, que decida pela condenação ou não do réu (no caso, o Lula) apenas depois de esgotados todos os recursos no próprio STF (qual seja, na terceira instância).

Para conturbar ainda mais a situação, a Netflix lançou na semana que se findou a série “O mecanismo” que está irritando enormemente os petistas e seus apoiadores, que até se propõe a boicotá-la, até mesmo quem não tem sequer uma assinatura do “canal”.

Adversários do lulismo marcam para o dia 3 do mês entrante uma vigília para pressionar o SFT no sentido de não conceder o HC para Lula.

O clima também esteve bastante pesado a partir dos Estados sulistas, tudo por conta da Caravana do Lula, marcado por agressões, desvios de rota, cordões de isolamento e cancelamentos.

Trata-se de um momento bastante delicado da vida nacional, de resultados imprevisíveis.

“Com o produtor de ‘Narcos’ e mais de cem personagens: assim Netflix contará a Lava Jato”

Narcos
Reprodução

[Os porões dos gabinetes de políticos, empresários e lobistas brasileiros são a nova aposta da Netflix, que lança no 23 de março O Mecanismo. A nova série do brasileiro José Padilha, diretor de Narcos, bebe do turbulento noticiário brasileiro, mas reflete a sede de poder e dinheiro em quase qualquer país do mundo.

O Mecanismo se inspira na Operação Lava Jato, a investida policial e judicial contra a maior trama de corrupção do Brasil cujos tentáculos chegaram a, pelo menos, 12 países. O roteiro, nas mãos de Elena Soarez, narra a luta hercúlea de dois policiais federais para desmascarar um enorme esquema de corrupção que comprava, com malas de dinheiro, desde leis até partidos políticos inteiros. Mas a série irá além da Lava Jato. “A corrupção é uma característica inerente ao ser humano, pode ser vista no mundo inteiro”, alertam os criadores.

A série terá um presidente, um ex-presidente, deputados, policiais, promotores e lobistas, mas a intenção é desfigurá-los. “Não serão reconhecíveis. É como se a história ocorresse em um país longínquo de outra galáxia”, diz Marcos Prado, um dos três diretores que trabalham junto com Padilha.

Nessa trama policial há especial interesse em retratar a obsessão. A dos que exercem o poder e querem ainda mais, e a dos próprios investigadores por resolver o caso. O Mecanismo tem mais de cem personagens.]

Leia matéria completa no El País.

Enroladinha

A presidente do PT, Gleise Hoffman, fala um bocado, coisas cada vez mais sem sentido. Só não explica as falcatruas das quais é acusada, que vão do IPVA à conta de luz pagas, supostamente, com dinheiro oriundo da corrupção.

Inocente ou culpada, Gleise Hoffmann tem a obrigação moral de explicar que rolo é esse.

Gleise
istoe.com.br

“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira, 8, em Guarulhos o deputado federal João Rodrigues (PSD-SC). A PF cumpriu o mandado de prisão expedido pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) após a decisão majoritária do Colegiado na terça-feira, 6, na qual foi determinado o início do cumprimento da pena.

João Rodrigues foi condenado em segunda instância a cinco anos e três meses em regime semiaberto por dispensa irregular de licitação.

O Estado de São Paulo

Situação de Lula se agrava e ele fica mais perto da prisão

Lula
Reprodução (manipulada) de foto do El Pais, via twitter

A partir de hoje, Luís Inácio Lula da Silva tem 12 dias para entrar com os embargos de declaração.

O ex-presidente perdeu o direito aos embargos infringentes já que os três juízes de 2ª instância votaram de forma unânime.

Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês pelo TRF 4, e teve a pena agravada daquilo que previu o juiz Sérgio Moro.

Hoje mesmo a defensa de Lula anunciou a contratação de Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF, que deverá impetrar habeas corpus junto ao Supremo para evitar a prisão de Lula.

Por outro lado , o STF determinou a prisão imediata do deputado João Rodrigues (SC), condenado, como Lula, em segunda instância.

Duas péssimas notícias para o ex-presidente.

Leia também:

CONDENADOhttps://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/02/06/stf-determina-que-deputado-cumpra-prisao-apos-condenacao-em-2-instancia.htm

STFhttps://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2018/02/advogados-de-lula-convidam-sepulveda-pertence-para-integrar-defesa.shtml

12 DIAShttps://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/02/defesa-de-lula-tem-12-dias-para-apresentar-recursos-no-caso-triplex.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=twfolha

Temer deve/pode cair e eu perder uma aposta alta que ninguém aceitou

Temer

Abri uma aposta agorinha pouco nas redes sociais dizendo que Michel Temer não cairia e que, ao contrário, aprovaria a maioria das matérias de seu interesse, que ele traduz, a seu modo, como de interesse da população.

