Será que Pelé tinha razão e o povo não sabe votar mesmo?

Pele Lula
Crédito da foto: http://www.abril.com.br

O uso da palavra “povo” cheira sempre a demagogia. Os políticos desgastaram esta e muitas outras.

Por povo, normalmente, se identifica o conjunto de indivíduos que, num dado momento histórico, constitui uma nação ou ainda o conjunto de pessoas de um país, mesmo que esse conjunto seja constituído por pessoas de diferentes grupos étnicos (grupo de pessoas que se identificam umas com as outras ou são identificadas como tal por terceiros, com base em semelhanças culturais ou biológicas, ou ambas, reais ou presumidas ).

Quando Pelé resolveu falar alguma coisa além de questões ligadas ao futebol e aos seus inúmeros casos amorosos ganhou a antipatia de muita gente e uma dor de cabeça para sempre: “o povo não sabe votar”.

A frase foi dita no início dos anos 70 e tinha referência com a suspensão, pela ditadura militar, da eleição para o executivo (a suspensão era parcial: para presidência da república, governos dos estados e prefeituras de capitais).

Não era exatamente uma boa hora para dizer uma coisa dessas.

Mas a frase (que a rigor foi: “o povo brasileiro não está preparado para votar”) continua de uso corrente, de um lado ou de outro do espectro político nacional.

Das antecipações

Tese que vem crescendo já há algum tempo (tratada, por exemplo, em texto anterior deste blog: Dilma acertou ao propor plebiscito antes de antecipar a eleição presidencial) a antecipação da eleição presidencial (na verdade, eleições, pois prevê as para deputados e senadores) vai causando preocupação ao “povo”, quer seja (simplificando) o povo de esquerda, quer seja o povo de direita.

Há, no entanto, duas questões embutidas na recusa: (i.) o desconhecimento da gravidade da crise brasileira; (ii.) a aversão (antidemocrática) à participação do próprio “povo” nos destinos do próprio país.

Das manobras

O conjunto da sociedade, ou seja, o “povo”, se confunde com “opinião pública” e a opinião pública serve, de um lado ou de outro do espectro político ideológico, quando, em sua maioria, está de acordo com o que prega e pensa cada um desses lados.

Fora esse caso (é um caso só, pois se repete como mantra para um grupo e para o outro), no mais o “povo” ou a “opinião pública” não serve para nada. Ele/ela que fique quietinha/o em seu canto.

O que se defende (e é o que a presidente Dilma Rousseff defende) é que o “povo” seja ouvido duas vezes: em plebiscito e numa antecipada eleição.

Para mentes obnubiladas [1] pela desinformação e pelo fanatismo (seja de que ordem for) trata-se do horror dos horrores, pois há sempre o risco de vermos as nossas vontades derrotadas pela vontade popular, que, como nós todos sabemos, não deveria ser expressa, pois o “povo não sabe votar” ou melhor “o povo não está preparado para votar”; o que é sempre um problema para mentes tão sábias e conscientes.

Nota

[1] Do verbo obnubilar – tornar ou ficar escuro, escurecer, produzir obnubilações em; causar sintoma caracterizado por deslumbramentos ou ofuscações.

 

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