Esquerda midiática tenta transformar Manuela d’Avila na nossa Joana d’Arc

Manu
TV Cultura / Reprodução

Começo invertendo a proposição do texto e perguntando: ancorado em argumentos frágeis,  de precária aceitação, o jornalismo militante de esquerda vai vencer a batalha por corações e mentes dos brasileiros?

É bastante improvável!

Pois então  vamos aos fatos.

A participação de Manuela d’Avila no Roda Viva (TV Cultura de São Paulo), na última segunda-feira, provocou uma reação descabida do jornalismo militante de esquerda, coisa da qual nem mesmo a política gaúcha tomou parte.

Não é difícil saber de onde partiu a raivosidade (dos petistas) e nem o por que da raiva (de a TV ser uma estatal comandada por um governo – estadual – tucano).

Colocadas essas premissas todas resta-nos saber se as tais das interrupções a que esteve submetida a política do PCdoB gaúcho foram exageradas e descabidas e uma demonstração de machismo e de misoginia por parte da bancada de jornalistas, alguns não necessariamente jornalistas, mas isso é uma constante que se vê desde que o programa foi criado em 1986.

Desatenta, ou propositalmente desatenta, a esquerda – que trocou o jornalismo pela militância política –  também acusou a emissora desse pecadilho.

Aliás, já estão pedindo (e só podia ter partido do site petista 247, como partiu)  até que a emissora “peça desculpas” (SIC) à entrevistada.

Se a moda pega, nenhum jornal, revista, TV ou rádio vai mais correr o risco de entrevistar quem quer que seja.

A militância esquerdo-midiática também  abusa do direito de tergiversar.

Desde que o mundo é mundo espera-se que o(s) jornalista(s)  inquira(m) sim o entrevistado, o acue, e se for o caso, acrescento, sem dó e nem piedade.

Aliás, este que lhes fala (ou melhor, escreve) fez da entrevista uma constante em apertar,  amassar o entrevistado, e colocá-lo contra a parede.

Entrevistado não  é amiguinho de jornalista e vice e versa.

O papel do jornalismo é exatamente esse: não dar tréguas ao entrevistado e explorar e expor as suas contradições.

E de mais a mais, acrescente-se (portanto trata-se de mais uma mentira da militância esquerdo-midiática) o Roda Viva surgiu exatamente com essa proposta:  a de não permitir sequer que o entrevistado tome fôlego.

Se a bancada do Roda Viva fez alguma coisa diferente disso (e deve ter feito) o erro, o equívoco esteve nessa tibieza, e não no apertão que se deu na política gaúcha.

Por fim, a acusação de machismo e de misoginia é apenas uma muleta que muita gente (não só a militância esquerdo-midiática) anda usando com certo desassombro e destemor.

Não perceberam ainda que foram essas “modinhas” politicamente-corretas que levaram à derrocada do petismo que eles defendem com certa cegueira.

Márcio Tadeu dos Santos

Onde estávamos enquanto a ditadura nos matava?

Bolsobra
Reprodução

Os veículos de comunicação e a academia estão correndo para ajustar a nossa história após a revelação da CIA (a agência norte-americana) dando conta de que Ernesto Geisel não apenas estava ciente como ainda autorizava a morte de opositores ao “regime”.

Estava essa gente aonde, pois no quarto livro (“ditaduras”) de Elio Gaspari a informação já estava contida.

Mais desatentos ainda estão alguns (supostos) esquerdistas que esperam vivamente ansiosos para o tempo em que a CIA irá revelar o que eles chamam de golpe que levou Lula à prisão em Curitiba.

Trata-se de uma espera no mínimo esdrúxula, pois não são esses mesmos (supostos) esquerdistas quem denunciam as tramóias (seriam golpes ou fraudes também?) da CIA “contra os interesses nacionais” (sic).

Não devemos, no entanto, nos vexar com essas contradições todas, até porque tanto os meios de comunicação quanto a academia são bastante preguiçosas, ao ponto de sempre esperarem por alguém que lhes derrube no colo algumas informações relevantes, capazes de alterar os rumos dos acontecimentos históricos.

Mas aqui vamos, igualmente, reservar um cantinho para as nossas próprias benevolências, lembrando que sempre soubemos, embora não tivéssemos provas, de que a ditadura não apenas estava ciente como autorizava as matanças e as torturas.

Quem mais faria isso?

Éramos meio avoantes, ou como diria minha mãe, andávamos no mundo da lua (portanto, bem antes dos americanos), mas ninguém poderia nos chamar de ingênuos e de desinformados.

Para ficar na mesma história, desde sempre sabíamos das operações da marinha norte-americana na costa brasileira, dando apoio explícito à ditadura militar, e pronta (a marinha norte-americana) para entrar em ação a qualquer momento.

Nos ofendiam vivamente, dizendo que éramos comunistas (veja como o mundo dá voltas para cair sempre no mesmo lugar comum!) e antiamericanos (sic).

Realmente não tínhamos provas da presença da marinha dos EUA, como não tínhamos provas das autorizações de matanças e torturas, mas ninguém poderia nos chamar de ingênuos e de desinformados.

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O chapeu

Estou insistentemente sendo chamado de velho.

Algumas pessoas são bastante jovens, outras, nem tanto.

À luz da ciência, estou ainda a três anos da velhice, que começa aos 70.