É sempre uma temeridade abrir uma aposta desse tipo (além de que dupla), pois Michel Temer não está exatamente numa situação confortável.

Leio no UOL (Folha de São Paulo), por exemplo, que Aliados já elaboram planos para a sucessão de Temer.

De qualquer forma não recuo da aposta.

Com esse congresso que se tem por aqui, no momento, e com a população “anestesiada”, e ainda embarcando no discurso da meritocracia (veja como João Dória Júnior em São Paulo, por exemplo, tem um bocado de neo e antigos correligionários e admiradores), tudo pode acontecer.

Também apostei, e perdi, que Dilma Rousseff não cairia, e não daria, portanto, lugar ao vice Michel Temer, que colaborou, aliás, muito para a sua queda.

Imaginava eu que Dilma e o PT, principalmente, reuniriam forças suficientes para bloquear o impeachment e que Eduardo Cunha, o principal algoz da presidente, cairia antes, e com isso se estancaria o processo.

Mas não foi isso o que aconteceu, como todos nós sabemos.

Dos movimentos

Com pouco poder e basicamente desarticulados, os movimento sociais (mais os sindicatos do que qualquer outro) não estão conseguindo dar as cartas na sucessão do presidente Temer e nem devem emplacar a tese das Diretas Já, que, aliás, é inconstitucional.

Dos futuros

PSDB, parte do PMDB, com a ajuda do DEM e de alguns partidos menores, já tramam a queda de Michel Temer, a sua sucessão e a eleição indireta, como reza a constituição.

PT, PSol , PCdoB e partidos de esquerda menores não conseguem se articular e mostrar força, e aquele lero-lero de ontem no Senado foi uma boa mostra de que as esquerdas estão frágeis e que lhes resta apenas partir para as “vias de fato” e fazer muito barulho.

Muito barulho pra nada.

Notas importantes de uma crise que irá até o fim do mundo

FHC
Crédito da foto: GGN

Fernando Henrique Cardoso, o FHC, está dando o melhor de si: critica e pede a renúncia de Michel Temer na quinta-feira (passada) e telefona para afagos a Temer no domingo.

Faz mais: diz que quer dialogar com o PT para o enfrentamento da crise, mas num dialogo (monologo?) que nunca acontece.

Diz FHC que a culpa é do Lula que não aceita dialogar com ele e com o PSDB.

Bem… Lula tem uma carrada de defeitos já sobejamente conhecidos, mas duvido muito dessa conversa do FHC de que Lula não deseja dialogar. O “sapo barbudo” não é tão irresponsável assim

Esse papo do FHC soa com mera desculpa para ficar em cima do muro.

Dilma Rousseff está se virando na cama, perdendo sonhos e sonos e suspendendo viagens internacionais (pra Inglaterra, por exemplo) preocupada com a crise, que é, segundo ela, bastante grave.

Que é grave todos nós sabemos, mas Dilma Rousseff tem seu quinhão de culpa na crise (e que quinhão!) ao ceder ao canto de sereia de Lula e do PT, abrindo as torneiras (escancarando-as, na verdade) à gastança pública desenfreada e irresponsável.

Estive hoje conversando com um daqueles ”populares” (sujeitos) que fizeram parte da corrente insana e irresponsável que derrubou a presidente Dilma Rousseff (o Temer é vice, sempre se lembre disso).

Ele disse um coisa que não disse: que avisou as pessoas que era melhor deixar Dilma na presidência do que troca-la por um outro (no caso, Temer), pois, segundo ele, isso “não iria dar certo”.

Não me lembro de ele ter dito isso não, todas as vezes que conversamos; muito pelo contrário: ele vibrara com a possibilidade da queda da presidente, a quem taxava de incompetente.

O que sei é que muita gente que apoiou a deposição de Dilma Rousseff hoje em dia está roendo suas ignorâncias, suas insignificâncias, suas indignações e suas frustrações.

Não deveriam! Deveriam ter ponderado (à época) o quanto havia de estúpido em se derrubar uma presidente (ou mesmo um presidente) eleito pelo voto popular de maneira impune e sem consequência.

Tudo tem um reflexo, que não é exatamente como ir ao shopping center ou o lavar o carro num final de semana.

Aqui você faz, aqui você paga” – é o pior da história: estamos pagando todos, mesmo aqueles não desejamos e nem quisemos a queda de Dilma Rousseff.

A crise de alastra!