O que será do Brasil no pós-Dilma?

EhaDilma
Crédito da foto: agencia2.jornaltijucas.com.br

Tem muita gente apavorada com as manifestações de ontem.

Não é para tanto (leia aqui: https://afalaire.wordpress.com/2016/03/14/que-manifestacao-e-essa/).

Essas pessoas devem ter suas razões, mas desconfio que essas razões estejam submersas no subconsciente dos desesperados: ignorância e desconhecimento total do Brasil (real).

Muita gente pergunta de onde vem esses protestadores todos.

Respondo: daqueles 11% de odiadores que já apareciam nas pesquisa quando o PT surfava na presidência e Lula nos mais de 80% de aprovação (veja mais uma vez o link acima ou este texto da Folha de São Paulo).

É certo que parte da periferia (principalmente a urbana) está um bocado irritada com o governo de Dilma Rousseff e meio que “tomada” pela avalanche de notícias negativas que a mídia faz a gentileza de disponibilizar ao distinto público de minuto a minuto.

Mas também é certo anotar que as razões dos protestadores de ontem (e de outras manifestações) não são as mesmas das periferias, cujas principais razões são a carestia e o desemprego.

No mais, são pessoas que não se convergem e nem se encontram; muito pelo contrário: cada vez mais se distanciam e se repelem mutuamente.

O primeiro erro

O primeiro e crasso erro é justamente a ignorância e o desconhecimento, mas, ao contrário, essas periferias (urbanas – principalmente – e rurais) deveriam ser campos férteis para a atuação das autoproclamadas esquerdas e dos defensores das políticas públicas do petismo.

Mas elas (as esquerdas) não fazem isso (a não ser em casos pontuais e esporádicos), preferindo dormitar em seus ganhos pessoais e/ou grupais e atacar aquilo que chamam de direita nas redes sociais.

O segundo erro

E é aí que a porca torce ainda mais o rabo.

As assim chamadas esquerdas usam da mesma estratégia daqueles que elas chamam de direta: desinformação, contrainformação, mentiras, meias verdades, ataques pessoais, desconstrução do adversário/inimigo.

Nessa pendenga insana, se se pode apontar um vencedor, este é a direita, cujas estratégias são seguidas ingenuamente pelos tais dos esquerdistas.

Pelo que mostram os resultado nas redes sociais e nas ruas, a vitória é acachapante e humilhante (para as esquerdas).

O flanco aberto para a exploração, pelos esquerdistas, da periferia, está aberto e sangrando, mas está sendo, paulatinamente, ocupado pelos de direita.

O futuro e outro erro

Seja qual for o Brasil no pós-Dilma (o imediato, como querem alguns, ou o natural, a partir de 2019) a pergunta que fica é: o que será do país depois?

Embora a oposição seja (politicamente) incompetente (disso até ela mesmo sabe), uma possibilidade é que o país seja governado por ela por absoluta falta de opção.

Mas e daí?

O PSDB (por exemplo) vai fulminar os avanços sociais conquistados durante os quatro governos petistas?

Duvido que tenha esse colhão.

O país vai retornar de cabeça ao modelo neoliberal que já faliu há um bocado de tempo em todo mundo?

É bastante improvável.

Mas vá lá. Suponhamos que ambas as coisas venham acontecer.

Quanto tempo duraria um governo neoliberal capitaneado pelos tucanos?

Alguns meses? Um ano? Quem sabe, dois?

Querem apostar comigo que não duraria nem um ano?

Que povo pobre aguentaria mais um governo, agora com tinturas de livre mercado, e por quanto tempo?

Dois meses? Quatro meses? Pouco menos de um ano?

Que governo aguentaria uma ruma de gente (agora somada aos milhões) nas ruas, praças, avenidas e estradas, parando não apenas o trânsito mas muito especialmente o setor produtivo?

Pense, e se quiser apostar comigo, eu sou todo ouvidos. E aceito até geladeira velha ou um saco de bolinha de gude de pagamento da aposta perdida.