Mas já estou dentro do que se chama “terceira idade” que inicia-se, segundo sei lá quem, aos 60.

Já tenho direito, portanto, a furar filas em bancos e a ser atendido preferencialmente em hospitais e postos de saúde.

Não sei se isso é exatamente justo, pensando-se nas pessoas mais jovens que muitas vezes passam horas e mais horas em filas descomunais.

Não me vexa essa história de ser compreendido como “um velho”, pois entendo perfeitamente o que essa gente quer dizer: eles/elas ficam irritados/das quando, por exemplo, eu contesto alguns de seus posicionamentos.

Não entendo, porém, que eles/as queiram me colocar numa espécie de quarentena ou me dar um “passa menino” ou melhor, um “passa velhote”.

Creio que a coisa é de outra natureza.

É falta de argumento mesmo.

Uma espécie de reação à própria incompetência e ignorância; em não ter como contra argumentar quando contestados.

Nada disso, porém, é desculpável, mas é explicitamente compreensível.

Longe de mim não entender tamanha estupidez.

Há também outra questão a ser posta, mas necessariamente antes de postá-la devo lembrar como entendo diferente a Moral da Ética.

Esse é entendimento meu, com o qual boa parte dos filósofos não concorda.

Moral vem a ser aquilo que eu defino (numa atitude unilateral) como certo ou como errado.

Por exemplo: há alguns anos mulheres não “podiam” sair às ruas à noite por que “era feio”.

Ao contrário, nós, os homens, podíamos.

Alguém conseguiria explicar, que não pela ótica moral, a razão desse tipo de discriminação?

Já a Ética , entendo eu também, diz respeito a valores, quer sejam aqueles acordados em cartas, como por exemplo, em constituições, quer sejam aqueles ancorados nos uso e nos costumes de uma dada sociedade, mais propriamente, nos pactos sociais.

Portanto, o que permeia todo esse bangue-bangue que ora se vê pelo país não passa pela Ética, como querem fazer ver algumas pessoas, como, por exemplo, na caso do julgamento do HC de ontem do Lula, mas sim pelas questões morais: “Lula é ladrão” / “Lula é um santo, apenas comparável a Deus”.

Se disso irá resultar uma luta fratricida (entre o Bem e o Mal), como alguns estão a prever, é coisa para se ver, mas, creio, muito pouco provável.

O certo é que o mundo sempre se dividiu entre o novo (o jovem) e o antigo (o velho).

A questão é descobrir quem são os jovens e quem são os velhos dessa história milenar.

Fugindo do assunto, segue, em nota, o texto “Medo e hipocrisia minam combate às fake news”, discussão relevante – embora aqui no caso provincianos [1]  – e um texto do jornal El País  [2] .

Notas

[1] “Medo e hipocrisia minam combate às fake news”

[Não é mais novidade para ninguém que a guerra contra as notícias falsas se converteu na principal preocupação do meio jornalístico. Em todas as partes, surgem iniciativas para checagem de dados e para desmentir declarações e números falsos. Pela primeira vez em muito tempo, a discussão deixou de ser um novo modelo de negócio ou um revolucionário software, e os profissionais e as organizações passaram a debater rigor na apuração, verificação de versões e técnicas para qualificarem suas notícias. Por conta disso, cheguei a dizer que as fake news não eram uma notícia tão ruim para o jornalismo, pois nos obrigaram a pensar nossas próprias práticas. Mas passados poucos meses desse diagnóstico, vejo que o combate às notícias falsas corre riscos sérios e eles vêm justamente de quem menos se esperaria, aqueles que declararam guerra às fake news. Dois fatores primordiais contribuem para isso: alguma hesitação em enfrentar o problema e doses generosas de hipocrisia e marketing a envolver certas iniciativas.

Levantamento recente do Duke Reporter’s Lab mapeou 149 empreendimentos de checagem de dados no planeta. Mais de 70% deles estão na América do Norte e na Europa, e só os Estados Unidos contam com 47 projetos do tipo. O Brasil é o segundo país no mundo com mais checadores: 8 iniciativas entre as 15 detectadas na América do Sul. Essa posição privilegiada pode ser resultado de diversos fatores que vão do senso de oportunidade comercial de seus líderes à preocupação genuína sobre a crescente influência ilegítima de bots espalhadores de notícias falsas no debate público. No ano passado, uma pesquisa da GlobeScan já apontava o Brasil como o país mais preocupado com as fake news. O cenário se deteriorou ainda mais nos últimos meses, a ponto de a tradicional pesquisa da Edelman sobre confiança apontar que 75% dos brasileiros temem que as fake news sejam usadas como “armas”. Em um ano, a confiança na mídia local caiu 5 pontos, conforme o estudo, e quase metade dos ouvidos disse não saber em que empresas do setor confiar. Dos 28 países pesquisados, a mídia está em território de desconfiança em 22.

