Por que é tão fácil odiar e amar a aniversariante cidade de São Paulo?

Migrantes italianos SP
Crédito da foto: pt.wikipedia.org2055 × 1072Pesquisa por imagem Imigrantes italianos posando para fotografia no pátio central da Hospedaria dos Imigrantes (atual Memorial do Imigrante) – 1890, São Paulo.

Sete em cada 10 pessoas que moram na capital paulista dizem desejar sair (um dia… quem sabe…) rumo a qualquer outro canto do planeta.

Sob esse prisma, qualquer coisa é/seria melhor que a cidade de São Paulo.

Pesquisa do Ibope Inteligência, encomendada pela Federação do Comércio e Rede Nossa São Paulo, é que aponta esses dados.

Novidade?

Nenhuma!

Em meados da década de 70 (do século passado) o extinto Jornal da Tarde (do grupo Estadão), com base em pesquisa (acho que também do Ibope), fez algumas matérias com “gente comum” apontando o mesmo desconforto e o mesmo desejo em/com relação à capital paulista.

De lá pra cá a cidade praticamente dobrou de tamanho (em número de habitantes), muitos daqueles que queriam sair, não saíram; entre aqueles que saíram, muitos voltaram; e muita gente que sequer havia nascido ou não conhecia a cidade migrou para lá.

Por essa época também um amigo, de nome Zé Luís, dizia que São Paulo era realmente uma cidade agressiva e desumana, mas que ele não via outro lugar melhor para se morar.

Nas suas deduções, ele apontava como razão para tanto desconforto e manifestação de desejo de fuga o espírito extremamente crítico dos paulistas/paulistanos, que diferia (e difere) muito de gentes de outros burgos com projetos de “feliz cidade” e/ou são “maravilhosas”.

Pode ser esta uma boa explicação

Mas, também…

Vale ressaltar, no entanto, que a década de 70 foi especialmente dura para o Brasil e muito especialmente para São Paulo (o estado federativo e a cidade):

– vivíamos o auge da ditadura militar;

– a indústria paulista começava a perder fôlego;

– os empregos diminuíam;

– a violência aumentava;

– o ar se poluía;

– o trânsito se complicava.

Assim como a população residente, essas mazelas (fora a ditadura), de lá pra cá, só aumentaram, e se expandiram para a região metropolitana, infernizando a vida de quem optou por viver tranquilamente nas adjacências da cidade para dela usufruir.

Bipolaridade

Tirando fora do raciocínio aquele sujeito que nunca foi e, portanto, não conhece São Paulo, mas mesmo assim a odeia, há dois grupos que se distinguem:

– os de fora, que para lá migraram;

– os de lá, que por lá ficaram.

Se atentarmos para o discurso de cada um dos grupos, embora guardem similaridades (de ódio ou de amor), vamos perceber razões bastante distintas explicitadas por um e por outro.

A visão do forâneo vê detalhes que, normalmente, passam despercebidos a quem é da terra.

Quem por lá nasceu tem um histórico de sociabilidade (e de cultura) que o estrangeiro não possui e nem pode possuir, por óbvio.

A práxis paulistana, porém, continua a mesma de uma mãe:

– repressora, dura e implacável;

– educadora, solidária e protetora.

Viva por lá quem puder viver.

Quem não conseguir, contente-se com o que tem.

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