Estratégia pune o PT mais uma vez

Abogado
Advogado argentino que supostamente ia entregar um terço abençoado pelo papa a Lula – http://www.jb.com.br

Essa história de o papa Francisco ter enviado um  terço para Lula a Curitiba foi, desde o começo, uma história mal contada e que acabou como (mais um) um enorme vexame do Partido dos Trabalhadores, pego este na mentira.

O interlocutor, um advogado argentino, de pronto já não inspirava a menor confiança, mas não se pode culpar a sua nacionalidade, como fez a Vera Magalhães, da Jovem Pan, pela falseta.

Dificilmente o Vaticano correria o risco de confrontar as leis brasileiras embarcando nessa história irreal de que Lula é um “preso político”.

Se assim fizesse, o Vaticano correria sério risco de desgastar ainda mais o já combalido catolicismo e se chocaria com o Estado brasileiro.

Por que iria o Vaticano iniciar uma guerrinha  com o Estado brasileiro? Com que propósito?

Nas muitas diversas vezes em que dirigi redações de jornais e de agências de notícias sempre defendi que nós jornalistas não poderíamos ser ingênuos e deveríamos ser bastante bem informados, bem acima da média do população, para não cairmos nas armadilhas que a informação e as notícias nos preparam.

Sei, obviamente, que a massa de fanáticos petistas foi estimulada pelos  veículos de informação do PT, alguns deles com ares de independência, o que, obviamente, não é o caso.

A ideia era uma só: pegar um aventureiro qualquer,  que se dispusesse a praticar a armação, e, assim, difundir ao máximo a historieta  junto à massa fanática de petistas, que não se vexaria a dar amplitude à mentira, até porque esse tipo de gente, dogmática, acredita nas coisas mais bizarras e estranhas que saem “das bocas petistas”,  não se importando, nem um pouco, em checar a origem da informação.

Mas ocorre que mesmo nesses casos, a mídia petista deveria ter um mínimo de responsabilidade para não alimentar esse tipo de farsa (fake, factóide), até porque esse tipo de mentira é facilmente desmascarada, o que apenas contribui para a desmoralização do PT.

Costumo repetir em várias de minha postagem que “o PT já foi melhor do que isso”.

Mas também entendo (embora isso não se justifique) que a ideia do PT é salvar a “honra” de Luiz Inácio Lula da Silva e atacar (demonizar) a do juiz Sérgio Moro.

Ocorre, no entanto, ser fácil perceber quem está goleando quem nessa guerra bizarra e sem sentido.

Márcio Tadeu dos Santos

“Pesquisa: notícias falsas circulam 70% mais do que as verdadeiras na internet”

Nota falsa
Uma mensagem falsa tem 70% mais chances de ser retransmitida (Reuters/Kacper Pempel)

[Notícias consideradas falsas se espalham mais facilmente na internet do que textos verdadeiros. A conclusão foi de um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), instituição de ensino reconhecida mundialmente pela qualidade de cursos de ciências exatas e de áreas vinculadas à tecnologia.

Os pesquisadores Soroush Vosoughi, Deb Roy e Sinan Aral analisaram 126 mil mensagens (não apenas notícias jornalísticas) divulgadas na rede social Twitter entre 2006 e 2017. No total, 3 milhões de pessoas publicaram ou compartilharam essas histórias 4,5 milhões de vezes. O caráter verdadeiro ou falso dos conteúdos foi definido a partir de análises realizadas por seis instituições profissionais de checagem de fatos.

Os autores estimaram que uma mensagem falsa tem 70% mais chances de ser retransmitida (retuitada, no jargão da rede social) do que uma verdadeira. As principais mensagens falsas analisadas chegaram a ser disseminadas com profundidade oito vezes maior do que as verdadeiras. O conceito de profundidade foi usado pelos autores para medir a difusão por meio dos retuítes (quando um usuário compartilha aquela publicação em sua rede).

O alcance também é maior. Enquanto os conteúdos verdadeiros em geral chegam a 1.000 pessoas, as principais mensagens falsas são lidas por até 100.000 pessoas. Esse aspecto faz com que a própria dinâmica de “viralização” seja mais potente, uma vez que a difusão é “pessoa a pessoa”, e não por meio de menos fontes com mais seguidores (como matérias verdadeiras de contas de grandes veículos na Internet).

Motivos

Os pesquisadores investigaram o perfil dos usuários para saber se estaria aí o motivo do problema. Mas, para sua própria surpresa, descobriram que os promotores desses conteúdos não são aqueles com maior número de seguidores ou mais ativos. Ao contrário, em geral são pessoas com menos seguidores, que seguem menos pessoas, com pouca frequência no uso e com menos tempo na rede social.

Uma explicação apresentada no estudo seria a novidade das mensagens. As publicações falsas mais compartilhadas eram mais recentes do que as verdadeiras. Outra motivação destacada pelos autores foi a reação emocional provocada pelas mensagens. Analisando uma amostra de tuítes, perceberam que elas geravam mais sentimentos de surpresa e desgosto, enquanto os conteúdos verdadeiros inspiravam tristeza e confiança.
Política no centro

A pesquisa também examinou a disseminação por assunto. As mensagens sobre política circulam mais e mais rapidamente que as de outras temáticas. Esses tipos de conteúdos obtiveram um alto alcance (mais de 20 mil pessoas) três vezes mais rápido que as publicações de outros assuntos. Também ganharam visibilidade os tuítes sobre as chamadas “lendas urbanas” e sobre ciência.

“Conteúdos falsos circularam significantemente mais rapidamente, mais longe e mais profundamente do que os verdadeiros em todas as categorias de informação. E esses efeitos foram mais presentes nas notícias falsas sobre política do que naquelas sobre terrorismo, desastres naturais, lendas urbanas e finanças”, constaram os autores.

Robôs

Os autores também examinaram a participação de robôs (bots, no jargão utilizado por especialistas) na disseminação dessas notícias. Diferentemente de teses apresentadas em outros estudos, os robôs avaliados compartilharam mensagens falsas e verdadeiras com a mesma intensidade. “Notícias falsas se espalham mais do que as corretas porque humanos, e não robôs, são mais suscetíveis a divulgá-las”, sugere o artigo.]

Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil, Edição: Fernando Fraga para Agência Brasil