Receio e timidez

Reagir a uma paisagem hostil como esta é necessário e urgente. Iniciativas como Aos Fatos e Lupa têm se mostrado cada vez mais visíveis à medida que oferecem ao público os resultados de suas checagens. É um trabalho importante, útil e procurado, criando terreno fértil para iniciativas regionais, como a recente campanha de financiamento coletivo para a implantação do Filtro, no Rio Grande do Sul. A exemplo de outras tantas, é um projeto bem-intencionado, com profissionais comprometidos e com nítido interesse público – fazer verificações durante a campanha eleitoral – mas sem base financeira que venha a sustentá-la de forma perene. Essa vulnerabilidade atinge a medula do projeto, pois é determinante para sua criação. Se os recursos projetados não forem arrecadados, o Filtro pode simplesmente não funcionar.

No estado vizinho, outra boa iniciativa surgiu no grupo NSC, que assumiu as operações da RBS em Santa Catarina. O Prova Real se explica como “uma iniciativa de fact-checking e debunking”, o que significa que verifica fatos e faz desmentidos, adotando “metodologia certificada para comparar os ditos com os fatos e classificar quanto ao nível de veracidade”. Segundo a página especialmente criada para o projeto (bastante didática!), “o objetivo é promover a informação correta, e não criar rótulos ou manchar reputações. O Prova Real checa o grau de veracidade de declarações públicas e publicadas, notícias falsas e imagens. Também checa o cumprimento de leis e contratos”. A equipe de jornalistas responsável pelas verificações foi treinada pela Agência Lupa, conta com manual próprio e a iniciativa vai abastecer veículos impressos, online, de rádio e de TV do Grupo NSC, o que é bastante promissor.

Apesar desses esforços, dois detalhes fragilizam a iniciativa, a meu ver. Os conteúdos checados são classificados conforme quatro etiquetas: Exato, Não é Bem Assim, É Chute, Não Fecha. Perceba que o Prova Real não carimba que uma notícia é falsa ou mentirosa, por exemplo. Não se trata apenas de nomenclatura. Um projeto que assume a função de desmentir ou desmascarar dados ou declarações não pode medir palavras quando a informação não condiz com o que foi verificado. Afirmar que um conteúdo é falso é necessário para, diante do público, separar o joio do trigo, e o Prova Real não faz isso, impedido pelas próprias etiquetas que criou e segue.

O serviço de checagem do Washington Post tem uma escala de um a quatro pinóquios para classificar o grau de falsidade dos conteúdos!

Outro fator que reduz o ímpeto da iniciativa é que, ao final das checagens, o Prova Real reproduz o contraponto de quem foi checado. Assim, a última palavra não fica com a equipe checadora, mas com a fonte cuja declaração foi questionada. Foi assim quando o projeto foi apurar fala do governador Eduardo Pinho Moreira sobre número de tornozeleiras eletrônicas em Santa Catarina. Após verificar que a informação “não fechava” – era falsa, portanto! -, o Prova Real publicou no final da checagem “o que diz o governo do estado”. Resumo da ópera: mesmo tendo falado coisas distantes da verdade, o governador ficou com a palavra final. Isso se deu em outras tantas oportunidades, e os veículos da NSC simplesmente abriram mão de atuarem como agentes de certificação das informações corretas, respaldados por suas próprias equipes de checagem.

A meu ver, o Prova Real incorre em dois erros: não afirma com todas as letras que um conteúdo é falso e renuncia à condição de agente certificador da informação. Com isso, expõe desnecessariamente seus profissionais, e não necessariamente separa o que é real e o que não é…

Hesitações como essa reduzem o poder de fogo dos fact-checking. Mas não só.

Em 27 de março, o concorrente Notícias do Dia publicou o editorial “Informação confiável” em que reafirmava seu “pacto” com leitores e assinantes “como antídoto para a propagação das fake news”. Na mesma edição, passou a publicar uma série de três reportagens sobre motivação e prejuízos com as notícias falsas, sobre o papel dos usuários nas redes sociais, e com dicas de como identificar material impostor e como verificar sua autenticidade.

Mostrar como as engrenagens da desinformação funcionam é muito importante e esse gesto alimenta o que os especialistas chamam de media literacy, a educação para um consumo crítico da mídia. Mas, convenhamos, não basta produzir reportagens e escrever editoriais para reduzir as notícias falsas. Se os próprios veículos convencionais contribuem para espalhar mentiras – a exemplo da Folha de S.Paulo no caso Marielle Franco, criticado pela ombudsman do jornal), jornalistas e meios precisam fazer mais para combater as fake news. As redações têm as condições objetivas para evitar publicações falsas e para aprimorar a qualidade de suas notícias à medida que adotam procedimentos mais rigorosos e cuidadosos.

Só piora!

Se estamos mesmo em guerra contra as notícias falsas, hesitação, receio, medo ou bom-mocismo não vão nos ajudar a vencê-las. As dificuldades são muitas para quem quer soterrar informações errôneas e fazer prevalecer as que têm correspondência com fatos e dados.

Notem que a própria noção de fake news é complicada, e vem sendo revista por quem se dedica a pensar sobre o assunto. Claire Wardle, do First Draft, critica a expressão, dizendo que ela não dá conta da variedade e complexidade do fenômeno: não são apenas notícias falsas, há paródias e outras formas de manipulação. Por isso, ela aponta para o que chama de “ecossistema de desinformação”.

