Ainda sobre a insensibilidade e a estupidez de Geraldo Alckmin

Picoleh
Geraldo, o “picolé de chuchu”, segundo Zé Simão, de insensibilidade que faz jus ao apelido forum.clickgratis.com.br

Semanas antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff da presidência da república estive no prédio do Ibama, em Brasília, para discutir com alguns técnicos e especialistas do Instituto que rumo dar a um projeto de manejo florestal do qual faço parte com um grupo de amigos no Estado do Amazonas.

O projeto está sendo desenvolvido no município de Autazes, nas proximidades de Itacoatiara e a cerca de 113 quilômetros de Manaus, a capital do Estado.

Tive de aguardar um pouquinho, pois os técnicos do Instituto estavam atendendo a uma senhora paulista que desenvolve projeto parecido na Serra do Mar, ao lado da Rodovia dos Imigrantes [1], que liga a capital paulista à baixada santista.

Talvez o governador Geraldo Alckmin não saiba dessa história e de outras que acontecem em seu Estado, e que são de iniciativa de particulares, mas, em sua maioria, de comunidades ditas tradicionais [2].

Já volto já, já para falar um pouco do que seja manejo florestal e quais as implicações desse tipo de projeto no meio ambiente e nas comunidades compreendidas por ele.

Dos exemplos

No início dos anos 90 amigos ligados a uma ONG ambientalista que, desconfio, não existe mais, chamada Pró Juréia, me convidaram para desenvolver um projeto de difusão de informação ligada obviamente à preservação do local.

Parte da Juréia (no litoral sul de São Paulo) é área já preservada e com a presença de comunidades indígenas (guarani) e de posseiros.

A projeto não consistia em estratégias e pressões para a retirada dos posseiros da área, muito pelo contrário, era uma tentativa de conscientização da necessidade de se usar a Mata Atlântica respeitando-se não apenas o meio ambiente, mas, principalmente as comunidades indígenas.

Infelizmente o projeto não foi avante por problemas que escaparam à capacidade da ONG em realizá-lo.

Duas coisas chamavam atenção:

– a forte resistência de moradores das proximidades contra os índios, os posseiros e as reservas ambientais;

– a ocupação de parte da Mata Atlântica por sítios de famílias, que, a rigor, moravam na região metropolitana de São Paulo, e os usam para “passar finais de semana e férias”.

A ocupação e a destruição da Mata Atlântica [3] tem história longa que remonta à chegada dos portugueses ao Brasil em 1500 e, no caso de São Paulo, à fundação de São Vicente [4].

Um dos maiores crimes ambientais da história brasileira ocorreu durante o regime militar com a conclusão da ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo, pelo litoral, naquilo que é hoje conhecido como Rodovia Rio-Santos [5]·.

As preocupações com a conservação da Mata Atlântica e de outros biomas brasileiros (Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa, Floresta Amazônica etc.), no entanto, são mais recentes.

Daí ser esta uma luta dura, mas oportuna, coisa que parece o governador de São Paulo não entender.

Dos manejos

Seja qual for a intenção da senhora paulista com seu projeto de manejo na Mata Atlântica, há de se entender que se ele, de um lado, visa o lucro e a geração de riqueza, de outro necessariamente contempla a preservação e a recuperação da floresta e , ao mesmo tempo, de sua fauna.

É igual a nossa motivação em Autazes, acrescentando-se ao nosso caso tratar-se de uma área não degradada, sem a presença de comunidades indígenas, com reserva legal já estabelecida e contemplando a participação de ribeirinhos que por lá moram, na qualidade de parceiros do projeto.

Das sustentabilidades

Manejo Florestal ou, mais propriamente, Manejo Florestal Sustentável “ é a administração da floresta para obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, a utilização de múltiplas espécies madeireiras, de múltiplos produtos e subprodutos não-madeireiros, bem como a utilização de outros bens e serviços florestais[6].

Das intenções

Ora, ora, não parece ser esta a intenção do senhor governador Geraldo Alckmin (Ibid.) com seu projeto de lei 249  (2013) às portas de ser sancionado.

Talvez o senhor governador Geraldo Alckmin queira mais do que simplesmente abrir as comportas do meio ambiente paulista para a exploração capitalista.

Talvez sonhe ele em transformar essas áreas em grandes parques de diversões variadas, com direito à pipoca, carrossel, sorvetes, refrigerantes, fontes luminosas, sistemas de sons; quem sabe, parques de caça para exterminar ainda o que resta da fauna da Mata Atlântica.

Notas

[1] Também conhecida como SP-160, é uma rodovia do estado de São Paulo. Tem 44 viadutos, sete pontes e catorze túneis, em 58,5 km de extensão, de São Paulo a Praia Grande, no litoral sul paulista. É a principal via de acesso da cidade de São Paulo à Baixada Santista e ao litoral sul paulista, e possui um tráfego intenso de veículos, sobretudo durante o verão e em feriados. A Rodovia dos Imigrantes faz parte de um complexo de estradas denominado Sistema Anchieta-Imigrantes, dos quais fazem parte também as seguintes rodovias: Anchieta, Padre Manoel da Nóbrega e Cônego Domênico Rangoni. Fonte: https://portogente.com.br/portopedia/76315-rodovia-dos-imigrantes

[2] Geraldo Alckmin deveria pegar prisão perpétua por excesso de estupidez e insensibilidade

[3] A Mata Atlântica é formada por um conjunto de formações florestais (Florestas: Ombrófila Densa, Ombrófila Mista, Estacional Semidecidual, Estacional Decidual e Ombrófila Aberta) e ecossistemas associados como as restingas, manguezais e campos de altitude, que se estendiam originalmente por aproximadamente 1.300.000 km2 em 17 estados do território brasileiro. Hoje os remanescentes de vegetação nativa estão reduzidos a cerca de 22% de sua cobertura original e encontra-se em diferentes estágios de regeneração. Apenas cerca de 7% estão bem conservados em fragmentos acima de 100 hectares. Mesmo reduzida e muito fragmentada, estima-se que na Mata Atlântica existam cerca de 20.000 espécies vegetais (cerca de 35% das espécies existentes no Brasil), incluindo diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Essa riqueza é maior que a de alguns continentes (17.000 espécies na América do Norte e 12.500 na Europa) e por isso a região da Mata Atlântica é altamente prioritária para a conservação da biodiversidade mundial. Em relação à fauna, os levantamentos já realizados indicam que a Mata Atlântica abriga 849 espécies de aves, 370 espécies de anfíbios, 200 espécies de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 espécies de peixes. (Fonte: http://www.mma.gov.br/biomas/mata-atlantica)

[4] São Vicente foi a primeira vila fundada pelos portugueses na América, em 1532. Veja em: Fundação da Vila de São Vicente – fonte: http://www.saovicente.sp.gov.br/conheca/historia/relindios.asp e São Vicente (São Paulo) – fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Vicente_(S%C3%A3o_Paulo)

[5] Rodovia Rio—Santos. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rodovia_Rio%E2%80%94Santos

[6] Ministério do Meio Ambiente (MMA) http://www.mma.gov.br/florestas/manejo-florestal-sustent%C3%A1vel [Conheça mais sobre o assunto no site do Serviço Florestal Brasileiro.]

 

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