O jornalista britânico James Ball, autor de “Post-Truth: how bullshit conquered the world” (Pós-verdade: como a besteira conquistou o mundo), evita a expressão “fake news” e adota “bullshit”, que poderíamos traduzir como besteira, bobagem, e que sinaliza para algo além das mentiras e boatos. Segundo Ball, não são apenas os políticos a espalharem o lixo por aí. Velha mídia, nova mídia, empresas especializadas em produzir material enganoso, redes sociais, plataformas digitais, pessoas comuns, todos ajudam a borrar as fronteiras entre verdadeiro e falso. E serviços de checagem de dados, sozinhos, não solucionarão a questão.

Em regiões mais organizadas, normativas estão sendo pensadas. No início de março, a Comissão Europeia publicou um relatório que encomendou a especialistas para orientar seus países sobre o tema. Não se trata apenas de um diagnóstico do problema, mas também de princípios para ajudar os formuladores de políticas a propor leis e incentivar boas práticas.

Embora haja iniciativas que até automatizem as checagens, o cenário bem distópico. Em levantamento de Aos Fatos, leitores até desconfiam das notícias recebidas por WhatsApp, mas não verificam suas autenticidades, e as coisas só tendem a piorar, já que têm surgido técnicas muitíssimo sofisticadas para manipular áudios e vídeos. A situação é tão complicada que até mesmo o Tribunal Superior Eleitoral – preocupado com as fake news nas eleições deste ano – embarcou em notícia falsa para justificar que está preocupado em combater as tais notícias falsas, conforme conta o jornalista Leonardo Sakamoto.

1º de abril

No momento em que escrevo essas linhas, esbarro numa peça publicitária da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) que mais parece deboche. “Verdade seja dita: a mentira não merece nem mais um dia”, brada retumbante o anúncio que continua: “Nesses tempos de tantas notícias falsas com trânsito livre pela internet, mentira deixou de ser coisa de um dia e virou companheira de todas as horas. Mas, para azar dela, continuamos aqui. Dedicados, diariamente, a estragar essa festa”…

Por alguns segundos, a ANJ esquece que seus associados também estão na internet – nas versões online dos jornais impressos – e que eles também contribuem para um ambiente de confusão informativa. Basta acessar qualquer site jornalístico e ver que, no entorno das notícias, também figuram “links recomendados”, “links patrocinados” e anúncios que emulam a linguagem jornalística. Ora, esses conteúdos são publicidades (mal) disfarçadas, que vendem soluções mágicas para problemas de saúde, que apelam para os instintos mais básicos dos leitores e que só sobrevivem se fertilizarem um ambiente de conteúdos viralizantes. Para sintetizar: as notícias falsas e suas variantes de desinformação contaminaram tanto o ecossistema informativo que são estruturantes de seu modelo de negócio.

Neste sentido, eu vejo com muita desconfiança quando iniciativas de fact-checking ou de promoção de qualidade jornalística são patrocinadas por gigantes da tecnologia, como Facebook e Google. Faz parte do modelo de negócio dessas plataformas gerar, impulsionar e fazer circular os conteúdos com alto potencial viralizante, não importando se eles são verdadeiros, ambíguos ou falsos. Quantos mais cliques, melhor. Quanto mais reações e compartilhamentos, maior o alcance desses materiais, mais pessoas terão acessado seus conteúdos, e a grande roda estará girando, distribuindo centavos aqui e ali.

Veja o caso do projeto Credibilidade. Ele é uma coalizão de empresas jornalísticas para enfrentar o problema da queda de confiança na mídia de forma prática, fomentando discussões nas organizações e formulando práticas e ferramentas que possam ser usadas por seus membros. Capítulo brasileiro do projeto Trust, iniciado na Universidade de Santa Clara nos Estados Unidos, o Credibilidade tem entre seus parceiros nomes de peso como a Folha de S.Paulo e O Globo, e conta com patrocínio de ninguém menos que… Google! É muito importante que os veículos brasileiros estejam juntos e empenhados em aperfeiçoar suas práticas, produtos e serviços, mas por que tal iniciativa precisa ser dependente de recursos de uma corporação de tecnologia que vive à base do tráfego de dados? Por que jornais, revistas e demais meios não investem seu próprio capital para redesenhar seus procedimentos, já que os resultados de tais mudanças irão incidir diretamente em seus negócios? É como se uma rede de supermercados topasse financiar um plano de saúde para as vacas dos pecuaristas de uma região. Com a medida, o leite e o queijo ficariam melhores, mas os criadores conseguiriam vender seus produtos para outros supermercados além da rede patrocinadora?

Trust e seu capítulo brasileiro Credibilidade não são os únicos a padecerem desse mal. O Cross Check, iniciativa da First Draft, que fez um ótimo trabalho de checagem nas eleições francesas do ano passado, é patrocinado pelo Google News Lab! Aliás, o projeto está sendo gestado no Brasil, mas enfrenta dificuldades internas para se impor…

Mas é claro que, no livre mercado, Google pode investir seus milhões onde bem quiser e talvez haja até justificativas de sua responsabilidade pela sanidade do meio digital. Mas por que empresas de mídia não colocam suas fichas nesse jogo também? E mais grave: ao aceitarem uma ajudinha dessas empresas de tecnologia, não ficam dependentes de sua boa vontade de financiamento? Reféns do capital high-tech, conseguirão os veículos de mídia ter independência editorial para cobrir esse setor com rigor e compromisso? Por acaso, você já viu alguma checagem de dados desses veículos sobre Google ou Facebook?

Sejamos francos: plataformas como Facebook e Google não querem acabar com as fake news. Se quisessem, estimulariam conteúdos de qualidade em detrimento de falsidades, mas não fazem isso porque fake news e bizarrices são mais virais que matérias jornalísticas ou informativas. Se quisessem acabar com as fake news, as plataformas restringiriam a dispersão indiscriminada e mudariam seus próprios modelos de negócio, abrindo mão das vantagens financeiras vindas da publicidade mentirosa, da confusão, das manipulações e apelações. Em outras palavras: elas se beneficiam com as besteiras, com a desinformação.

A mesma hipocrisia que sustenta a campanha da ANJ embasa os movimentos das gigantes de tecnologia na cruzada contra as fake news. Não passa de discurso, de estratégia de marketing, de slogans e verbas dispendidas para serem apresentadas em seus balanços sociais. É investimento em imagem tão somente.

A declarada guerra contra as notícias falsas exige mais de profissionais e organizações jornalísticas. Se quiserem mesmo se contrapor ao ecossistema de desinformação, precisarão capacitar equipes, aprimorar procedimentos de apuração, contratar jornalistas especializados, e desenvolver ferramentas e sistemas próprios para desmentir e desmascarar falsidades. Precisarão assumir o protagonismo de certificação dos fatos, refinando seus critérios editoriais e investindo maciçamente em coberturas de qualidade. Não poderão terceirizar suas funções mais básicas de verificação e checagem. Terão que afastar o medo, o marketing e a hipocrisia, e eleger a coragem e o compromisso com o público para produzir jornalismo de qualidade nítida e cristalina. É só a credibilidade do sistema jornalístico que está em jogo. Só.

É preciso arregaçar as mangas e avançar para além do que já foi oferecido. Sim, ontem, foi o dia da mentira, e embora isso desagrade à ANJ, está longe de ser o último.]

Por Rogério Christofoletti em 05/04/2018 na edição 981 do Observatório da Imprensa, publicado originalmente pelo objETHOS.

Rogério Christofoletti é professor da UFSC e pesquisador do objETHOS.

 

[2] A arte de manipular multidões – Técnicas para mentir e controlar as opiniões se aperfeiçoaram na era da pós-verdade

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/22/opinion/1503395946_889112.html?id_externo_rsoc=FB_CC

 

“Brasil é o país com mais publicação científica em acesso aberto”

Acesso
Relatório internacional mostra que 75% dos artigos em periódicos nacionais estão disponíveis gratuitamente, em grande parte graças ao programa SciELO

[Em 13º lugar entre os países que mais produzem artigos científicos no mundo, o Brasil tem a maior porcentagem disponível gratuitamente e sem entraves via internet – o chamado acesso aberto.

Os dados estão em relatório publicado pela Science-Metrix, empresa norte-americana dedicada a avaliar atividades ligadas a ciência e tecnologia.

Dos artigos publicados em periódicos brasileiros, 74% têm acesso aberto. O fenômeno se deve em grande parte ao SciELO(Scientific Electronic Library Online), que reúne 283 periódicos brasileiros e por volta de mil de outros países. O SciELO é um programa financiado pela Fapesp.

O acesso aberto parece ser uma estratégia relevante para difusão da ciência produzida em cada país, dado que artigos facilmente disponíveis têm mostrado um índice de citação maior. O engajamento brasileiro nessa tendência foi detalhado na edição de setembro de 2017 de Pesquisa Fapesp.

Nos Estados Unidos, o país com maior produção científica no mundo, dois terços dos artigos publicados têm acesso aberto gratuito. Esse tipo de publicação não é homogêneo em todas as áreas do conhecimento, tendo preponderância em ciências da saúde e ciências naturais, mas traz benefícios em todas as áreas.

Um achado curioso é que a chamada via verde de acesso aberto, em que os artigos são postos à disposição pelos próprios autores, rende mais citações do que a via dourada, em que a ação é do periódico. Entender essas tendências requer estudo de longo prazo, já que são necessários alguns anos para se avaliar o quanto um artigo é citado.

Leia também notícia sobre estudo que colocou São Paulo entre as 20 cidades do mundo com maior produção científica: http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/01/16/a-metropole-e-a-ciencia. ]

Maria Guimarães  para a  Revista Pesquisa Fapesp.

‘Veja lança livro “A História é Amarela – Uma antologia de 50 entrevistas da mais prestigiosa seção da imprensa brasileira”’

Veja[Dupla qualidade, baseada na relevância do personagem e associada à importância histórica da entrevista. A partir dessa premissa, foi lançado, no início deste mês, o novo livro de VEJA: “A História é Amarela – Uma antologia de 50 entrevistas da mais prestigiosa seção da imprensa brasileira”. Segunda obra de uma série que pretende explorar o melhor do conteúdo já publicado pela revista do Grupo Abril, o livro traz as 50 melhores entrevistas realizadas e publicadas por VEJA na prestigiosa seção reconhecida pelos leitores como “Páginas Amarelas”, desde as primeiras edições. Coroando o meio século de existência da seção, o best seller reúne personalidades nacionais, como Carlos Drummond de Andrade e Chico Buarque de Hollanda, e internacionais, como Gabriel García Márquez e Bill Gates, atravessando um pedaço da história por meio da mais tradicional forma de expressão humana: o diálogo.

“Uma das ideias era fazer um livro que, de algum modo, pudesse representar a excelência do jornalismo de VEJA às vésperas dos 50 anos da revista, que serão celebrados em setembro do ano que vem. E perguntamos: por que não um livro em torno de uma das grandes marcas da publicação, as ‘Páginas Amarelas’?”, explica Fabio Altman, redator-chefe de VEJA. A seleção das 50 entrevistas não foi tarefa fácil. De 1969, com a primeira publicação da seção (que exibiu uma conversa com o jornalista Nelson Rodrigues), até hoje, foram 2.422 entrevistas em “Páginas Amarelas”.

Com tiragem de 192 mil exemplares, o livro chegou em primeira mão para os assinantes em 3/6. “A História é Amarela – Uma antologia de 50 entrevistas da mais prestigiosa seção da imprensa brasileira” traz um festival de ótimas perguntas e respostas extraordinárias de grandes personagens em meio as suas 236 páginas. Uma leitura interessante e agradável, que faz um passeio pela história da inteligência do século XX e os primeiros anos do século XXI. “Ao lado do primeiro livro de VEJA, ‘Dez anos em dez temas’, lançado em maio de 2016, a publicação é um reforço fenomenal para a marca, sinônimo da qualidade do trabalho que oferecemos”, finaliza Altman. “A História é Amarela – Uma antologia de 50 entrevistas da mais prestigiosa seção da imprensa brasileira” está disponível nas bancas e livrarias Saraiva de todo o Brasil e pode ser adquirido por R$ 39,90.]

Todos amam de paixão a Rede Globo embora gostem de nela jogar pedras

Limbo
Crédito da ilustração: Wikipedia

Caso você apareça em uma “rodinha”  e se identifique como jornalista, você vai causar um certo furor e um bocado de admiração.

Muita gente vai logo perguntar se você trabalha na Globo (seríamos todos Bozós?) o que só demonstra o poder e o prestígio que a Platinada tem, ao contrario do que dizem os esquerdistas, que dizem, também, odiar a Rede Globo, o que é uma extraordinária mentira, pois boa parte dessa gente (quase a totalidade delas) vive de assistir algum canal da emissora carioca.

Vivemos tempos tenebrosos e mentirosos, onde impera a falsidade – a mais deslavada e imoral possível.

Um sujeito e uma sujeita (porque não? As feministas não exigem que flexionemos os gêneros, como por exemplo, no caso de “presidenta”?) vivem numa irrealidade, num faz de conta falso, onde o que conta é o desconforto de continuar mentindo, mentindo, mentido até a exaustão, num exercício goebbelsliano.

A lembrança que abre o texto não é invenção minha.

Já fui diversas vezes questionado se trabalho na Globo.

Ninguém se lembrou de perguntar se trabalho da Folha de São Paulo (já trabalhei alias), na Crítica, de Manaus (idem), em O Tempo, de Minas (idem), ou em alguma emissora de rádio ou de TV.

A pinimba que muita gente aparenta ter com a Globo (embora continue assídua frequentadora de seus canal) não passa de um discurso bobo, tolo e, porque não?, idiotizante.

Trata-se de uma mistura de frustração com as posições (políticas e ideológicas)  adotadas pela emissora e (em alguns casos) com o fato de muita gente (especialmente jornalistas) não ter mais espaço para atuar/trabalhar na emissora carioca.

A repetição desse rame-rame chato e enfadonho é o que eu chamo (embora a palavra não exista e portanto não esteja dicionarizada) de “MESMISMO”

Mas como nós todos podemos notar, o desconforto não é apenas com a Globo, mas extensivo a outros veiculo de comunicação.

Aqui, como também no caso da ciência, trata-se de pura negação do “óbvio ululante”, como diria Nelson Rodrigues: tudo o que não estiver concorde com aquilo que penso é mentira, eu refuto;  tanto quanto eu refuto qualquer conhecimento/revelação da ciência que esteja em desacordo com as minhas crenças e os meus valores individuais, familiares e de grupos.

Dia desses, não demora muito não, vamos chegar ao limbo.

“Brasileiros e alemães discutem liberdade de expressão em seminário na UnB”

[Na Europa e na América Latina, a expansão da tecnologia digital trouxe um grande desafio para a mídia: a busca por um modelo de produção, distribuição e acesso à informação de qualidade. Por outro lado, o acesso à internet também pode significar um estímulo à prestação de contas dos veículos de comunicação e de seus profissionais ¿ sugestões, reclamações e comentários chegam rapidamente às redações via e-mail e pelas redes sociais, aponta Fernando Oliveira Paulino, diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB).

Paulino é um dos pesquisadores que farão parte do seminário ¿Mídia, Accountability e Liberdade de Expressão na Europa e na América Latina¿, organizado em parceria com o Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH-SP), a Universidade Técnica de Dortmund (TU) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Durante uma manhã de debate, marcada para 21/06, cientistas e profissionais da Alemanha e do Brasil vão discutir questões relacionadas à liberdade e prestação de contas da mídia europeia e latino-americana. Um dos objetivos da troca de experiências é abordar o papel da imprensa para o fortalecimento da democracia e da diversidade.

Em países da América Latina, problemas já conhecidos estão de volta à tona. Pesquisas apontam um alto índice de concentração de propriedade da mídia, tentativas de interferência nos conteúdos veiculados pelo poder público e pouca prestação de contas das empresas do ramo.

Paulino cita ainda um outro perigo: ¿Existe um significativo grau de paralelismo político, ou seja, interesses cruzados entre proprietários de mídia e grupos políticos¿. A Europa também não está livre de dificuldades: a liberdade de expressão de grupos formados por refugiados e imigrantes, o funcionamento do sistema público de comunicação em alguns países são exemplos de temas em discussão.

A alemã Mariella Bastian, pesquisadora do Instituto de Jornalismo da TU Dortmund, vai apresentar resultados de uma análise feita no Brasil, Argentina e Uruguai. Ela investigou a relação entre imprensa e criação de sistemas de media accountabity como ombudsman, códigos de ética, conselhos de imprensa, blogs sobre mídia ou espaço para correção de erros. ¿É importante não ter uma perspectiva eurocêntrica. Muitas vezes, no mundo acadêmico, adota-se uma perspectiva da Europa ou dos Estados Unidos sem se levar em consideração as condições em outras regiões¿, comenta Bastian sobre seu estudo.

Por isso, a pesquisadora elaborou um modelo com diferentes fatores que influenciam esse cenário, como a relação entre mídia e política, liberdade de expressão, situação econômica, formação dos jornalistas entre outros.  Durante o seminário, Bastian vai apresentar ainda os instrumentos de transparência e que garantem participação do público existentes nos três países da América Latina onde concentrou sua pesquisa.

Dentre os debatedores está Susanne Fengler, diretora do Instituto Erich Brost para Jornalismo na Europa. A instituição faz parte do projeto Media Accountability e Transparência na Europa, uma pesquisa comparativa focada na prestação de contas dos veículos europeus. Carina Zappe, do Observatório Europeu do Jornalismo, também participa do Seminário.

Compõem ainda a programação Josenildo Guerra, professor da Universidade Federal de Sergipe, e Marcos Santuário, docente da Universidade Feevale. Eles fazem parte da Rede Nacional de Observatórios da Imprensa, criada em 2005 para reunir estudos e monitorar a mídia brasileira.]

Serviço: Seminário: Mídia, Accountability e Liberdade de Expressão na Europa e na América Latina

Dia: 21/06

Início: 8h20

Local: Auditório Pompeu de Sousa da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (Campus Universitário Darcy Ribeiro – Asa Norte – Brasília)

Fonte: DWIH-SP

CNPq

Encandalização e vitimização rebaixam política a níveis impensáveis

Mariveja 01

Sinceramente não vi nada de mais na capa da revista Veja e na propaganda das lojas Marisa que usam a figura da esposa do ex-presidente Lula, a senhora Marisa Letícia, a primeira para vender revista e a segunda para vender confecções e coisa do gênero.

No caso do magazine, algumas pessoas alardearam que a reação nas redes sociais foi farta, assim como fora farta a ida à frente da loja (de algumas pessoas, dizem) para os devidos protestos.

Não vi nenhuma dessas duas coisas. A repercussão nas redes foi pífia e a ida em frente da(s) loja(s) reuniu, quando muito, meia dúzia de pessoas.

Mariveja 02No caso da revista a reação foi maior, com muita gente condenando a publicação e a taxando de extremo mau gosto.

Mau gosto é um conceito bastante discutível.

Assim como a verdade e a realidade (coisas mais importantes que um simples gosto) o mau gosto muda assim que se muda de calçada.

Tudo é relativo.

A rigor a Veja poderia evitar esse tipo de confronto e de exploração oportunista, até para não acirrar ânimos já bastante acirrados.

Que o ex-presidente Lula mentiu e, pelo menos indiscretamente, jogou o enrosco do tríplex do Guarujá na conta de sua ex-esposa, disso todos nós sabemos, mas Veja não precisava conturbar ainda mais um ambiente já conturbado.

Em defesa da revista diga-se que ela está exercendo o seu sagrado direito à liberdade de expressão.

Quem não gosta de liberdade, de liberdade de pensamento, de livre iniciativa, de liberdade de expressão deveria mudar-me ou botar-se daqui para fora – há muitos lugares para se viver pelo mundo.

Mas, pelo menos, tenham consciência de que esse é um caminho sem retorno, inclusive buscado por muito que hoje criticam a liberalidade de Veja.

Já a loja se valeu de um bem humorado mote que o próprio Lula deu, transferindo a responsabilidade pelo tríplex apenas para dona Marisa, como se fosse ele, o ex-presidente, um desavisado, um alienado que nada sabia, que não conhecia nada.

É muita inocência que alguém possa acreditar em tanta inocência assim.

De qualquer forma valeu-se a loja da lógica da democracia, da liberdade de expressão, ou melhor dizendo, de se expressar livremente.

Estamos numa democracia, portanto, e mais do que isso, num regime capitalista aonde essas histórias de liberdade são um bocado comuns.

Nisso tudo resta apenas que o vitimismo anda à solta por este país, o que é sempre um péssimo negócio: o chororô militante é ensurdecedor e a cada dia fica mais chato.

E a moça provocou e concluiu: você é um teleguiado, um alienado pela TV

Batebioca
Credito da ilustração: Blog Drall

No ultimo dia 14 de março, em segunda mão, disse nas redes sociais que:

“Deu uma subidinha a abertura de postos de trabalho. Mais do que as que fecharam.
Uma boa notícia, pois desde 2015 que a barca da geração de emprego havia emborcado.”

Foi o que bastou para uma singela pessoinha – nas redes sociais –, e que nunca havia antes falado comigo, me perguntar em que canal de TV eu tinha “visto” a informação.

Isso não tem nada de inocente, não se enganem!

A maioria das pessoas desse tipo gostaria que eu tivesse respondido “rede Globo”, obviamente para espezinhar o alienado aqui.

Ocorre que eu sequer tenho um mísero aparelho de TV. Não gosto muito de TV, embora assista as vezes caroneando de alguma casa ou de um bar, e, pra falar a verdade, até já gostei em outros tempos.

A pessoinha em questão, como não me conhece, e não tem como saber se tenho ou não um aparelho de TV, por isso mesmo deveria perguntar onde foi que eu arrumei essa informação, e não determinar, a priori, que eu deveria ter “visto” em alguma emissora de TV.

É uma questão de dignidade, de respeito e de demonstração de um mínimo que seja de inteligência.

E explico o de “segunda mão” acima: normalmente tomamos conhecimento de alguma informação pela imprensa. Eu não dispenso nenhum delas e delas não tenho preconceito algum. Por acaso, no caso, ”vi” a notícia na Rede Brasil (site) que não é exatamente um site de direita, muito pelo contrário.

Mas normalmente vou procurar a fonte primária da informação, no caso o IBGE. E fui!

Como sou jornalista (mesmo que por hora apenas um blogueiro) faço isso sempre, até para não ser surpreendido com interpretações equivocadas da informação.

O acirramento dos conflitos político pelos quais o Brasil atravessa (e isso deve demorar um bocado de tempo ainda) levou a um descalabro descomunal com o qual não estávamos acostumados; mesmo na época da ditadura militar, pois até aqueles que a apoiaram não se mostravam dispostos a defendê-la, e, tenho para mim, se envergonhariam caso o fizesse.

Ocorre que a partir de 2013 para cá o Armagedon está à solta (se é que posso usar dessa construção) e não poupa ninguém, à esquerda e à direita.

E pior: quem buscar manter uma postura ética e equilibrada será sempre a primeira vítima dos intolerantes à esquerda e à direita.

Não há mais diálogo possível.

Os ouvidos estão moucos.

Os insanos venceram esta queda de braços.

Esquerda e direita se digladiam em contagens e para ver quem mente mais

Lula PT
Lula aproveita protestos para fazer campanha por sua própria volta à presidência da república. Foto: Partido do Trabalhadores (PT).

Há quem tenha lembrado de dizer que apenas na avenida Paulista havia mais de 300 mil pessoas nas manifestações de ontem, já indo para a casa das 400 mil.

Exagero dos exageros, e como a gente aprende (ou deveria aprender) em casa, mentir é feio.

Doutro lado houve quem tenha rebaixado ao máximo as manifestações de ontem (não só na avenida Paulista) a meia dúzia de gatos pingados.

É a Globo comandando a massa.

Juntamente com as publicações da editora Abril, o jornal O Estado de São Paulo e (muitas vezes) a Folha de São Paulo, a rede Globo (incluindo as publicações) funciona à base de um conservadorismo extremado, careta e um bocado reacionário.

Mais ou menos a exceção é a GloboNews que consegue (seja com relação a quem for) subir um pouco do tom das críticas, inclusive contra a própria população que é merecedora de todos os apupos e vaias.

A contra face dessa história são as novelas globais reconhecidas como agentes de modernização da sociedade brasileira.

O que não é exatamente uma coisa difícil de fazer, pois o brasileiro é um bocado atrasado e arcaico, e qualquer coisa de se faça já vai parecer um grande avanço, quase um revolução.

Trata-se de um paradoxo, especialmente pensando que o cinema nacional não desempenha esse papel, como deveria fazer, na contramão da maioria absoluta dos países, especialmente os Estado Unidos.

Do teatro não se dá muito para falar (e cobrar) posto ele continuar inacessível à maior dos nacionais, por conta a sua carestia.

Voltando ao cinema, aqui troca-se a crítica mais abrangente pela militância política (sempre se fez isso), o que é um equivoco enorme.

Dos protestos

Se os protestos iniciados em 2013, que culminaram com a deposição de Dilma Rousseff e o quase extermínio do Partido dos Trabalhadores (PT), se caracterizaram pelo seu caráter difuso e conflituoso (cada um falava um coisa e, pior, reivindicava outra), este, destes dias, sob a desculpa de ser contrário as reforma trabalhista e a da previdência, a rigor é tão somente uma um campanha pela volta de Lula da Silva à presidência da república.

Isso é indisfarçável.

Na falta de tato para com as coisas e as pessoas, esta é uma boa maneira de não se conseguir arregimentar mais ninguém para os protestos, inclusive muita gente que até votou no petismo, mas que hoje anda num ressabio danado com o partido.

Creio – ou pelo menos assim espero – que Lula da Silva, o PT e a militância saibam o que estejam fazendo, caso contrário, quando outubro (de 2018) chegar, será uma decepção extraordinária – com os naturais chororôs e as vitimizações de praxe.